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Dupla critica desistências nos Jogos: 'Muitos se escondem atrás do zika'

Bruno Soares e Marcelo Melo falam sobre preparação para Olimpíada no Rio

Entrevista com

Bruno Soares e Marcelo Melo

Nathalia Garcia - Enviada especial a Belo Horizonte, O Estado de S. Paulo

18 de julho de 2016 | 07h00

Só a medalha interessa para os tenistas Bruno Soares e Marcelo Melo nos Jogos Olímpicos. E, de preferência, a dourada. Em entrevista ao Estado, os mineiros falam sobre a disputa no Rio e também criticam os atletas que usam o zika como justificativa para não participar do evento. "Muitos estão se escondendo atrás desse vírus. É desculpa", diz Melo.

A Copa Davis serviu como teste para vocês para a Olimpíada?

Bruno Soares – Foi muito importante por vários fatores. A gente pôde ter uma semana de preparação jogando juntos todos os dias e treinando o que a gente pode melhorar como dupla. Em questão de jogo, tivemos uma situação parecida com o que a gente vai encontrar no Rio: quadra rápida, calor da torcida, energia de jogo e toda a responsabilidade em um confronto importante para o Brasil. Só tem a acrescentar na nossa preparação. Quanto mais tempo a gente passa dentro de quadra junto, mais ajuda a chegar bem no Rio.

Marcelo Melo – Os detalhes vão sendo importantes para a gente. Jogar em casa mostra o que precisamos melhorar em nosso jogo, mas a gente sabe o que tem de fazer.

Faltou um pouco do calor da torcida em Belo Horizonte?

Soares A torcida tem de se acostumar. Tem muita gente que veio aqui que não acompanha um jogo ao vivo ou vai a uma Copa Davis há muito tempo. Estão acostumados a ficar mais tranquilos. Na sexta-feira, tentaram entender a situação e depois a turma viu que pode e deve participar mais, gritar mais. Cabe a nós jogadores também contagiar a torcida, com bom tênis ou chamando o público mesmo em um momento de dificuldade. A gente estava com a nossa gangue a postos, fazendo barulho o tempo todo e o estádio vinha junto depois.

Nos Jogos do Rio, acredita que terão um apoio maior?

Melo Acho que vai ser bem parecido. No Rio, o que pode acontecer, é ter mais pessoas que não entendem de tênis irem assistir aos jogos. A gente tem também de chamar a torcida, não adianta vir só de um lado essa energia. Estamos acostumado a jogar com o público.

No Rio Open e no Brasil Open vocês não conseguiram repetir o bom desempenho que mostram em Copa Davis. Qual é o motivo?

Soares Rio e São Paulo são semanas bastante complicadas para a gente. Temos uma demanda muito grande e nosso foco nem sempre é só o tênis. Realmente não é fácil para a gente jogar aqui, passamos pouco tempo no Brasil. Na Copa Davis, tem uma regra mais rígida porque a gente está representando o Brasil. No Rio e em São Paulo, a gente não conseguiu render o nosso melhor. Estávamos cansados, mas não é uma coisa para se preocupar. A gente jogou em Miami no ano passado, um lugar que podemos fazer a nossa rotina e só pensar no tênis, e jogamos muito bem. No Rio vai ser diferente. Não vamos ter essa demanda, vamos estar lá focados em fazer uma boa Olimpíada.

Só a medalha seria um bom resultado para vocês no Rio?

Soares O que pesa para mim na Olimpíada é que não existe resultado. Tem medalha ou não medalha porque não tem ponto e não tem premiação. Você perde nas quartas e pensa: ‘Legal, cheguei perto.’ Mas no fim das contas: ganhou medalha? Não. Ninguém está muito preocupado se você perdeu na primeira ou na segunda rodada. É diferente de um torneio que você chega nas quartas, consegue juntar tantos pontos e isso vai te ajudar. Em Londres, chegamos nas quartas, à beira da medalha. É preciso voltar quatro anos depois para tentar de novo.

Melo A gente vai para tentar o ouro, mas ao mesmo tempo temos o pé no chão do passo a passo. Em Londres, a gente chegou perto, mas um perto que era longe ao mesmo tempo. O que não muda muito. A gente conseguindo uma medalha vai ser um passo muito importante. Nosso pensamento é a medalha de ouro mesmo.

Os tenistas estrangeiros têm perguntado para vocês como são as condições no Rio?

Soares Todo mundo vem me perguntar. Segurança não me perguntaram tanto, perguntaram da cidade, coisas para fazer, do lado positivo. Do lado da preocupação, falam do zika. Fui muito claro, zika não mudou a rotina de ninguém que eu conheça até agora aqui no Brasil. Não tenho preocupação alguma, não muda em nada a vida do pessoal da Tennis Route, que está no Rio. É essa tranquilidade que a gente está tentando passar. Curioso, o (Milos) Raonic saiu e o (Daniel) Nestor entrou. Acordei com uma mensagem dele perguntando a respeito do zika, ficou tranquilo. A maioria das pessoas está bem informada.

Melo – Muitos estão se escondendo atrás desse vírus para não vir ao Brasil. Acho que é uma desculpa, podem assumir que não querem participar da Olimpíada por outros motivos. Se realmente é por isso que não estão vindo, não consigo entender. Não entra na minha cabeça deixar de participar de uma Olimpíada por causa de um potencial risco baixíssimo. Temos outros riscos muito maiores, mesmo fora do Brasil. Isso é bobagem.

Na Olimpíada, muitas duplas são formadas por jogadores de simples. Isso incomoda?

Soares Não incomoda. No circuito acontece isso também, principalmente nos Masters 1.000. A única coisa que é diferente é que não temos um banco de dados muito grande em cima desses caras. Não temos um histórico muito grande de coisas que podemos usar, do jeito que eles jogam. Mas isso faz parte, temos grandes jogadores de simples que também jogam bem duplas. A campanha dos irmãos Murray na Davis, por exemplo. A Olimpíada junta o melhor dos dois mundos, vai ser muito duro

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