Judocas acertam patrocínio curioso em véspera de ano olímpico

Às vésperas de mais um ano olímpico, cinco judocas da seleção brasileira acertaram um patrocínio incomum nesta segunda-feira. Charles Chibana, David Moura, Tiago Camilo, Luciano Corrêa e Mayra Aguiar, todos com boas chances de representar o Brasil nos Jogos do Rio-2016, assinaram acordo com uma corretora de valores, que vai cuidar da vida financeira deles até depois da aposentadoria.

FELIPE ROSA MENDES, Estadão Conteúdo

21 de dezembro de 2015 | 19h25

Pelo acerto, os cinco atletas vão representar a marca Genial, da corretora Geração Futuro, até o fim de 2016, quando devem disputar a Olimpíada. Há possibilidade de estender o vínculo por mais um ano. "Temos a possibilidade de renovar o contrato e ainda trazer mais atletas para o ''jogo''", afirma o sócio-diretor da Geração Futuro, Eduardo Moreira.

O patrocínio consiste no pagamento de um valor mensal, não divulgado, que vai compor uma carteira de investimentos individual. Pelo acordo, eles só vão poder retirar o dinheiro ao fim do contrato. Como acontece no ato de contratar um serviço financeiro como este, os atletas vão fazer entrevistas com consultores para ter uma avaliação do perfil, o que vai definir a carteira de cada um. De acordo com Moreira, a carteira dos atletas será aberta, com a divulgação constante dos seus rendimentos, porém sem citar os valores envolvidos.

"Estamos mostrando a eles que se, aprenderem a poupar dinheiro com os instrumentos corretos, nesse tempo em que vivem as glórias do esporte, vão ter o equilíbrio financeiro ao término das suas carreiras. Assim, eles vão ter condição financeira para se arriscar num momento pós-carreira, como comentarista ou empreendedor", explica Moreira.

Para o judoca David Moura, da categoria acima de 100kg, este tipo incomum de patrocínio vem em boa hora por garantir seu foco total nos treinos, às vésperas da Olimpíada. "Vejo isso como uma terceirização de algo com o qual eu não gostaria de estar me desgastando agora. A gente vive um momento bom financeiramente. Pensando no futuro, sabemos que esse dinheiro não será uma realidade ao fim das competições. Ter um dinheiro investido e que gere uma renda dá uma tranquilidade muito boa", diz o peso-pesado.

"Muitas vezes os atletas são vistos pelas empresas como descartáveis e, após viverem seus momentos de fama e de vitórias, passam grandes dificuldades financeiras e de recolocação no mercado de trabalho", afirma Tiago Camilo, que foi uma das portas de entrada para o acerto entre a corretora e os atletas.

Camilo, um dos judocas mais experientes da seleção brasileira, da categoria até 90 kg, era amigo do sócio-diretor da Geração Futuro antes do vínculo de patrocínio. Chegaram a treinar juntos. Curiosamente, muitos sócios da empresa foram atletas. "O presidente do nosso grupo [Brasil Plural], Rodolfo Riechert, chegou a ser da seleção de basquete. Temos também um campeão brasileiro de remo, um atleta do atletismo, que corria os 100 metros", enumera Eduardo Moreira.

Do cinco judocas, três deles estão muito perto de assegurar a vaga olímpica, por terem boa colocação no ranking, sem rivais à altura em suas categorias na seleção: Charles Chibana (até 66kg), Mayra Aguiar (até 78kg) e Tiago Camilo. Já Luciano Corrêa (até 100kg) e David Moura ainda precisam superar compatriotas para assegurar a classificação.

A definição das vagas tem como principal critério o ranking olímpico. Mas a Confederação Brasileira de Judô já avisou que esta lista não será a única referência, pois vai ponderar outros fatores, como o momento atual de cada atleta na proximidade da Olimpíada, para apontar os classificados. Por ser sede dos Jogos Olímpicos, o Brasil tem garantido 14 judocas no Rio-2016, sendo sete nas categorias masculinas e sete nas femininas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.