'Lições foram aprendidas desde 2004', garante COI

Estimular cidades-sede a realizar planos para o legado das instalações olímpicas é uma preocupação

Jamil Chade - Enviado Especial / Atenas, O Estado de S. Paulo

26 Fevereiro 2017 | 07h00

Para especialistas e economistas, Atenas pode ser uma dura mensagem ao Rio caso a cidade não estabeleça plano para usar de forma sustentável as instalações esportivas dos Jogos. "Se o Rio não encontrar forma correta de administrar os locais de provas da Olimpíada, os cariocas podem ter o mesmo destino de Atenas", alertou Jules Boykoff, professor da Pacific University, em Oregon, nos EUA. 

O ex-jogador de futebol da seleção olímpica americana é hoje um dos principais especialistas em temas relacionados ao legado de megaeventos. Mas alerta que, "os Jogos do século 21 mostram uma diferença entre o que são as promessas dos livros de candidaturas das cidades e a realidade depois que o evento deixa o local." "O Rio é o último capítulo de um esquema triste desenhado pelo COI", acusa. "O que se deixou no Rio é algo abominável. Tanto os organizadores quanto o COI deveriam mostrar algum sinal de responsabilidade."

Andrew Zimbalist, do Departamento de Economia do Smith College nos EUA, pensa parecido. "As ruínas olímpicas de Atenas são um testemunho da irracionalidade e do desperdício ao sediar os Jogos numa cidade que não possui infraestrutura esportiva, transporte e comunicação."

O COI admitiu que "lições foram aprendidas desde 2004 e o planejamento do legado se transformou em parte fundamental do processo de candidatura e preparação dos Jogos." 

Em comunicado ao Estado, o COI afirma que "sistematicamente encoraja cidades e autoridades a desenvolver planos de legado para todas as instalações olímpicos para garantir que os Jogos beneficiem o país e seu povo, bem depois que o evento tenha terminado. Em Londres, todas as instalações tinham um legado definido, mesmo antes de serem construídas."

A entidade reconhece que o legado de Atenas "poderia ter sido melhor planejado." Mas insiste para o fato de que pontos positivos podem ser vistos no transporte, urbanismo, ambiente e educação da cidade grega.

Na avaliação da Fundação para a Pesquisa Econômica e Industrial, da Grécia, "os atrasos substanciais nas concessões e o abandono de algumas das instalações deram espaço para a percepção de que Atenas não gerou benefícios ao país". Os números da entidade, porém, revelam que os Jogos permitiram crescimento do PIB da Grécia de 2,5% ao longo de uma década. Segundo ainda outro levantamento, 20% do dinheiro gasto para preparar Atenas-2004 foi desperdiçado em obras que hoje não servem sequer para a recreação popular.

 

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