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Meninas do Brasil no lugar mais alto do pódio em Londres Reuters

Meninas do vôlei sonham com 3º ouro consecutivo

Time mais uma vez será comandado pelo técnico José Roberto Guimarães, que vai atrás do quarto título olímpico

O Estado de S.Paulo

31 de março de 2016 | 07h00

Se existe um grupo de atletas que vai sofrer grande pressão nos Jogos Olímpicos do Rio, este grupo é o da seleção feminina de vôlei e o seu técnico, José Roberto Guimarães. A equipe atual bicampeã, ouro em Pequim-2008 e Londres-2012, e o treinador, que subiu três vezes no lugar mais alto do pódio olímpico - 1992 foi com o time masculino - vão ter o maior desafio de suas carreiras: ser campeões em casa.

“A nossa preparação começou no dia seguinte ao final dos Jogos de Londres”, disse Zé Roberto. “Acho que vai ser bom demais, pois o apoio da torcida vai ser decisivo. Mas é preciso entender que a pressão também será muito grande em nosso desempenho”, disse Jaqueline, uma das mais experientes.

Zé Roberto costuma dizer que o grupo não está fechado até a última convocação, mas é claro que ele vai apostar no entrosamento de uma equipe que teve um desempenho espetacular nas duas últimas olimpíadas.

IMPECÁVEL

Em Pequim-2008, Sheila, Mari, Paula Pequeno e Cia. foram impecáveis. Passaram a primeira fase com cinco vitórias, todas por 3 sets a 0. E alguns adversários eram fortes. O Grupo reunia Itália, Rússia, Sérvia, Casaquistão e Argélia. Nas quartas de final e semifinal mais dois 3 a 0, diante de Japão e China, respectivamente. A decisão diante dos Estados Unidos não chegou a preocupar: 3 a 1.

Em Londres-2012, a campanha teve um alto grau de drama. As comandadas de Zé Roberto mostraram que um título olímpico não se ganha só com talento. É preciso superação, garra, vontade de vencer. A primeira fase foi muito irregular. Depois de uma apertada vitória na estreia sobre a Turquia, por 3 a 2, a equipe foi derrotada pelas norte-americanas por 3 a 1. Frente à Coreia do Sul, o revés por 3 a 0 trazia apreensão de que poderia ocorrer uma eliminação precoce.

Foi aí que Thaísa, Tandara, Natália, Fabiana...mostraram seu poder de decisão e bateram a China, com eletrizantes 3 sets a 2. A vaga nas quartas veio com 3 a 0 sobre a Sérvia.

SUPERAÇÃO

Mas o momento de maior tensão estava por vir. A vaga na semifinal frente à Rússia foi obtida após seis match points contra. Mais uma vitória por 3 a 2. Daí para frente, ninguém poderia parar o esquadrão de Zé Roberto, que passou por cima do Japão (3 a 0) e bateu os Estados Unidos, mais uma vez, por 3 a 1, com direito a virada.

No Rio, Zé Roberto sabe que todos os rivais vão se apresentar da melhor forma possível diante da seleção anfitriã dos Jogos, mas destaca quatro equipes que terão atenção especial na competição. “Os Estados Unidos deverão ser o principal adversário. Sérvia, China e Rússia também são times que deverão chegar muito fortes.”

PROBLEMAS

Durante o ciclo olímpico, Zé Roberto teve de conviver com uma série de desfalques, que impediram uma sequência no trabalho. Thaísa teve de ser submetida a cirurgia nos dois joelhos, Tandara teve filho e Fabíola ficou afastado por causa de problemas particulares. Mas diante do que essas moças já apresentaram dentro de quadra, nada parece impedir uma nova conquista em um momento tão importante para o esporte no País.

Por tudo isso, ninguém duvida que as meninas possam subir mais uma vez no lugar mais alto do pódio. “Mas não será nada fácil”, relembra Zé Roberto.

PÓDIOS

Além das duas medalhas de ouro nas duas últimas edições dos Jogos, o vôlei feminino ainda ficou na terceira colocação em Atlanta-1996 e Sydney-2000. Barcelona-1992 e Atenas-2004 foi quarto lugar.

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    Estados Unidos dominaram de 1984 a 1988

    Karch Kiraly foi o grande nome de uma geração

    O Estado de S.Paulo

    31 de março de 2016 | 07h00

    Os Estados Unidos prepararam uma delegação qualificada para a disputa dos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984. Os atletas norte-americanos tinham a obrigação de obter grandes resultados, afinal os Jogos sofriam o boicote dos países do bloco socialista, liderado pela União Soviética.

    Com o vôlei não foi diferente. O time masculino, que jamais havia subido no pódio olímpico, conquistou a medalha de ouro e iniciou uma supremacia na modalidade.

    O líder da equipe era Charles Frederick Kiraly, mais conhecido por Karch Kiraly. Versátil, rápido, técnico, forte, foi eleito duas vezes o melhor jogador domundo (1986 e 1988), e em 2000 foi apontado como o melhor jogador de vôlei do século 20 pela Federação Internacional de Vôlei.

    Kiraly liderou um time que tinha Dusty Dvorak, Dave Saunders, Steve Salmons, Paul Sunderland, Rich Duwelius, Steve Timmons, Craig Buck, Marc Waldie, Chris Marlowe, Aldis Berzins e Pat Powers.

    A seleção brasileira chegou a assustar os norte-americanos na primeira fase dos Jogos de 1984, ao vencer os anfitriões por incríveis 3 a 0 (15-10 15-11 e 15-2). Mas na decisão, os EUA apresentaram um vôlei espetacular e massacraram a geração de prata do Brasil também por 3 a 0 (15-6 15-6 15-7).

    Kiraly e Cia. mostraram nos anos seguintes que não se tratavam de uma equipe descartável e que foram formados para marcar época na história do vôlei. Os americanos foram campeões da Copa do Mundo (1985), do Campeonato Mundial (1986), dos Jogos Pan-Americanos (1987) e da Olimpíada de Seul (1988).

    Depois do sucesso na quadra, Kiraly transferiu seu talento para as praias, onde conquistou também a medalha de ouro na Olimpíada de Atlanta-1996. Por seis vezes (1990, 1992, 1993, 1994, 1995, 1998) foi considerado o melhor jogador de praia. 

    Kiraky também teve sucesso no vôlei europeu, ao atuar pelo Messagero, da Itália, equipe na qual foi campeão mundial de clubes. Atualmente é técnico da seleção feminina dos Estados Unidos, dá palestras e escreve livros sobre tática de vôlei.

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    Zaytsev e Savin, a melhor dupla da história do vôlei

    Vyacheslav Zaytsev e Aleksandr Borisovich Savin formaram a melhor dupla da história do vôlei masculino. Zaytsev era o levantador e Savin, o meio de rede. A jogada rápida junto à rede era mortal para os adversários. A sincronia perfeita fazia com que a bola batida por Savin fosse indefensável.

    O Estado de S.Paulo

    31 de março de 2016 | 07h00

    Em campeonatos mundiais, Zaytsev somou mais dois ouros (Itália-1978 e Argentina-1982), a segunda conquista foi diante da seleção brasileira, formada por William, Bernard, Xandó, Amauri, Renan e Montanaro. E duas pratas (México-1974 e França-1986).

    MARACANÃ

    Debaixo de um verdadeiro dilúvio, a seleção brasileira venceu por 3 sets a 1, com parciais de 14-16, 16-14, 15-7 e 15-10.

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