Jone Roriz| Estadão
Jone Roriz| Estadão

Lento no início, Bolt atinge até 45 km/h

Pesquisadores tentam explicar o fenômeno jamaicano

Gonçalo Junior e Nathalia Garcia, enviados especiais ao Rio, O Estado de S.Paulo

14 Agosto 2016 | 05h00

Bolt tem um capítulo específico no estudo “Olimpíada e Metrologia”, criado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas da Universidade de São Paulo (IPT-USP) para decifrar a ciência e tecnologia por trás dos esportes olímpicos. Metrologia é ciência das medições. Está relacionada, por exemplo, ao tempo, distância, massa e velocidade. “Ela é fundamental para qualquer jogo, porque é a ciência que garante a veracidade dos resultados. É ela que também torna o esporte comparável em qualquer lugar do mundo”, explica Regis Renato Dias, pesquisador assistente do Centro de Metrologia Mecânica, Elétrica e de Fluídos do IPT e um dos autores do estudo. 

A partir da análise das provas que Bolt e seus rivais disputaram nos Jogos de Pequim e Londres, nas competições do ano passado e do Mundial de Berlim, no qual Bolt bateu o recorde mundial em 2009, os pesquisadores acreditam que ele deve alcançar o tri nos 100 m no Rio. “Se ele estiver recuperado de lesão, tem tudo para ser tricampeão”, explica Dias. 

A aposta maior dos pesquisadores, no entanto, é nos 200 m, prova que será disputada na semana que vem. Dias conta que, nessa prova, os diferenciais do jamaicano compensam seus pontos fracos com folga. Nos 100 m, a disputa é intensa. Vários fatores sustentam a conclusão. O primeiro é a amplitude da passada. A grosso modo, Bolt tem a perna mais comprida que os outros e, por isso, dá menos passos até a linha de chegada. O estudo do IPT mostra que a média da passada de Bolt é de 2,5 m. 

O biotipo de Bolt contribui para sua maior fragilidade: a aceleração no início da prova. Com 1,96 m de altura, ele não é propriamente um modelo de aerodinamismo. Para ganhar aceleração, ele precisa fazer mais força do que os outros atletas. 

Depois que Bolt acelera, ninguém mais o segurou nos últimos Jogos. Ele atinge uma velocidade maior que os oponentes (45 km/h contra 43 km/h, de acordo com o estudo). Além disso, mantém a velocidade enquanto os demais desaceleram. “A partir dos 40 m, ele consegue sustentar essa velocidade até o final da prova”, diz o pesquisador.

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