Medalha é coroação para carreiras de veteranos no vôlei

Para jogadores como Bruninho e William, título completa currículo vencedor

Antonio Pita, Ciro Campos e Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2016 | 05h00

A medalha de ouro é a coroação de Bruninho na seleção brasileira. O levantador de 30 anos e capitão da equipe tinha batido na trave nas duas últimas edições, em Pequim (2008) e Londres (2012), quando ficou com a prata ao perder na decisão para Estados Unidos e Rússia, respectivamente.

Após a derrota em Londres, de virada, o ponteiro Giba afirmou que Bruninho estava pronto para assumir a responsabilidade na seleção, que não contaria mais com muitos dos veteranos. E ele já tinha no currículo os títulos de Mundial, Copa do Mundo e Liga Mundial. Faltava o ouro olímpico para preencher seu currículo. Naquele momento, Bruninho chorou no segundo degrau do pódio. Agora, chora de alegria.

“Passou um filme de toda minha vida, de muitas pessoas que eu gostaria de agradecer, de todos os jogadores que tive ao meu lado, dos treinadores, das pessoas que estiveram presentes nos momentos mais difíceis, como Londres e Pequim, de tanta coisa que a gente escutou. Era o momento, de certa forma, da redenção”, disse.

Pesava ainda sobre o atleta o fato de ele ser filho de Bernardinho. Talentoso, tinha de provar mais que os outros justamente para evitar que as comparações apontassem escolhas movidas pelo lado pessoal, como se ele fosse protegido. E foram as derrotas olímpicas que amadureceram o atleta como capitão.

Para Bruninho, o roteiro não poderia acontecer de uma maneira melhor. “Conquistar o ouro olímpico em casa, depois de tudo que nós passamos, é sensacional. É o ouro do Bruno, do Wallace, do Murilo, do Sidão, do Lucão, de toda essa galera que merecia demais. É o dia da redenção depois de tantas bolas na trave. Agora ela bateu e entrou”, comentou.

Quis o destino que a decisão fosse contra a Itália, país onde o atleta esteve pelos últimos dois anos. A vitória por 3 sets a 0 encheu o levantador de orgulho e ele indicou que pretende continuar na equipe para o próximo ciclo olímpico. “A gente já tem uma certa idade, mas falei que não quero pensar no amanhã ou daqui a quatro anos. Claro que tenho vontade de permanecer, adoro representar o meu país, é um grande orgulho. Realizei o maior sonho da minha vida, perto do nosso povo, e isso é o mais importante.”

Quem também indicou que pretende permanecer foi William, 37 anos. Reserva de Bruninho nos Jogos, ele ficou encantado com o espírito olímpico. “Estou muito bem fisicamente, não tenho qualquer lesão grave, nunca passei por cirurgia, mas não sei o que acontecerá depois. Jogar uma Olimpíada é muito legal. Demorei bastante para chegar aqui e já fico imaginando como será Tóquio. Quero muito estar lá.”

Ele aproveitou para agradecer à mulher, que segurou uma barra em casa com dois filhos pequenos enquanto ele corria atrás do sonho olímpico. “Agora, quero aproveitar um pouco a vida ao lado deles, pois essa medalha é da minha família também”, acrescentou.

Já Wallace, que marcou 20 pontos na partida, festejou o fato de a equipe ter saído do momento de pressão e revertido a situação na própria Olimpíada. “Nós treinamos muito. E mudamos a postura dentro de quadra. A partir dali, a equipe cresceu e agora temos a medalha de ouro”, afirmou.

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