Jonne Roriz|COB
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Medalha de ouro nos Jogos do Tóquio vira obsessão para Isaquias Queiroz

Brasileiro disputa C2 1.000m ao lado do parceiro Jacky Godmann e depois ainda vão competir no C1 1.000m

Paulo Favero, enviado especial/TÓQUIO , O Estado de S.Paulo

Atualizado

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Isaquias Queiroz começa neste domingo, às 22h05, sua caminhada nos Jogos de Tóquio-2020 por mais duas medalhas olímpicas. Ao lado do parceiro Jacky Godmann, ele disputa as eliminatórias do C2 1.000m na canoagem velocidade e tenta uma vaga na final. Quatro dias depois eles ainda vão competir na prova individual, no C1 1.000m.

A expectativa sobre um bom desempenho de Isaquias é enorme, até porque ele saiu da Rio-2016 com três medalhas no peito, duas de prata e uma de bronze. O ouro, então, se tornou uma obsessão para o atleta, que já avisou que quer ser campeão olímpico no Japão. “Me preparei muito para isso”, disse.

Desde o fim dos Jogos Olímpicos do Rio-2016, ele começou a se preparar para Tóquio. Ficou mais forte e rápido, mas também teve alguns problemas no caminho. O primeiro foi a perda do treinador Jesus Morlán, espanhol que levou a canoagem brasileira para um outro patamar, mas que faleceu em novembro de 2018.

O auxiliar Lauro de Souza Júnior assumiu os treinamentos na canoa, seguindo todos os ensinamentos do antigo técnico. A pandemia de covid-19 pouco afetou Isaquias, que treina em um local isolado em Lagoa Santa, em Minas Gerais. Mas aí, pouco antes da Olimpíada, ele perdeu para Tóquio seu parceiro Erlon de Souza, que por causa de problemas no quadril não poderia competir.

Então Isaquias chega a Tóquio sem seu fiel escudeiro no C2, mas vai formar dupla com Jacky, baiano como ele, mas de Itacaré, pertinho da sua Ubaitaba. “A expectativa é grande e acho que vamos fazer uma boa prova. Treinamos bastante e estamos focados. Já demos a primeira remada na raia, para sentir um pouco a água, e agora é nos concentrar até o dia da prova para remar bem”, comentou Jacky.

Os dois se dão muito bem fora de competição e Isaquias até ajuda o amigo a ser um pouco mais extrovertido diante das câmeras. “Ele só é meio tímido e aí trava um pouco nas horas das entrevistas. Eu até falo pra ele: ‘Seja mais você’. Na canoagem todo mundo é brincalhão, até o Erlon. É o estilo baiano”, diz Isaquias.

Jacky vem de uma família formada por outros canoístas, como a tia Valdenice Conceição, que disputou os Jogos do Rio e foi medalhista de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, em 2015. Neste ano, ele e Isaquias competiram juntos em uma etapa da Copa do Mundo, em Szeged, na Hungria, e ficaram com a medalha de bronze.

“Espero honrar o Erlon e fazer uma boa prova para dar alegria ao Brasil. Queremos um bom resultado. O Isaquias é companheiro de treino, amigo é até ídolo. Está sempre me dando conselhos e orientando, porque ele é experiente”, comentou Jacky, que vê grandes possibilidades de a dupla dar certo.

Assim como Isaquias, Jacky também é atleta do Flamengo e chegou ao clube por intermédio do amigo. “Estamos com foco nos treinamentos, descansando bem e nos alimentando melhor. Independentemente da cor, temos de conseguir essa medalha. A nossa expectativa é muito boa e conseguimos bater as metas nos treinos”, comentou Jacky.

Os principais adversários da dupla brasileira são os alemães Sebastian Brendel e Tim Hecker e os cubanos Serguey Torres e Fernando Jorge. Em disputa recente na Copa do Mundo de canoagem velocidade, eles ficaram com ouro e prata, respectivamente. Brendel, inclusive, é um grande rival de Isaquias no C1 1.000m.

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