Gaspar Nóbrega / COB
Gaspar Nóbrega / COB

Lucarelli se torna referência do forte time brasileiro no vôlei masculino

'Estágio’ em Londres-2012 ajudou jogador, campeão no Rio-2016, a amadurecer na seleção

Paulo Favero / Enviado especial a Tóquio, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2021 | 05h00
Atualizado 03 de agosto de 2021 | 14h12

A seleção masculina de vôlei, que briga pela quarta medalha de ouro em Jogos Olímpicos, o segundo consecutivo, enfrenta a Rússia na próxima quinta à 1h da manhã (horário de Brasília) e aposta na experiência de Lucarelli para superar os rivais e chegar à final. O jogador, que atua como ponta na equipe do técnico Renal Dal Zotto, vive ótimo momento, tem no currículo o ouro nos Jogos do Rio-2016, e ainda teve uma chance quatro anos antes que poucos atletas conseguem.

Na Olimpíada de Londres, em 2012, ele tinha apenas 20 anos e viajou com o grupo brasileiro para a Inglaterra dentro de um programa do Comitê Olímpico do Brasil (COB) de vivência olímpica. Lá, ele não jogou, mas conviveu com grandes estrelas do esporte e viu seus ídolos perderem a final para a Rússia, ficando com a prata. Pode-se dizer que a ida aos Jogos de Londres foi uma espécie de estágio na carreira de Lucarelli.

“A única lembrança triste que tenho de lá foi a derrota na final. São coisas do esporte, que infelizmente aconteceram com a gente. Mas, de resto, foi tudo sensacional. Os caras que me fizeram apaixonar pelo vôlei, de quem sempre fui fã, estavam lá. Eu me espelhava muito nos jogadores que estavam ali e foi um prazer enorme ter essa convivência. Eles mereciam muito aquele título”, disse.

Aquele grupo tinha jogadores como Murilo Endres, Giba, Ricardinho, Leandro Vissotto, Dante e o líbero Serginho, entre outros. Da atual seleção, o levantador Bruninho, o central Lucão e o oposto Wallace também faziam parte daquele time que levou uma virada histórica na decisão.

Por todas as situações que passou com aquele grupo, Lucarelli ressalta a importância do programa Vivência Olímpica como um aprendizado importante em sua carreira. “Foi muito legal para mim. Deu para entender o que é uma Olimpíada, o quão grande é. Depois daquele ciclo, dei o máximo para jogar a Olimpíada que foi no Brasil e tive sorte de conseguir a vaga no time”, afirmou Lucarelli.

Nesta edição da Olimpíada, o Vivência Olímpica acabou não ocorrendo por causa da pandemia de covid-19. Atletas que poderiam ter a mesma experiência de Lucarelli perderam a chance de sentir o clima dos Jogos antes da hora. Mas tudo indica que para Paris-2024 a situação já volte ao normal.

Nos Jogos do Rio, Lucarelli foi campeão o junto com o time que era comandado por Bernardinho. A vivência de anos antes ajudou na sua formação. “O que sempre levo como aprendizado é a importância do trabalho. A galera corre atrás e todos continuam em um nível extremamente alto. Então só trabalhando para ser merecedor”, explica.

O Brasil estreou nos Jogos de Tóquio ganhando da Tunísia por 3 a 0. Depois veio vitória contra Argentina (3 a 2), derrota para a Rússia (0 a 3),  e triunfos sobre EUA (3 a 1) e França (3 a 2), antes de passar pelo Japão (3 a 0) nas quartas de final. “Acho que o favoritismo nesta Olimpíada está bem dividido”, comenta Lucarelli, que espera repetir a dose da última edição no Japão.

“São muitas equipes que têm claras chances de chegar até a final. O Brasil tem chance de estar nesse grupo, mas acredito que muitas outras equipes também têm a possibilidade de chegar longe. Vejo com força a Rússia, a Polônia, a França, os Estados Unidos, que são sempre uma equipe que chega longe, e a Itália, entre outras”, diz.

EQUIPE POTENTE

A força do Brasil nos Jogos de Tóquio não está apenas em Lucarelli. A seleção conta com o talento do levantador Bruninho, que tem experiência para armar as jogadas de ataque da seleção. Outro fator decisivo é o ponteiro Leal, que nasceu em Cuba, mas se naturalizou brasileiro e está disputando sua primeira Olimpíada. E o oposto Wallace vem se destacando na temporada.

Todos participaram da boa campanha da equipe na Liga das Nações. O Brasil venceu a Polônia na finalíssima. Até por isso, pode ser colocado como uma das principais forças nesta edição da Olimpíada e um dos favoritos a ficar com o ouro.

Atuando no vôlei italiano, Lucarelli também entende que a França vai dar trabalho, e dará ainda mais no próximo ciclo olímpico, quanto atuará em casa em Paris-2024 e será comandada pelo brasileiro Bernardinho. “O time atual da França é muito bom e, conhecendo o Bernardo, eles vão evoluir bastante. Infelizmente ele vai agregar muito para a seleção francesa.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.