Fábio Motta/Estadão
Organizadores dos Jogos do Rio estão confiantes de que as instalações serão entregues no prazo Fábio Motta/Estadão

MAIORIA DAS OBRAS ESPORTIVAS ESTÁ NO PRAZO, MAS HÁ DÚVIDAS

Poluição da Baía de Guanabara e local dos jogos de polo aquático preocupam

Ronald Lincoln Jr., O Estado de S. Paulo

05 de agosto de 2015 | 05h00

Instalações esportivas que receberão as competições da Olimpíada de 2016 estão em fase avançada de construção e já podem ser vistas, sobretudo na zona oeste da cidade, nas regiões da Barra da Tijuca e Deodoro. A um ano do início do torneio, e diferentemente do que ocorreu na Copa de 2014, os organizadores dos Jogos do Rio estão confiantes de que os estádios e demais equipamentos serão entregues no prazo, dado o adiantamento das obras.

A situação, porém, não é tão simples, pois alguns esportes ainda não têm local de competição definido, e a despoluição da Baía de Guanabara continua em ritmo bastante lento. 

Em dificuldades financeiras, o governo do Estado do Rio não pôde arcar com os R$ 60 milhões necessários à reforma do parque aquático Julio Delamare, no complexo esportivo do Maracanã (zona norte), que receberia as provas preliminares do polo aquático.

Até o momento o comitê organizador Rio-2016 não definiu onde as partidas do polo serão realizadas. É provável que ocorra a transferência para o Parque Olímpico da Barra, o que demandaria a construção de uma nova piscina, cujo orçamento estimado é de R$ 30 milhões.

O Comitê Rio-2016 terá de custear a adequação de uma quadra de aquecimento já existente e a construção de outra, provisória, no ginásio do Maracanãzinho, que receberá as disputas do vôlei. O governo fluminense também descartou reformar o Maracanã, palco das cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos. O estádio será entregue da forma que está.

Outro ponto que tem gerado polêmica é a reforma do Engenhão, na zona norte. Construído para o Pan-2007, o estádio teve problemas estruturais na cobertura no início de 2014. Desde então passa por obras que deveriam ter terminado no fim de julho. Um novo prazo ainda não foi dado pela prefeitura. 

Depois da reestruturação da cobertura, haverá a adequação do estádio à disputa do atletismo e ao torneio de futebol. “Nosso estádio olímpico tem áreas disponíveis muito menores que Pequim (sede dos Jogos de 2008). Isso demanda negociação com a federação internacional”, disse Rodrigo Garcia, diretor de esportes do Rio-2016. “Vamos cumprir os requerimentos básicos, mas eles sempre querem áreas a mais.”

Garcia é responsável por negociar com as federações internacionais os projetos técnicos e esportivos dos Jogos Olímpicos que, segundo ele, demandam grandes esforços políticos, como no caso do Engenhão. 

O dirigente cita como exemplos de economia a transferência do campo de hóquei da Barra da Tijuca para Deodoro e a reutilização do campo de pentatlo moderno para a disputa do rúgbi. “Temos de analisar o cenário. O Brasil em 2009 era estável, em ascensão, e hoje há uma outra situação econômica no País”, observou. 

Já se sabe que a Baía de Guanabara não terá o nível de tratamento de esgoto de 80%, conforme prometido durante a candidatura olímpica. O próprio governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) já admitiu que a meta não será alcançada.

No mês passado, as águas onde ocorrerão as provas de vela passaram a receber embarcações para a retirada de resíduos sólidos flutuantes. Mas obras importantes de saneamento, como a ampliação da estação de tratamento de Alegria (zona norte), e a reforma da Marina da Glória (zona sul), não estão prontas.

Há um ano, a capacidade de tratamento de esgoto despejado na Baía de Guanabara era de 41%. Hoje, alcança apenas 49%. Otimista, Pezão espera que daqui a um ano chegue a 65%.

A Vila Olímpica (Barra da Tijuca) já está 85% pronta, informam os responsáveis pelas obras, conduzidas por uma empresa privada. É provável que os apartamentos sejam liberados para os organizadores dos Jogos antes do prazo inicial, março de 2016. “Estamos seguindo o cronograma previsto, com a possibilidade de entregar antes”, disse Maurício Cruz, diretor do empreendimento. 

