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Semión Elistaratov, atleta russo da patinação de velocidade pego no doping Divulgação

Meldonium deve fazer novas vítimas até os Jogos, diz especialista

Ganhador da prata em Londres e outros cinco lutadores da Geórgia sofrem punições; lista ainda deve aumentar até os Jogos Olímpicos

Daniel Batista, O Estado de S. Paulo

10 de março de 2016 | 07h00

Uma substância tira o sono de muitos atletas e será motivo de preocupação até o início da Olimpíada. O Meldonium, que fez com que a tenista Maria Sharapova fosse pega no exame antidoping, é mais comum entre os atletas do que se imagina. Na quarta-feira foram anunciados mais seis casos, de atletas de luta olímpica da Geórgia.

É praticamente certo que mais casos devem aparecer até o dia 5 de agosto, quando começam os Jogos no Rio. No total, 14 atletas já foram flagrados no antidoping por causa da substância. Além de Sharapova, estão na lista quatro atletas russos (Edouard Vorganov, ciclista; Ekaterina Bobrova, patinadora artística; Semión Elistratov e Pável Kulizhnikov, ambos da patinação de velocidade) e dois ucranianos (os biatletas Olga Abramova e Artem Tychtchenko).

Completam a lista, o maratonista etíope Endeshaw Negesse e a etíope naturalizada sueca Abebe Aregawi, corredora de 1.500 metros. Dos seis lutadores da Geórgia, apenas um teve o nome revelado, Davit Modzmanashvili, medalhista de prata na luta olímpica nos Jogos de 2012 na categoria livre até 120 quilos.

Um laboratório antidoping de Colônia, na Alemanha, foi quem percebeu os efeitos dopantes do Meldonium, substância criada na Letônia e muito utilizada por atletas que treinam ou vivem no Leste Europeu. Desde o dia 1.º de janeiro deste ano, a substância entrou na lista de elementos dopantes.

A substância aumenta o desempenho do metabolismo, o que eleva a resistência do atleta. Ainda ajuda na recuperação depois de um esforço físico, protege da fadiga e melhora a ativação do sistema nervoso central. Tudo isso ocorre porque o Meldonium reforça a parede do músculo cardíaco e permite maior quantidade de sangue por pulsação.

Embora tenha sido desenvolvido na Europa, atletas de todo o mundo correm risco de serem pegos. E os brasileiros não fogem à regra. Na semana passada, atletas da ginástica do Brasil foram a Brasília e, entre outros compromissos, visitaram a ABCD, onde conversaram com Marco Aurélio Klein, Secretário Nacional da instituição. Eles foram avisados para nunca tomarem medicamentos sem consultar a ferramenta de busca das substâncias proibidas no site da WADA ou da própria ABCD. “Se a Sharapova tivesse feito isso, teria evitado o doping. Atleta precisa ter cuidado”, disse Klein.

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'A Sharapova não foi a primeira e nem deve ser a última a ser pega'

Consultor da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem diz que caso da tenista russa serve de alerta para outros atletas

Entrevista com

Luís Horta

Daniel Batista, O Estado de S. Paulo

10 de março de 2016 | 07h00

Luís Horta, consultor da ABCD (Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem)

O que muda no corpo do atleta que utiliza o Meldonium nas competições?

Essa é uma substância que passou a ser considerada doping pelo fato de influenciar o metabolismo e o sistema hormonal. A substância atua no organismo, aumentando o desempenho das células e proporcionando mais energia.

Já sabe quanto tempo leva para a substância deixar o corpo do atleta?

O Meldonium é um elemento que estamos acompanhando mais recentemente, então não se sabe exatamente quanto tempo leva, mas o que podemos afirmar é que passou a se tornar proibido desde 1º de janeiro, então valem competições que foram realizadas apenas nesta temporada.

O Meldonium é uma substância produzida no Leste Europeu, mas existe a possibilidade de algum brasileiro ser pego no doping por isso?

A Sharapova não foi a primeira e nem deve ser a última a ser pega. O caso dela pode ser importante para dar um alerta aos demais atletas da importância em tomar cuidado com as mudanças de substâncias permitidas. Não podemos afirmar que brasileiros escaparão disso, mesmo sendo algo que parece tão distante para o país. Hoje, estamos em um mundo globalizado e temos conhecimento que os atletas compram substâncias pela internet e usam normalmente.

 

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Atletas estão um passo à frente das autoridades

Doping de Sharapova chama atenção para avalanche de casos

Marcius Azevedo, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2016 | 09h44

O teste positivo de Sharapova apenas chamou a atenção para uma avalanche de casos que ameaça esvaziar os Jogos Olímpicos do Rio. Atletas de diversos esportes estão sendo flagrados por uso de Meldonium. O esporte limpo, onde o melhor tem de ser o vencedor, sofre mais um revés. Ficou comprovado mais uma vez que os que lutam contra o doping estão sempre uma passo atrás daqueles que usam substâncias ilícitas para aumentar o rendimento e obter resultados.

A Meldonium há muito era utilizada pelos atletas. Sharapova alegou usar o medicamento desde 2006 por causa de problemas de saúde. Mas, se ele era essencial para o funcionamento do organismo da tenista, qual o motivo de não informar à Agência Mundial Antidoping (Wada) sobre o uso no começo deste ano, quando esta substância entrou na lista das que configuravam doping? É difícil também acreditar que uma atleta do nível dela, com um time de profissionais à disposição, tenha sido tão inocente a ponto de não ler um informe da Wada.

A Wada demorou para incluir o Meldonium na lista das substâncias proibidas, mas não é uma questão tão simples. A corrida entre as autoridades de doping e os atletas é desleal. A escolha de substâncias utilizadas para alcançar um ganho evolui tão rapidamente quanto as técnicas para o combate das mesmas. Neste exato momento, há alguém utilizando alguma substância que ainda não foi descoberta.

A luta (difícil) contra o doping é diária. O problema é que os atletas estão sempre em vantagem. A revelação de um caso como o de Sharapova causa um abalo, mas, com certeza, não resultará no fim da tentativa de burlar o ideal de competição do esporte.

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