Stephen Spillman/Ap Photo
Katie Ledecky é um fenômeno das piscinas Stephen Spillman/Ap Photo

KATIE LEDECKY: UM FENÔMENO DAS PISCINAS AOS 18 ANOS

Atleta norte-americana tem tudo para ocupar o lugar de Phelps na natação

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2016 | 07h01

Com apenas 18 anos, Katie Ledecky já tem um currículo esportivo de dar inveja a muito veterano. Sensação norte-americana das piscinas, ela tem tudo para ser o grande nome da natação nos Jogos Olímpicos. “Sem dúvida ela tem tudo o que precisa para ser o nome da natação nos Jogos do Rio. Com certeza vou parar para assistir suas provas”, avisa o brasileiro Bruno Fratus, especialista nas provas rápidas da natação e que já tem índice olímpico.

Morando nos Estados Unidos, onde treina, ele vê de perto o quanto Ledecky é boa. O atleta do Clube Pinheiros sabe que as façanhas da atleta estão apenas no início. A primeira da menina que começou a nadar com 6 anos, perto de casa, foi conquistar a medalha olímpica nos Jogos de Londres, em 2012, quando tinha apenas 15 anos. Na ocasião, assombrou o mundo com o lugar mais alto do pódio e com o tempo de 8min14s63 nos 800 metros livre, a segunda melhor marca da história.

Se o tempo era ótimo na época, foi sendo diminuído por Ledecky em 2013 e 2014, com novos recordes mundiais, e pulverizado recentemente no Mundial de Esportes Aquáticos de Kazan, no ano passado, quando ela marcou 8min07s39, baixando quase quatro segundos do seu melhor tempo. Na prova dos 800 m livre, a norte-americana é tão boa que não perde uma disputa desde que tinha 13 anos.

“Katie Ledecky é um daqueles fenômenos que aparecem uma vez a cada geração. Assim como Melissa Franklin, Michael Phelps, Ryan Lochte e Matt Biondi, entre outros, ela é o reflexo da potência que os Estados Unidos são nesse esporte e da capacidade que o país tem em produzir fenômenos aquáticos”, aponta Bruno Fratus.

Depois da Olimpíada, Ledecky continuou evoluindo e conquistou quatro ouros no Mundial de Barcelona. Só que dois anos depois, em Kazan, ganhou cinco ouros, se tornando a primeira mulher a ganhar quatro medalhas individuais no Mundial de Esportes Aquáticos e a primeira, entre homens e mulheres, a vencer todas as provas no nado livre de 200 metros em diante. “Nem nos meus melhores sonhos eu imaginei que pudesse conseguir isso”, disse.

Ela percorreu no total 6.150 metros na piscina e saiu da competição super premiada e candidata a ocupar o posto de Michael Phelps, maior medalhista olímpico da história. O nadador norte-americano reconhece o talento da amiga e não se cansa de elogiar o desempenho de Ledecky.

No ano passado, em uma competição em Mesa, no Arizona, os dois marcaram, coincidentemente, o mesmo tempo nas eliminatórias dos 400 metros livre: 4min02s67. Durante a entrevista, Phelps brincou com a amiga e perguntou se ela aceitaria um tira-teima para ver que era o melhor na disputa. “Assistir a ela nadando e memorável”, afirmou.

Claro que tudo não passou de uma brincadeira entre amigos, mas é certo que Ledecky consegue nadar mais rápido que muitos homens. Para se ter uma ideia, os tempos dela nos 400 metros e nos 1.500 metros livre são bons o suficiente para garanti-la na seletiva olímpica entre os homens.

“É natural vermos, de tempos em tempos, atletas mais jovens evoluindo e trazendo resultados inimagináveis até para atletas mais experientes, mas de fato pode-se dizer que ela está algumas gerações à frente das adversárias. Ela é fora de série e em vários países, a maioria diga-se de passagem, ela competiria facilmente de igual para igual com os homens”, comenta Fratus.

Uma das habilidades da nadadora é conseguir fazer tempos negativos em longas distâncias, ou seja, mesmo cansada por já ter nadado boa parte da prova, ela consegue muitas vezes fazer parciais melhores no final da disputa. O grande segredo está nas batidas de suas pernas, que imprimem uma velocidade grande à atleta.

O treinamento com o técnico Bruce Gemmell é pesado. Ela nada 8.000 metros a cada duas horas e meia de prática e geralmente faz de oito a nove treinos por semana. Por causa da determinação da garota, o treinador conseguiu fazer com que ela transformasse os 400 metros livre em uma prova de velocidade na natação.

A expectativa é que ela dispute sete eventos na Olimpíada do Rio, com chance de ouro em todas as provas. No momento que ela subir no bloco de partida do Estádio Aquático e der três palmas rápidas, com sempre faz antes das largadas, todos os olhos dos torcedores estarão nela.

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