Divulgação
Divulgação

Marcelo Melo diz que Djokovic está ansioso por Olimpíada no Brasil

Para brasileiro, astros jogarão mesmo sem pontuar no ranking

PAULO FAVERO, O Estado de S. Paulo

24 de novembro de 2015 | 12h06

De volta ao Brasil depois de uma temporada espetacular, o tenista Marcelo Melo já começa a pensar na Olimpíada e nos preparativos para o torneio que ele considera sua prioridade em 2016. Ele revela que os principais atletas do circuito também só falam disso. "A cada três quatro dias, sem exagerar, o Djokovic, o Wawrinka, eles vêm me perguntar como estão as quadras, se já estão prontas. Prioridade não é só minha", diz.

A amizade com Djokovic, número um do mundo em simples, também chamou a atenção nas últimas semanas, quando o sérvio postou nas redes sociais parabenizando Melo. "Eu fiquei muito próximo dele quando ganhei em Estoril com o André Sá, em 2007. A gente troca mensagens, se fala. Ele veio falar comigo em Paris quando me tornei líder do ranking, ficou extremamente feliz. Ele ficou surpreso por tirar a hegemonia dos [irmãos Bob e Mike] Bryan. Às vezes treinamos juntos também", conta.

Melo revela que os jogadores perguntam o tempo todo sobre a Olimpíada, mas nenhum demonstra preocupação com algum aspecto, como preparação ou segurança. "O Ivan Dodig ficou surpreso com o carinho que recebeu das pessoas aqui na Copa Davis. Ele foi aplaudido pelas pessoas e isso acaba chegando nas outras pessoas. Nas conversas, ninguém fala de segurança ou onde a família pode ir. Só ouço comentários do que pode fazer, onde ir jantar, onde ficar. Isso mostra que às vezes a gente cria muita coisa que não existe", afirma.

O tenista lembra ainda que a decisão de retirar dos Jogos Olímpicos a pontuação para o ranking mundial não deve alterar o panorama e tirar do evento os grandes astros. "Alguns jogadores podem até deixar de disputar a Olimpíada por causa dos pontos, mas essa é a última coisa que eu pensaria. Pontuação a mais ou menos não vai decidir se eu vou para a Olimpíada. É um evento incrível. Não imagino que as pessoas fiquem bravas com isso. Seria pensar muito pequeno não disputar a Olimpíada por causa dos pontos."

Melo vem de uma maratona pesada que culminou na sua eliminação na semifinal da duplas do ATP Finals, no último fim de semana. "Eu venho fazendo calendário extenso, não sei como vou manejar isso. Eu não tive oportunidade de conhecer o Centro Olímpico no Rio, agora vou para a Ásia numa competição que termina em 21 de dezembro, e viajo dia 6 de janeiro para fazer a preparação para o Aberto da Austrália."

Na Olimpíada do Rio, ele jogará ao lado de Bruno Soares, amigo de infância e com quem já teve dupla fixa no circuito, mas explicou que vai manter a parceira com Ivan Dodig na temporada internacional e disputar com ele os principais torneios. Por isso, a dupla com Soares ficará para eventos menores e para torneios em datas próximas da Olimpíada. "Eu e o Bruno ainda não decidimos em quais torneios vamos jogar juntos. Temos de colocar no papel para realizar uma programação definitiva", conta. "A gente treina junto em Belo Horizonte, preparador físico e fisioterapeuta são os mesmos."

Melo perdeu a invencibilidade de 17 partidas no ATP Finals, mas não ficou decepcionado com o resultado. "Perder numa semifinal parece que foi um resultado ruim, mas chegar lá é muito difícil. Ficamos felizes por ter chegado na semifinal, mas não estamos decepcionados. A gente poderia ter jogado um pouco melhor, mas não conseguimos", comenta.

Depois de um ano fantástico, ele mostra otimismo para a próxima temporada e espera colher muitos frutos ainda. "Ganhar Roland Garros e terminar o ano como número 1 do mundo é incrível. Mas não consigo comparar com outras modalidades. De qualquer forma, acho que mereço o reconhecimento", conclui o atleta, que é finalista do Prêmio Brasil Olímpico.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.