Mario Ângelo/Sigmapress
Mario Ângelo/Sigmapress

Juiz contradiz ministro sobre líder de suposto grupo terrorista

'Não há uma organização bem definida', afirma Marcos Josegrei da Silva

Edson Fonseca, Especial para O Estado

21 de julho de 2016 | 22h30

O juiz da 14ª Vara Federal de Curitiba, Marcos Josegrei da Silva, responsável pela operação hashtag, que levou à prisão 10 suspeitos de terrorismo nesta quinta-feira, negou que o preso no Paraná seja o líder do grupo, como aventou o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes. 

Para o juiz, "é difícil falar em liderança, na medida em que não há uma organização bem definida. Eles compartilharam vídeos que circulam na internet ou em grupos fechados, elementos que foram usados como indícios para a acusação", explicou. Segundo o juiz, as investigações começaram em abril deste ano, já baseadas na nova legislação antiterror. Os suspeitos estão sendo investigados por "integrar o promover organização terrorista, e iniciar atos preparatórios tendentes à prática de terrorismo".

Para Josegrei da Silva, não é possível afirmar que havia um alvo delimitado, mas houve conversas no sentido de que os Jogos Olímpicos do Rio, que começam no dia 5 de agosto, seriam uma oportunidade de atentar contra países da coalizão que são inimigos do Estado Islâmico, embora o Brasil não seja um destes países.

Foram expedidos 14 mandados, 12 de prisão e dois de condução coercitiva em nome de Alisson Luan de Oliveira, Antonio Andrade dos Santos Junior, Daniel Freitas Baltazar, Hortencio Yoshitake, Israel Pedra Mesquita, Leandro França de Oliveira, Leonid El Kadre de Melo, Levi Ribeiro Fernandes de Jesus, Marco Mario Duarte, Mohamad Mounir Zakaria, Oziris Moris Lundi dos Santos Azevedo, Valdir Pereira da Rocha, Vitor Barbosa Magalhães e o menor M.B.S.

Outras ordens de prisão e de buscas estão sendo realizadas no Paraná, mas o juiz preferiu não adiantar mais dados para "não atrapalhar as investigações". Segundo Josegrei da Silva, os suspeitos têm entre 20 e 40 anos.

As prisões temporárias têm validade de 30 dias e podem ser prorrogadas conforme os resultados das investigações. "As prisões e buscas têm como finalidade tentar obter elementos que produzam uma confirmação. Nem tudo o que uma pessoa preconiza no mundo virtual necessariamente ela vai realizar no mundo real", afirma o juiz.

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.