Satiro Sodré/SSPress
Satiro Sodré/SSPress

Lesão no Mundial deixa futuro do nadador Cesar Cielo incerto

Atleta pode ter preparação para Olimpíada do Rio comprometida

Nathalia Garcia e Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

06 Agosto 2015 | 06h00

O corte de Cesar Cielo do Mundial de Esportes Aquáticos na Rússia coloca em dúvida sua participação nos Jogos do Rio em 2016. Por ordem médica, Cielo não disputará mais o torneio em Kazan - entraria em ação novamente na sexta-feira, a partir das 3h30 (horário de Brasília), para os 50 metros livre, mesma prova de Bruno Fratus.

Segundo o médico da equipe, Gustavo Magliocca, o atleta se queixou de dor no ombro esquerdo, que nos exames físicos iniciais apontavam para uma lesão no tendão supra espinhal. O problema se agravou e ficou decidido que ele seria cortado.

“Essa lesão foi evoluindo à medida que ele nadava. Ontem (terça-feira) tivemos 24 horas de repouso e pudemos observar melhor a evolução da lesão. Optamos em fazer um ultrassom do ombro que mostrou que o processo inflamatório era maior e um pouquinho mais avançado do que a gente imaginava, acrescentando outros diagnósticos à hipótese inicial médica. Considerando o estado físico dele, o pouco tempo que tínhamos aqui e, principalmente, o foco nos Jogos Olímpicos Rio 2016, optamos pelo corte neste momento para preservá-lo e iniciar o mais rápido possível a reabilitação desse ombro”, explicou em nota da CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos).

Cielo vinha sentindo as dores no ombro há mais de um mês. Antes, já havia optado por não disputar os Jogos Pan-Americanos de Toronto, para se concentrar apenas no Mundial. Fez sua preparação na Holanda enquanto os outros nadadores da seleção brasileira fizeram a aclimatação em Portugal. Em sua primeira disputa em Kazan, nos 50 m borboleta, ficou na sexta colocação. Também não participou do revezamento 4 x 100 m livre, que garantiu a vaga olímpica para o País. Chateado pelo corte, o atleta preferiu não ficar na Rússia e deixou na quarta-feira a Europa em direção ao Brasil.

“É duro sair do Mundial assim a um ano da Olimpíada. Mas se tem problema, melhor que seja agora. A expectativa é que ele melhore e esteja competitivo no ano que vem”, afirmou o ex-nadador Gustavo Borges.

Na chegada ao Brasil, Cielo passará por novos exames para saber a gravidade da lesão. Se a inflamação diminuir, ele terá de fazer repouso, usará medicamentos e vai esperar que o quadro se reverta. Caso tenha de ser submetido a uma cirurgia, a situação fica mais complicada. O prazo de recuperação pode levar até oito meses, o que deixaria Cielo com uma margem pequena para conseguir o índice olímpico. 

Os atletas brasileiros vão tentar a vaga nos Jogos do Rio em duas oportunidades: no Open de Natação (dezembro) ou no Troféu Maria Lenk (abril). Assim, sua recuperação precisa ser feita antes de uma competição que garante vaga nos Jogos.

O nadador Henrique Rodrigues teve lesão parecida com a de Cielo e passou por cirurgia. Ele vinha sentindo dores desde 2011 e em janeiro de 2014 foi operado. “Foi um período muito difícil na minha vida. Não desejo para ninguém ter uma cirurgia de ombro”, contou Henrique, ao ganhar o ouro nos 200 m medley no Pan de Toronto.

Nos dois primeiros meses, ele fazia duas sessões de fisioterapia por dia. Sua primeira competição após a cirurgia foi no Troféu José Finkel, em setembro de 2014 - ou seja, foram oito longos meses de espera para competir. Henrique contabiliza seis meses na sua fase de recuperação e sabe que voltou melhor do que antes, e sem dores, o que é o principal.

Cielo terá de lidar com a lesão no ombro esquerdo e torce para que não seja nada grave. Caso precise ser submetido a uma intervenção cirúrgica, aí terá de se superar mais uma vez e mostrar por que é campeão olímpico e atual recordista mundial dos 50 m e 100 m livres.

ESPECIALISTA

Dr. Eduardo Palmieris, cirurgião de ombro da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Ombro e Cotovelo

Qual é o tempo de recuperação de uma lesão no tendão supra espinhal de um atleta de alto rendimento?

Depende do grau da lesão. Se for uma lesão parcial desse tendão, que faz parte do manguito rotador, o tratamento pode ficar na reabilitação com fisioterapia. No caso de lesões maiores, ditas completas, existe a necessidade de reparo cirúrgico, principalmente nos casos mais graves (acima de 0,5 cm de ruptura do tendão). Após a cirurgia é necessário um pós-operatório com repouso do membro, iniciando a fisioterapia para mobilidade e fortalecimento. Em determinados casos, o atleta volta às atividades físicas entre o 6.º e 8.º mês.

Então Cielo não ficará fora da Olimpíada?

Se ele tiver uma lesão mais grave, que precise de cirurgia, ele terá de percorrer um longo caminho em sua recuperação para ir aos Jogos.

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