Lucas e Moisés levam para campo o sonho dos Duque

Quando Mateus, o irmão mais velho dos craques da seleção brasileira, conheceu o esporte, contaminou toda a família

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

23 de abril de 2016 | 17h00

Os irmãos Lucas e Moisés Duque começaram a mostrar talento no rúgbi em São José dos Campos, no interior de São Paulo. Tudo começou quando o irmão mais velho Mateus foi, a convite de um amigo, conhecer a modalidade. Logo se apaixonou e contaminou toda a família com a novidade.

Tanto que Lucas, o irmão do meio, que está agora com 31 anos, entrou de cabeça no esporte. “Quando comecei, a realidade era outra, tínhamos até que pagar o próprio uniforme. Mas por sorte pude pegar essa fase de transição e fico honrado de jogar com a nova geração”, afirma o atleta, que é capitão da seleção de sevens, a modalidade olímpica do rúgbi.

Logo que passou a jogar, ganhou o apelido de Tanque. “Era um pouco gordinho, mas corria bem, aí o técnico passou a me chamar assim”, lembra. Por muitos anos foi considerado o melhor jogador do País e soube se adaptar à nova realidade de atletas jovens, fortes e talentosos. “Estou tendo de olhar bastante para o meu físico”, conta.

Anos atrás, ainda conseguia conciliar as partidas com a faculdade de medicina no Rio. Chegou até a trabalhar na área de medicina hiperbárica e do trabalho, mas adiou o sonho de se especializar em ortopedia para disputar a Olimpíada em alto nível. “É o sonho de qualquer atleta”, garante.

Seu irmão Moisés, de 27 anos, também adiou o projeto de ser engenheiro florestal pelo sonho do rúgbi. “Eu projetei minha carreira e sei que até 2019 terei os melhores anos como jogador, pois estarei em plena forma física e experiente”, diz o rapaz, que chegou a jogar na França, onde evoluiu bastante.

Foi a partir dali que ele conseguiu sair da sombra do irmão e mostrar todo seu potencial. “No começo, por ser mais novo, sempre fui muito próximo a ele, mas com o tempo passamos a jogar em posições diferentes. Depois, adquiri experiência na Europa. Sei que estamos em lugares diferentes do campo, mas pensamos da mesma maneira.”

Moisés também está na equipe olímpica e sabe que pode ajudar o Brasil a lutar por bons resultados, apesar de que a seleção masculina é zebra na competição. “É um ano especial, uma oportunidade sublime, mas a Olimpíada não é tudo. O mais importante são os passos que estamos dando e os Jogos serão a cereja no bolo”, afirma.

Habilidoso com os pés, Moisés foi o responsável por garantir ao Brasil neste ano a primeira vitória da história sobre os Estados Unidos, com um chute de longe, bem difícil, mas que entrou em cheio e garantiu o resultado expressivo para os Tupis. “O chute do rúgbi é completamente diferente do futebol, pois é preciso acertar a bola oval no ponto certo.”

Ele aprendeu a chutar a bola de rúgbi aos 13 anos, quando estava no infantil, e foi tomando gosto pela coisa. “Cada um tem seu jeito de bater na bola. Chutar bem é um passo a mais para ganhar uma partida”, garante.

Em casa, Moisés e Lucas sempre tiveram grande sincronia e tentam levar isso para o campo. São irmãos que vão tentar levar o rúgbi a um outro patamar no Brasil. “Temos um entrosamento em casa e no campo. Sempre praticamos esportes juntos e acho que é bem mais fácil jogar com ele por perto. Quando olho, já sei o que ele vai fazer”, conclui Tanque.

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