Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Especialista no street, Kelvin Hoefler se empolga com Olimpíada

Skatista de 26 anos é candidato a conquistar medalha nos Jogos de Tóquio-2020 e vem se preparando para brilhar

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2019 | 04h30

Aos 26 anos, Kelvin Hoefler é um dos brasileiros cotado para subir ao pódio na estreia do skate nos Jogos Olímpicos, em Tóquio-2020. Ele é especialista no street, já foi hexacampeão mundial e conta que se preparou desde cedo para essa empreitada.

“Meu pai me botou na linha para eu ser um cara competitivo, disputar campeonatos. O skate sempre foi estilo de vida e hoje em dia está indo para uma direção que era o que a gente queria. Então estou acostumado. Agora é só continuar a caminhada que ele me botou”, diz.

Ele cresceu em Vicente de Carvalho, na periferia do Guarujá. Começou a andar de skate aos 9 anos, como brincadeira, na cozinha da casa dele. Passava pela sala e chegava na garagem, onde o pai improvisou uma rampinha e alguns obstáculos. “No começo era só diversão. Depois, com 13 anos, comecei a ganhar alguns eventos que valia dinheiro, motocicleta, carro, aí meu pai começou a ver que aquilo poderia dar futuro. A gente sentou, conversou, eu era muito fã de skate e disse para ele que queria isso da minha vida”, comenta.

O apoio em casa foi fundamental para o garoto ter sucesso numa modalidade que era bastante discriminada antigamente. “Meu pai saía do serviço dele, ele é policial militar, e me levava nas pistas de skate. Tinha muitas regras, ele era bem rígido comigo”, relembra. “Do lado de casa tinha uma escola que a gente andava de skate, e a gente pulava o muro para usar aquele chão liso da quadra. Onde morava não tinha estrutura, minha rua é de terra até hoje. Toda vez a polícia batia lá, aí dizia que meu pai era policial. Ele sempre me salvava.”

A partir do momento que o skate entrou no radar do programa olímpico, Kelvin tratou de se aperfeiçoar ainda mais, já prevendo que a novidade seria oficializada. Em 2014, por causa da dificuldade em praticar no Brasil dada a precariedade das pistas, ele pensou em se mudar para Los Angeles, nos Estados Unidos. “Vi que lá era o lugar ideal, com ruas lisas e a cada esquina tinha um skatepark perfeito. Sabia que era um local para eu evoluir na modalidade e chegar ao patamar dos americanos.”

Ele conheceu um pessoal e teve ajuda. Acabou alugando uma cozinha na casa de uma amiga, foi ganhando campeonatos, mais dinheiro, e conseguiu comprar sua própria casa. “No começo tem de dar a vida para conquistar alguma coisa. Agora estou mais estabilizado e até queria levar meus pais para morar comigo, mas eles não querem sair do Guarujá. Eles gostam da padaria que tem perto de casa, essas coisas. Não posso fazer nada. Mas eles sempre me visitam”, conta.

Com uma trajetória de sucesso, Kelvin se orgulha de ter se transformado em um atleta e agora espera colher os frutos em Tóquio. “O foco principal é a Olimpíada. Meu treino é diferente de quatro anos atrás, tem a parte de alimentação. Os formatos dos campeonato são diferentes, então às vezes fico treinando uma manobra apenas por duas ou três semanas porque premiam a ‘melhor manobra’. O meu ritmo mudou um pouco com isso”, argumenta.

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