HÉLVIO ROMERO | ESTADÃO CONTEÚDO
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Judô tem momento de decisão com definição das vagas olímpicas

David Moura, Rafael Silva, Felipe Kitadai e Eric Takabatake precisam brilhar no World Masters, em Guadalajara, no México

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

21 de maio de 2016 | 17h02

Com disputas acirradas pelas últimas vagas, a seleção brasileira de judô está perto de ser definida para a Olimpíada. A partir de sexta-feira, será disputado o World Masters, em Guadalajara, no México, última etapa a contar pontos para o ranking. E duas categorias no masculino estão com uma boa briga: Eric Takabatake e Felipe Kitadai, nos 60 kg, e David Moura e Rafael Silva, o Baby, acima de 100 kg.

A diferença de pontos entre os mais leves é de 21 a favor de Takabatake e entre os mais pesados é de 102 pontos a favor de Baby. Só que a competição dá 700 pontos para o 1º colocado, 420 para o segundo, 280 para o terceiro e 140 para o quinto, ou seja, quem ficar na frente acaba a corrida na dianteira. “A gente vai para a competição e sabe que ela é crucial”, avisa David.

Ele e Baby estão fazendo um duelo de gigantes pela vaga olímpica. No início do ano David estava na frente, mas o rival voltou de lesão e se recuperou com bons resultados. A disputa final se dará em Guadalajara. “Não é um contra o outro, mas só um de nós vai conseguir essa vaga. O pessoal acha que por ser a última competição aumenta a pressão, mas para mim está sendo natural, porque sempre soube que seria assim, pois tenho um adversário muito duro para conquistar a vaga. Sabia que seria no final, com dificuldade, por isso não me surpreendo.”

No outro duelo, Takabatake fará uma disputa saudável com Kitadai. “Eu e ele somos amigos desde mais novos. Claro que somos rivais no tatame, mas fora a gente conversa e se ajuda. Eu estou querendo muito a vaga olímpica, ele também, então seja quem for o Brasil estará bem representado”, diz.

O judoca sabe que uma boa participação no World Masters é fundamental para suas pretensões. “Agora temos a última competição valendo pontos para a Olimpíada, e é decisiva para a gente. Espero fazer minha parte, dependo só de mim, não gosto nem de ficar pensando em outros fatores, e quero fazer meu melhor. Quero trazer essa medalha e ganhar essa vaga.”

Lista final. Segundo Ney Wilson, gestor de Alto Rendimento da CBJ (Confederação Brasileira de Judô), a equipe será definida em uma reunião após a participação brasileira em Guadalajara. Ele explica que o ranking é o principal critério, mas em caso de dois atletas que estejam muito próximos na pontuação, outros fatores poderão pesar para a decisão.

“O peso maior é o ranking, que tem uma transparência muito grande, é incontestável. Queremos decidir assim. Só que nosso esporte é de confronto, então alguns outros fatores podem ser levados em consideração em casos muito excepcionais. Tipo um atleta que está crescendo e outro que está caindo na reta final e a diferença de pontos é muito pequena, ou o atleta que teve mais vitórias sobre atletas mais bem ranqueados”, explica.

Ele vê as disputas sadias pelas vagas e sabe que a tristeza tomará conta de quem ficar pelo caminho. “É uma carga emocional grande. Acompanhamos o atleta quatro anos, se dedicando e abrindo mão de tudo para o treinamento, e no final ele vai perder a vaga. É duro. A gente tenta ser frio, mas é muito difícil. A gente fica contente por uns, mas tristes pelos outros que ficarão fora da equipe olímpica. Faz parte e temos de saber conviver com isso.”

ENTREVISTA COM MAYRA AGUIAR

1. Qual a expectativa para a disputa do World Masters na próxima semana?

É quase um teste para a Olimpíada, pois vou enfrentar adversárias que vão estar lá. É uma competição dura, pois desde o início terei rival forte.

2. É possível esconder o jogo das adversárias para surpreender no Rio?

Acho muito difícil esconder o jogo, pois sou muito competitiva. É momento para acertar e errar, para melhorar. Não busco o bom resultado, mas a forma como vou competir.

3. Como você vê o sucesso da seleção brasileira de judô?

A gente está com um time muito bom para a Olimpíada. No feminino, a equipe cresceu junta. Eu entrei na seleção feminina com 14 anos, a Sarah entrou nova, a Rafaela também, todas têm muita experiência em competição grande, como Mundial e Olimpíada, e isso é um fator favorável.

4. A torcida será grande no Rio. Vocês estão preparados para a pressão?

Nós já mostramos que gostamos de lutar em casa. Em 2013 tivemos a maior quantidade de medalhas em um Mundial, no Rio. Acho que teremos uma boa participação.

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Psicologia faz parte da preparação dos judocas para a Olimpíada

Confederação Brasileira de Judô consegue implantar um trabalho emocional forte nos atletas e espera colher os frutos disso

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2016 | 17h02

Os judocas estão sendo preparados nos tatames e também no “divã”. Se no último ciclo olímpico nem todos cuidavam da mente, desta vez a Confederação Brasileira de Judô (CBJ) conseguiu implantar um trabalho emocional forte nos atletas de olho em bons resultados nos Jogos Olímpicos do Rio.

“A gente está bem avançado nisso. Tivemos um ciclo olímpico passado que apenas 50% da equipe fazia um preparo psicológico. Hoje a gente tem 100% dos atletas fazendo isso e entendendo a importância disso. É como a preparação física. O retorno que os atletas têm nos dado é muito positivo”, conta Ney Wilson, gestor de Alto Rendimento da confederação.

Para ele, a disputa do World Masters, em Guadalajara, será um bom teste para os atletas. “É um evento importante, pois é o último laboratório sob uma grande pressão, pois lá estarão os melhores atletas lutando para serem cabeças de chave da Olimpíada. É um evento muito estratégico, que exerce pressão sobre os atletas, e será um momento de avaliarmos como cada um suporta isso e vermos no que podemos melhorar.”

A competição em Guadalajara servirá para as atletas do feminino medirem forças, mas elas não entram pressionadas por resultados porque as vagas olímpicas já estão bem definidas: Sarah Menezes, Érika Miranda, Rafaela Silva, Mariana Silva, Maria Portela, Mayra Aguiar e Maria Suelen Altheman têm distância confortável no ranking.

“Se tem disputa por vaga ainda, o atleta fica mais focado em conquistar a vaga, e nós podemos nos concentrar na Olimpíada mesmo. Felizmente a equipe feminina já está formada, grupo bem unido, para poder fazer uma boa competição”, conclui Rafaela Silva.

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