O local ainda não tem uma aparência olímpica, apenas de construção imobiliária comum. Por enquanto, as únicas especificações feitas para os atletas são a altura dos chuveiros, a largura das portas e corredores, o tamanho dos elevadores e banheiros conforme a necessidade dos cadeirantes paralímpicos.

Fotografias aéreas feitas pelo Estado mostram grande evolução dos equipamentos olímpicos no Complexo de Deodoro, que anteriormente eram motivo de preocupação do Comitê Olímpico Internacional (COI), assim como o Velódromo, no Parque Olímpico da Barra, que deve ser entregue no último trimestre deste ano, segundo a Prefeitura do Rio. 

Até o momento, as instalações olímpicas estão orçadas em R$ 6,6 bilhões, valor que deve aumentar após a divulgação da versão atualizada da matriz de responsabilidades, prevista para ser feita neste mês, por causa da inclusão de projetos que não estavam no documento anterior. A primeira versão da matriz apontava gastos menores, de R$ 5,64 bilhões.

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A um ano da Olimpíada do Rio, passageiro sofre com lotação e acidentes

BRTs e expansão do metrô apresentam falhas em horários de pico

Clarissa Thomé e Everton Oliveira, O Estado de S. Paulo

05 de agosto de 2015 | 05h00

Os corredores expressos de ônibus, os chamados BRTs, e a expansão da linha 4 do metrô são as grandes promessas de legado da Olimpíada para a cidade. Mas, a um ano dos Jogos, os passageiros que utilizam as vias Transcarioca e Transoeste, ambas já em operação, sofrem com veículos lotados, trânsito nas transversais dos corredores e histórico de acidentes. Só neste ano foram registrados 65 acidentes por avanço de sinal e conversão irregular de veículos que invadem a pista exclusiva. Ano passado, foram 61. 

A expansão do metrô para a Barra da Tijuca está dentro do cronograma. No entanto, a estação Gávea, uma das previstas inicialmente, foi retirada do projeto. Só será concluída depois da Olimpíada. 

“Eu tinha expectativa de um legado muito maior”, diz o engenheiro de transportes Fernando MacDowell, professor da PUC-Rio. “O BRT não deixa de ser um ponto positivo. No meio da tarde, é um barato, as pessoas todas sentadas, vem um ônibus atrás do outro. Mas na hora do rush, esquece.”

O espectador dos Jogos deve escapar desse tipo de problema porque a prefeitura vai decretar feriados e férias escolares e negociar folgas coletivas com empresas. “Não se resolve transporte decretando feriado, que é um prejuízo enorme para o comércio. Tem de resolver com engenharia de tráfego, com sinalização inteligente”, defende. 

O secretário municipal de Transportes do Rio, Leonardo Picciani, diz que os ajustes são naturais. “O Rio vive situação interessante porque terá um legado que a população já vem desfrutando. A grande mudança na qualidade de vida trouxe mais passageiros. O projeto do BRT está em ampliação. Com a Transolímpica será possível remanejar ônibus nos horários de mais movimento do Rio.”

Para o economista Vitor Mihessen, da ONG Casa Fluminense, as obras de mobilidade não contemplam as regiões mais adensadas do Rio. “Perdeu-se a chance de redistribuir as oportunidades”, critica. “Barra e Jacarepaguá são as regiões de maior crescimento populacional e atividade econômica. O metrô não beneficia apenas o morador da Barra, mas todas as pessoas que circulam ali. A linha 4 estará interligada aos BRTs, e também a linha 1 e 2 com trens suburbanos.” 

O metrô concentra o maior investimento (R$ 8,9 bilhões) e é tocado por consórcio que inclui empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato, como Queiroz Galvão, Odebrecht e Carioca Engenharia. "Não há riscos para a execução das obras. A Lava Jato já vai para 500 dias de operação, e o cronograma está em dia. Os recursos são assegurados pelo BNDES”, afirmou o secretário de Estado de Transportes, Carlos Osório. 

Além do BRT e do metrô, as obras de mobilidade incluem a interligação por Veículo Leve sobre Trilhos, entre Rodoviária Novo Rio, Aeroporto Santos Dumont, Central do Brasil e estação das barcas, na região do Centro. É a mais atrasada: apenas um terço está concluído a um ano da Olimpíada. O projeto inicial falava de seis linhas e 42 estações. A prefeitura agora diz que serão “dois eixos principais” e dez paradas a menos.

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