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Maratonistas encerram participação brasileira no atletismo no último dia de Jogos Paralímpicos

Brasil tem a chance de alcançar a campanha dos Jogos do Rio em número de medalhas

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2021 | 15h24

As provas da maratona marcam o último dia dos Jogos Paralímpicos de TóquioAlex Pires, Edilene Teixeira, Edneusa Santos, Yeltsin Jacques e Vanessa Cristina são os brasileiros que vão representar o País na mais longa e desgastante prova do atletismo. Edneusa e Edilene disputam a corrida na classe T12 (pare deficientes visuais), a mesma de Yeltsin. Alex corre na classe T46 (para atletas com deficiência nos membros superiores) e Vanessa vai disputar a maratona na classe T54 (para atletas que competem em cadeiras de rodas). As provas começam a partir das 18h30 (de Brasília) deste sábado.

Se um dos corredores conseguir chegar entre os três primeiros, a campanha de Tóquio alcançará a dos Jogos do Rio de Janeiro em número de medalhas. O Brasil finalizou o penúltimo dia de competição com um total de 71 medalhas, sendo 22 ouros, 19 pratas e 30 bronzes. Em casa, os atletas brasileiro subiram ao pódio 72 vezes. 

Uma delas foi justamente Edneusa Santos, que conquistou o bronze e se tornou a primeira atleta do Brasil a ser medalhista paralímpica na prova da maratona. Prata no Mundial de Dubai em 2019, a baiana, que nasceu em Salvador e que possui baixa visão em razão de uma rubéola que sua mãe adquiriu durante a gravidez, é uma forte candidata a uma medalha no Japão.

Aolado de Edneusa estará Edilene Teixeira, que começou no esporte em 2017 porque queria perder peso. A catarinense, que nasceu em Jaguaruna, foi diagnosticada com retinose pigmentar, uma doença que foi lhe tirando a visão gradativamente durante a vida. Há dois anos, Edilene passou a frequentar as maratonas e conseguiu a chance de disputar a prova em Tóquio. Essa é a sua primeira Paralimpíada.

Diferente do caso de Alex Pires. Com 31 anos e a experiência de já ter participado das principais competições internacionais, como Paralimpíada de 2016 e campeonatos mundiais, Alex afirma que está tranquilo e focado para conseguir a sua almejada medalha paralímpica. “Tenho lidado bem com isso, pelo fato de já ter participado de vários campeonatos mundiais e também dos Jogos do Rio, em 2016. Assim, não fico muito ansioso e foco bem nos treinamentos. Nesta semana, baixamos a carga de treino para que eu possa chegar o mais descansado possível, poder desempenhar nossa melhor corrida e ter um resultado satisfatório para mim e também para o Brasil.”

Com oito anos de idade, Alex Pires descobriu que possuía um encurtamento no braço esquerdo e que poderia perder o movimento caso fizesse uma cirurgia. Passou a praticar o atletismo em 2007, aos 18 anos. Por quase dez anos, competia nas provas de fundo e meio-fundo de pista, que lhe renderam as pratas nas provas de 1.500m no Mundial de Doha, em 2015, e nos 1.500m e 5.000m no Mundial de Lyon, em 2013.  Começou a correr as maratonas com mais frequência a partir de 2016. Um ano depois, já no ciclo de preparação para Tóquio , Alex chegou a conquistar a medalha de ouro no Mundial de Londres, em 2017.

Yeltsin Jacques terá a chance de conquistar o terceiro ouro em Tóquio, depois de ter vencido as provas de 1.500m e 5.000m, ambas pela classe T11 (deficientes visuais). Vanessa Cristina chega motivada com os ouros que conquistou na Maratona Internacional dos Estados Unidos e na Maratona Internacional da Espanha, as duas em 2020; e ouro na Maratona Internacional de São Paulo, realizada em 2019. 

A Prova

Com o início agendado para às 6h30 no Japão, os competidores esperam enfrentar um forte calor enquanto correm os 41,125 quilômetros da prova. Para conseguir suportar as condições climáticas, Alex Pires, que ficou com sétimo melhor tempo na Paralimpíada do Rio de Janeiro, acredita que a melhor estratégia é se manter entre os primeiros durante a corrida e apertar nos quilômetros finais da prova.

“Acredito que a melhor estratégia é ser mais conservador, estar no grupo da frente, mas não ser agressivo. Com isso, tentar me sobressair nos metros finais, principalmente depois do quilômetro 35, que é quando o atleta Com isso, tentar me sobressair nos metros finais, principalmente depois do quilômetro 35, que é quando o atleta que vence a prova acaba se sobressaindo dos demais. Essa é a melhor estratégia”, disse o atleta.

A estratégia de Pires vai ser aplicada, justamente, no trecho mais desafiador da maratona. Apesar do trajeto ser predominantemente de trechos planos, os atletas vão precisar encarar uma subida de, aproximadamente, três quilômetros a partir dos últimos 5 mil metros. A prova começa e se encerra no Estádio Nacional de Tóquio. "Pela altimetria, nem aparenta ser tão forte, mas vai minando a resistência. Por isso temos que tomar bastante cuidado com a questão do calor, para que quando chegar neste trecho você ainda tenha perna para fazer força e subir bem e tentar vencer a prova”, avalia o brasileiro.

Se terminar a prova entre os três primeiros, será a quarta vez que um atleta brasileiro subirá ao pódio na maratona paralímpica masculina. Antes de Alex Pires, Tito Sena conquistou o ouro em 2012, nos Jogos de Londres, e a prata, em Pequim, em 2008. O primeiro atleta brasileiro a conseguir uma medalha foi Carlos Roberto Sestrem, que foi bronze nos Jogos Paralímpicos de Seul, em 1988. 

Em 2016, nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, a única brasileira a “medalhar” na maratona foi a baiana Edneusa, que terminou a prova na terceira colocação.

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