Marcio Fernandes/Estadão
Bruno Schmidt e Alison são uma das grandes esperanças de medalha Marcio Fernandes/Estadão

Melhor dupla do mundo no vôlei de praia abre mão da privacidade

Bruno Schmidt e Alison fazem treinos ao lado de torcedores no ES

Raphael Ramos, enviado especial a Vila Velha, O Estado de S. Paulo

23 de julho de 2016 | 17h08

Em todo o Time Brasil, ninguém é tão favorito à medalha de ouro nos Jogos Olímpicos do Rio como a dupla masculina do vôlei de praia formada por Bruno Schmidt e Alison. Os dois são os atuais campeões mundiais, lideram com folga o ranking da Federação Internacional e, não à toa, Bruno foi eleito o melhor jogador do mundo em 2015.

Na reta final de preparação para os Jogos, a dupla tem adotado uma estratégia incomum entre atletas de ponta candidatos à medalha. Enquanto a maioria opta pela privacidade às vésperas da Olimpíada, eles treinam na praia da Costa em Vila Velha, no Espírito Santo. O local é um dos mais movimentados da orla capixaba e os treinos contam com a presença de dezenas de torcedores, fãs e curiosos no calçadão e, principalmente, à beira da quadra na areia.

“Isso nos ajuda demais. É um gás extra, como se fosse uma gasolina aditivada. Receber o carinho do povo é muito bom. Estamos em mês de férias, então, não é apenas o povo capixaba que vem nos apoiar. Tem muito turista mineiro e paulista. As pessoas nem imaginam como isso nos deixa ainda mais confiantes”, explica Alison.

Para Bruno Schmidt, treinamentos com a presença do público são importantes para deixar a dupla “mais forte” antes dos Jogos Olímpicos. “A gente arma os treinos no meio de uma praia pública e o mais bacana é sentir que o povo quer estar junto nesse momento, tirar foto e desejar boa sorte. A gente se sente mais forte com tudo isso”, diz Bruno Schmidt.

A escolha por treinos em dias e horários de grande movimento na praia da Costa foi tomada em conjunto com a psicóloga da dupla, Sâmia Hallage. Ela, inclusive, faz questão de assistir aos treinamentos para acompanhar de perto a reação dos jogadores à presença do público. “Esse é o momento de transformar pressão em motivação. Precisamos desmitificar essa história de pressão. Esse é o ambiente natural deles”, justifica.

Mesmo faltando pouco tempo para a Olimpíada – Bruno Schmidt e Alison estreiam no dia 6 contra os canadenses Josh Binstock e Sam Schachter –, não é apenas a programação de treinos que permanece inalterada. Fora das quadras, os atletas também buscam manter a rotina de lazer. Amanhã, por exemplo, Alison estará na arquibancada do estádio Kleber Andrade, em Cariacica, cidade vizinha a Vila Velha, para acompanhar o jogo do Flamengo, seu time do coração, contra o América-MG, pela 16.ª rodada do Campeonato Brasileiro. “Quero ir com alguns amigos para dar a última força ao time antes de viajar para a Olimpíada”, diz Alison.

No Rio, Bruno Schmidt e Alison também abrirão mão da calmaria. Os dois são a única dupla que escolheu ficar na Vila Olímpica, na Barra da Tijuca, apesar de o COB ter oferecido a eles as instalações do Exército, na Urca, próximo a Copacabana, local dos jogos de vôlei de praia. A dupla só irá à Urca para treinar. O COB montou no local uma quadra com iluminação especial para que os atletas possam trabalhar à noite, simulando situações reais de jogo, já que na Olimpíada a programação de partidas da modalidade começa às 10h e termina à 0h50 do dia seguinte.

“O Alison teve uma experiência muito boa em Londres, quando ficou na Vila Olímpica, e quer repetir isso também no Rio”, explica o técnico da dupla, Leandro Brachola.

Em 2012, Alison fazia dupla com o veterano Emanuel e os dois conquistaram a medalha de prata. Agora, caberá a ele passar experiência a Bruno Schmidt, que disputará a sua primeira Olimpíada. “Aprendi muita coisa nesses últimos quatro anos. Consigo enxergar o jogo de uma maneira diferente. Amadureci, estou mais experiente, calmo e tranquilo. Mas também sei ser agressivo nos momentos decisivos”, conta Alison.

ESTRATÉGIA

A dupla fez um planejamento específico para conseguir chegar aos Jogos do Rio no auge da forma física. “Jogamos o Circuito Mundial sem estar no nosso melhor porque a nossa preparação foi toda montada para atingirmos o auge no mês de agosto. Mesmo assim, fizemos uma temporada bastante regular”, analisa Bruno. De sete torneios disputados na temporada, a dupla chegou em cinco semifinais. “Todo mundo está estudando o nosso time e, por isso, conhece as nossas jogadas, mas estamos no caminho certo. Temos algumas cartas na manga para mostrar nos Jogos”, promete Alison.

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Com Bruno, família Schmidt volta aos Jogos Olímpicos no Rio

Atleta do vôlei de praia é sobrinho de Oscar Schmidt

Raphael Ramos, enviado especial a Vila Velha, O Estado de S. Paulo

23 de julho de 2016 | 17h13

Bruno Schmidt é de uma família de esportistas. O jogador de vôlei de praia é sobrinho de Oscar, maior cestinha da história do basquete brasileiro. A irmã Julia conquistou a medalha de bronze nas areias no Mundial Sub-21 de 2010. Outro tio, o jornalista Tadeu Schmidt, também jogou basquete. 

“O Oscar é um exemplo para Brasil inteiro e o Tadeu já foi da seleção juvenil. A família respira esporte. Sempre troco mensagens com o Tadeu. Às vezes estou jogando fora do País e ele manda mensagem de madrugada para saber como eu estou. É muito bacana. Hoje ele está numa posição de destaque nacional, mas fora das câmeras gosta de valorizar o sobrinho”, conta Bruno. 

Nos Jogos do Rio, a família Schmidt terá com Bruno a chance de, enfim, conquistar uma medalha. Ao lado de Alison, fará a sua estreia na Olimpíada. “É um momento especial para toda a família. Em 1996, meu tio (Oscar) disputou a sua última Olimpíada e agora eu estou dando continuidade a essa história. Em casa, está todo mundo empolgadíssimo”, diz Bruno.

 

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