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Teddy Riner: 'Meu principal objetivo agora é a Olimpíada de 2020, em Tóquio'

Sem perder desde 2010, judoca ainda não confirma presença no Mundial e sonha com o seu terceiro ouro olímpico

Entrevista com

Teddy Riner

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

23 Abril 2018 | 07h03

Principal judoca da atualidade, o francês Teddy Riner parece imbatível no alto de seus 2,04 m e 131 kg. Com uma sequência de 144 vitórias consecutivas nos tatames, ele confessa que já perdeu as contas e que seu principal foco é os Jogos Olímpicos de 2020, em Tóquio. Sua última derrota foi em 13 de setembro de 2010. Entre grandes feitos, tem dois ouros olímpicos no currículo e dez títulos mundiais. Nesta entrevista ao Estadão, ele fala sobre seu treinamento, suas expectativas nos tatames e até sobre futebol, outra grande paixão de sua vida.

Em algum momento nesse período achou que iria ser derrotado?

Toda vez que piso na área de competição eu lembro que posso perder. É muito importante ter isso em mente, porque me avisa que posso ser derrotado na próxima luta. Tenho sempre isso comigo.

Mesmo com números tão expressivos, você não costuma lutar com muita frequência. Por que?

Eu ganhei meu primeiro título mundial muito cedo, tinha apenas 18 anos. Desde então eu entendi que não tem necessidade de competir em todos os lugares e que quanto mais você cresce, mais precisa escolher suas lutas. É importante estar bem para competir nos grandes torneios, por isso tenho muitos títulos mundiais e dois ouros olímpicos. Isso me motiva bastante, pois quero conquistar mais vezes o Mundial e bater recordes.

Como é sua rotina de treino quando não está competindo?

Eu pratico bastante judô e técnicas da modalidade, faço musculação e exercícios físicos.

O Brasil tem dois atletas que são bons em sua categoria, o David Moura e o Rafael Silva. O que acha deles?

Os dois são ótimos judocas. Silva é consistente e atingiu um nível muito alto, é um grande lutador. Tenho muito respeito por Silva, que foi duas vezes medalhista olímpico e também teve pódios em Mundiais. Ele tem uma grande carreira. Antes do Jogos do Rio, ele teve uma lesão grave, mas deu a volta por cima e ainda foi ao pódio, o que é impressionante.

Como é manter uma hegemonia tão grande nos tatames?

Eu adoro vencer e é isso que me motiva. Quero continuar assim e sei que preciso estar sempre pronto porque as competições são cada vez melhores e os adversários mais difíceis.

Por ser tão dominante, ainda mais na categoria mais pesada do judô, é difícil encontrar companheiros que possam exigir de você nos treinos?

Sim. Eu tenho três ou quatro adversários aqui na França, então é difícil encontrar companheiros para um treino forte. Por isso, conversei com meu técnico e mudei minha visão sobre minha preparação para os Jogos Olímpicos. Eu vou para o Japão, para o Brasil, para a Geórgia, e quero fazer treinamentos internacionais, porque será bom para mim, para meu judô e para minha preparação.

Você guarda boas lembranças do Brasil?

Olha para minha cara (o judoca abre um largo sorriso)! Sim, as pessoas no Brasil amam este esporte. Eu estive no País para competir, treinar, fui à praia, o clima é muito bom.

Agora você é atleta do Paris Saint-Germain. Já teve contato com o Neymar?

Ainda não. Este é o primeiro ano que o PSG retorna ao judô e preciso de mais tempo para encontrá-lo. O Neymar é muito ocupado e espero que a gente se encontre a qualquer momento.

Você gosta de futebol?

Eu sou um jogador de futebol. Sou o melhor atacante do mundo e assinei um grande contrato (gargalhadas). Eu amo judô e minha segunda vida é o futebol.

Pretende acompanhar a Copa do Mundo de futebol?

Não vou poder ir lá, pois vou treinar neste verão, me preparando para o Mundial. Talvez consiga ir ver uma partida, mas ainda não sei. Não poderei ficar lá muito tempo.

Quem acha que pode vencer na Rússia?

Vou falar baixinho: Brasil. É um segredo, está bem?

Você mudou os parâmetros na categoria dos pesos pesados. Agora, os atletas não são tão gordos e procuram ser fortes e em forma. Como se sente em relação a isso?

Eu me sinto orgulhoso disso. É bom ver judocas mais leves e mais rápidos, fico feliz de ter inspirado jovens atletas e essa é a maneira que vejo o judô e a categoria dos pesados. Para mim, não é difícil manter a forma desse jeito porque é a maneira que vejo o esporte. É algo normal para mim.

Claro que com o sucesso e a grande hegemonia, a pressão fica cada vez maior. Como você lida com isso?

A pressão faz parte do jogo e, se você quer vencer, tem de saber lidar com isso. Tento aprimorar minha preparação e faz parte do meu treino. Se estiver mentalmente pronto, então será muito mais fácil lidar com a pressão.

O Japão é o berço do judô, tem muita tradição na modalidade, e vai receber os Jogos Olímpicos em Tóquio, em 2020. Este será seu maior teste?

Os japoneses são sempre muito bons e lutar contra eles, na casa deles, será um grande desafio. Eu vou me preparar muito forte para estar pronto e vencer.

Neste ano, o foco é mais um título mundial?

Talvez, eu ainda não sei. Se estiver com uma boa sensação, vou competir no Mundial. Se meu ânimo não tiver voltado, vou dar um tempo e continuar me preparando para o próximo torneio ou Mundial. Meu alvo maior é a Olimpíada de 2020. Esse é o projeto.

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