Lucas Figueiredo|Mowa Press
Lucas Figueiredo|Mowa Press

Micale cobra seleção olímpica compacta e ofensiva

Treinador se espelha em europeus para definir estilo de jogo da equipe

Almir Leite - enviado especial a Teresópolis, O Estado de S. Paulo

25 de julho de 2016 | 07h00

Um time ofensivo, com variação de jogadas e compacto, sem abrir mão do talento individual de seus jogadores. É assim que será a seleção olímpica de Rogério Micale, com base nas ideias e, sobretudo, no trabalho realizado na primeira semana de treinos para os Jogos do Rio. O treinador é adepto de um jogo intenso, com pressão constante sobre o adversário e voltado sempre para o ataque.

Seguidor do trabalho de vários técnicos, como Pep Guardiola, Carlo Ancelotti, Jürgen Klopp e admirador da organização tática das equipes de Tite, o treinador da seleção principal, Micale revela em seus métodos essas influências. Tem, porém, definições próprias.

Micale é didático. Antes de cada treino, coloca um quadro em um cavalete no gramado, reúne os jogadores e explica para eles o que será treinado, e qual o objetivo. Na realidade, os atletas já vão para o campo com uma noção do que terão de fazer. "Micale sempre passa um dia antes o treino do dia seguinte", revelou o meia Felipe Anderson. "Isso facilita bastante, pois podemos visualizar o que vai acontecer no treino."

Para facilitar a assimilação, o treinador divide o campo no que chama de quadrantes. Além de cones, utiliza fitas para fazer marcações. Desenha quadrados, retângulos, losangos e delimita linhas retas. Busca, com isso, aprimorar o posicionamento e a compactação – muitas vezes os jogadores são proibidos de sair do espaço que lhes foi destinado.

Ele também fala bastante durante os treinos – que nunca têm menos de 1h45 -, para a atividade sempre que sente ser necessário dar ou reforçar uma instrução, e conversa bastante com os jogadores – em grupos ou individualmente. "São conversas importantes, até para passarmos feedback para ele. Mas está sendo bem fácil para a gente entender o que ele quer", revelou o lateral-esquerdo Douglas Santos.

Micale também se mostra bom ouvinte. Deixa os jogadores exporem suas impressões e dúvidas. Neymar e o goleiro Fernando Prass são seus principais interlocutores.

FUTEBOL TOTAL

Por definição, Rogério Micale diz que seu esquema base de jogo é o 4-2-3-1. "Mas essa é uma plataforma inicial. Depende do momento do jogo. Pode nos armar nos 4-3-3 e até no 4-2-4", diz.

Essa possibilidade bastante ofensiva, por sinal, foi treinada várias vezes durante a semana. Um ataque formado por Neymar, Gabriel Barbosa, Gabriel Jesus e Luan, embora a tendência é que o gremista seja reserva. Micale também deve optar por um volante marcador, mas que seja eficiente na saída de bola.

Isso faz parte de sua filosofia ofensiva, presente em todos os setores do campo. Os goleiros, por exemplo, são orientados a usar bastante os pés, seja para sair jogando ou para dar lançamentos que possibilitem pegar a defesa adversária desguarnecida. "No futebol de hoje, a participação do goleiro é muito importante", entende Micale.

A marcação sob pressão feita a partir dos atacantes visa tanto a possível retomada de bola perto do gol adversário como auxiliar os defensores. Afinal, o conceito de Micale é "atacar com 11 e defender com 11". 

A defesa da seleção olímpica, aliás, será alta. Ou seja: os jogadores vão se posicionar bem próximos da linha do meio de campo e, em algumas ocasiões, já no campo do adversário. "Nossa função é ir empurrando as linhas para a frente para que todos estejamos próximos", explica Douglas Santos.

Para isso, a dedicação de todos na marcação é fundamental. "O treinador nos passa confiança para jogar bastante adiantados, que o nosso goleiro será a sobra", diz Rodrigo Caio. "Mas não adianta jogar com linha alta e a marcação ser frouxa, o time não consegue sustentar", percebeu.

Dos atacantes, Rogério Micale pede rapidez, criatividade e movimentação – embora nessa semana de treinos Neymar, a estrela máxima da seleção, tenha ficado grande parte do tempo pela esquerda, num posicionamento igual ao do Barcelona.

Também quer tabelas em velocidade e as incentiva especialmente. No treino de domingo, após uma tabelinha do trio Neymar, Gabriel Barbosa e Gabriel Jesus que terminou em gol, ele não se conteve: "Isso, isso! Olha que coisa bonita! Aí eu vou invadir o campo para comemorar (se ocorrer no jogo)", entusiasmou-se.

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