Livro acusa China de fazer acordo com Al-Qaeda para os Jogos

'O serviço secreto chinês', do francês Roger Faligot, diz que autoridades selaram a 'paz' com o grupo terrorista

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

25 de fevereiro de 2008 | 16h46

Um livro que acaba de ser lançado na Europa abre uma nova polêmica sobre os Jogos Olímpicos de Pequim. Segundo a obra do jornalista francês Roger Faligot, o governo chinês teria negociado um "acordo de paz" com o grupo terrorista Al-Qaeda para que nenhum atentado seja cometido durante os jogos. Os chineses estão sendo criticados por violações aos direitos humanos e uma série de entidades pede um boicote contra as Olimpíadas. Agora, em seu livro "O serviço secreto chinês", Faligot aponta para um entendimento que promete ser polêmico se for confirmado. Segundo o livro, as relações do governo chinês com os movimentos islâmicos são antigas. Em 1979, Pequim enviou armas para que o Afeganistão pudesse resistir à invasão soviética. Hoje, as relações secretas com o Taleban ainda seriam "cordiais". No Paquistão, a embaixada chinesa conta com um representante militar responsável por lidar com esses movimentos. Trata-se de Kong Jining, nada mais nada menos que o neto de Mao Tsé-tung. Para o jornalista francês, isso revela a importância que Pequim dá para a região. Segundo o livro, as primeiras negociações em relação aos Jogos Olímpicos teriam ocorrido em 2006, quando Pequim entrou em diálogo com o grupo Al-Qaeda para evitar as mortes freqüentes de trabalhadores chinesas em obras no Paquistão e Afeganistão. Segundo a obra, baseada em arquivos de diferentes serviços de inteligência, as negociações ocorreram em província paquistanesa e acabaram em um acordo de que os eventos em Pequim não seriam alvo de atentados. O "Guoanbu", espécie de CIA chinesa e que contaria com 2 milhões de espiões e funcionários, não está economizando recursos para evitar problemas com os Jogos. Para as Olimpíadas, o serviço secreto criou um departamento especial que irá contar com um orçamento de US$ 1,3 bilhão para garantir a segurança, além de acompanhar atos considerados como ameaçadores por jornalistas, atletas e autoridades estrangeiras. Internamente, os chineses querem evitar que opositores ao regime aproveitem os Jogos para promover manifestações contra o governo, como a que ocorreu na praça Tian'anmen, em 1989, ou mesmo ataques por parte dos tibetanos ou pela minoria muçulmana ouigours.

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