Fábio Motta / Estadão
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Judoca João Derly defende a saída de Nuzman do COB e democratização na entidade

João Derly está organizando uma comissão geral para debater a reestruturação do Comitê Olímpico do Brasil na Câmara

Catharina Obeid, especial para O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2017 | 19h14

O deputado federal e bicampeão mundial de judô João Derly defendeu o afastamento de Carlos Arthur Nuzman do Comitê Olímpico do Brasil (COB) para que ele possa se defender. O ex-judoca acredita que isso deveria ter sido feito antes de o caso tomar grandes proporções, como com a prisão temporária do dirigente concretizada nessa quinta-feira. No mês passado, Derly pediu que o presidente do COB fosse convidado a depor para esclarecer as acusações. O requerimento foi aceito, mas o encontro não chegou a acontecer.

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"Não tivemos resposta direta dele. O Bernard Rajzman falou com a Comissão que o presidente estava inclinado a ir, mas depois falou que ele só apareceria se os advogados mandassem. E provavelmente não o fariam, né. Ainda assim, nesse meio tempo, ele acabou sendo preso", comentou o ex-atleta.

Com o objetivo de passar um pente-fino, reestruturar e pensar novos horizontes para a entidade, Derly contou que já está organizando uma Comissão Geral. O evento deve acontecer na semana que vem e a ideia é ter a presença do Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, seu vice, Fábio Ramalho, além dos atletas do Comitê Olímpico.

A principal crítica do deputado é a falta de mecanismos de democratização nas entidades. Para ele, a participação dos atletas e dos clubes evitaria que todo o poder ficasse na mão das federações. Apesar do sentimento de tristeza, o ex-judoca vê o ocorrido como uma oportunidade de mudar a maneira como se trata o esporte no Brasil. "Acredito que isso talvez faça com que surjam coisas boas, afinal, não dá para a pessoa ficar 20 anos no poder à frente de uma entidade."

O compromisso com a gestão pública é outro ponto comentado pelo gaúcho. Em sua visão, a separação da entidade e do comitê é necessária para combater ataques como a previsão de diminuição do orçamento direcionado ao Ministério do Esporte em 2018. Enviada à Câmara dos Deputados, a proposta do governo federal para a Lei Orçamentária Anual (LOA) prevê uma redução de 87% na comparação com a verba deste ano.

"Nós, que recebemos os Jogos Olímpicos e ficamos no centro do esporte mundial, vemos a compra de votos do presidente, o legado com muita dificuldade em ser palpável e contínuo... O sentimento, confesso eu, é bem ruim. Estamos indo por água abaixo e levando junto todo esforço e sonho dos atletas", lamentou.

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