Marko Djurica / Reuters
Marko Djurica / Reuters

Maria Carolina Santiago leva terceiro ouro em Tóquio; Cecília Araújo é prata

Natação brasileira chega a seis ouros e vinte medalhas no total nos Jogos Paralímpicos

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2021 | 08h35

Maria Carolina Santiago fez ainda mais história na Paralimpíada de Tóquio. Depois de encerrar um jejum de 17 anos sem medalhas de ouro para as nadadoras do Brasil, a atleta pernambucana se tornou a única mulher brasileira a conquistar três ouros em uma única edição dos Jogos ao vencer a prova dos 100m peito classe S12 (deficiência visual moderada). E não foi só: o Brasil também levou uma prata com Cecília Araújo nos 50m livre da classe S8 (atletas com um membro amputado ou dificuldade de movimento na parte inferior do corpo).

Maria Carolina dominou a prova desde o começo, largando na frente, virando em primeiro e segurando a vantagem no final. O tempo da brasileira foi de 1min14s89, novo recorde paralímpico. A prata foi da russa Daria Lukianenko, que terminou em 1min17s55 e o bronze para a ucraniana Yarina Malto, com o tempo de 1min20s31. Outra brasileira presente na prova, Lucilene Caetano ficou no quinto lugar (1min30s25).

"Foi realmente foi uma prova muito bem nadada, muito bem executada. Eu não estava nervosa, eu queria estar ali, estava pensando que seria minha última caída na água em Tóquio. Os 100m peito são minha prova favorita, e é tão difícil acertar ela. Eu acertei com meu técnico, passei como ele falou para passar, voltei como ele falou para voltar, e quando vi que éramos campeões foi uma alegria grande", comentou Maria Carolina ao SporTV após a conquista.

Já Cecília fez uma boa prova, se mantendo na segunda colocação praticamente do começo ao fim. A atleta potiguar de 22 anos marcou o tempo de 30s83, enquanto a medalhista de ouro, a russa Viktoria Ishchiulova, que completou a prova em 29s91, e a de bronze, a italiana Xenia Palazzo, fechou em 31s17.

A natação brasileira está tendo uma excelente Paralimpíada: além dos três ouros de Maria Carolina, Wendell Belarmino, Gabriel Bandeira e Gabriel Araújo levaram um ouro cada; mais cinco pratas e nove bronzes foram conquistados nas piscinas.

NADADORA DESDE OS 8

Maria Carolina é pernambucana, nascida em Recife e que viveu em Caruaru, e nada desde os oito anos de idade. A atleta começou por influência do irmão e também pelo baixo impacto da natação, que pode ser praticada sem riscos à visão, já que ela possui “Morning Glory”, uma síndrome que atinge o nervo ótico e deixa a visão com capacidade de 30%.

O detalhe é que, mesmo com 36 anos, esta foi a primeira vez que a nadadora competiu nos Jogos Paralímpicos. Maria Carolina só foi descobrir que podia competir na natação paralímpica aos 33 anos, no fim de 2018, além de ter parado por 10 anos por conta de ter entrado água na retina e ter ficado com cegueira total por um período. Três anos atrás, a então competidora de maratonas aquáticas se juntou ao Clube Náutico União, do Rio Grande do Sul, onde lhe sugeriram que fizesse exames para saber se não poderia competir entre os paralímpicos.

Confirmada como possível atleta paralímpica, Maria já começou bem nas principais competições: no Mundial de 2019, levou dois ouros (50m, 100m livre) e duas pratas (400m livre e 100m costas). Nos Jogos Parapan-Americanos de Lima, também em 2019, venceu as quatro provas. Assim, chegou à Paralimpíada como nova estrela e esperança de pódios para o Brasil.

"Eu escutei muito que eu já estava muito velha e pensava que meus tempos não seriam melhores do que os de quando eu era nova. E hoje eu nado muito abaixo dos tempos que eu fazia antes. Foi uma satisfação grande por poder provar que eu consegui, mas principalmente por viver aquele momento com os meus técnicos. Isso para tentar explicar um pouco da minha emoção em cima daquele pódio", disse Maria Carolina ao blog 'Elas no Ataque', do jornal Correio Braziliense, sobre as conquistas antes da Paralimpíada.

Maria Carolina já havia conquistado outras quatro medalhas em Tóquio: ouro nos 50m livre S12/S13, ouro nos 100m livre S12, prata no revezamento 4x100m 49 pontos (a soma das classes do quarteto tem que dar 49) e bronze nos 100m costas S12. Antes dela, apenas homens como Daniel Dias (em Pequim e no Rio), Clodoaldo Silva (em Atenas) e André Brasil (em Pequim e Londres) haviam conseguido mais de duas medalhas douradas numa mesma edição dos Jogos Paralímpicos.

Santiago não tem dúvidas do impacto que suas vitórias podem trazer. "Hoje, vemos quantas crianças estão sendo incentivadas a entrar cedo no esporte paralímpico. Os resultados e as formas de como eles estão sendo divulgados estão levando crianças e adolescentes a praticarem, que são o futuro do esporte paralímpico no Brasil e que traz tantos valores para a gente como pessoas e como cidadãos", afirmou, na entrevista ao Correio Braziliense.

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