Washington Alves|Divulgação
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Miguel Valente aceita ser 'esperança' nos Jogos Olímpicos

Nadador mira final olímpica nos 1.500 metros, prova em que o Brasil não tem referência há 16 anos

Nathalia Garcia, enviada especial a Belo Horizonte, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2016 | 07h02

Na Olimpíada do Rio, a natação brasileira voltará a ter representantes nos 1.500 metros livre depois de 16 anos de ausência. Os nomes de Miguel Valente e Brandonn Almeida, que obtiveram índice olímpico no Troféu Maria Lenk, mostram a evolução do País nas provas de fundo. Mas o retrospecto nacional é suficiente para deixar o nadador do Minas Tênis Clube com os pés no chão.

"Ainda estou longe dos primeiros tempos do mundo, meu objetivo é conseguir chegar a uma final e já ficarei bastante satisfeito com isso. Mostraria um crescimento do fundo do Brasil", afirma Miguel.

A última participação olímpica do País nos 1.500 m foi de Luiz Lima nos Jogos de Sidney, em 2000. Além disso, o Brasil não conta com uma dupla na prova mais longa da natação desde Cristiano Michelena e David Castro em Seul-1988. A responsabilidade é grande sobre os jovens nadadores.

Aos 23 anos, Miguel encara o desafio de maneira positiva. "Ficamos muito tempo sem referência na prova de fundo. Hoje vou assumir esse papel. A responsabilidade fica maior, mas será um prazer representar o Brasil", exalta. Apontado como esperança do País na categoria, Miguel não se diz pressionado pelo rótulo. "Fico bem tranquilo com isso, é um reconhecimento do meu trabalho. Até me motiva a chegar a ser o que o Cielo foi para os 50 m livre."

Dono da primeira medalha de ouro da natação brasileira nos Jogos Olímpicos, Cesar Cielo é admirado por Miguel por mostrar que o sonho está ao alcance de todos. A ausência do astro no Rio, contudo, é vista com naturalidade pelo atleta, que divide a piscina do clube com Ítalo Manzine, o algoz do astro. "Pode ser surpresa para muita gente, mas a gente sabia que o Ítalo podia conseguir, vendo o quanto é dedicado e focado."

A classificação para a Olimpíada deu um novo rumo para a carreira de Miguel. O nadador teve de trancar o curso de Engenharia de Controle e Automação na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) neste semestre. E os estudos sempre foram importantes na vida do nadador. Quando passou no vestibular, chegou a repensar a vida de atleta. Hoje tenta conciliar as duas atividades.

Para isso, conta com a ajuda dos pais em Belo Horizonte. O mimo da família é até motivo de piada entre os companheiros das piscinas. "Sou privilegiado de não precisar sair de casa para buscar alguma coisa a mais. Tem muita gente que vê lanche feito pela minha mãe e comenta, mas sei que tem um fundinho de inveja", brinca.

A partir do próximo domingo, Miguel se juntará à delegação em São Paulo para a aclimatação. E o nadador já sonha com a experiência olímpica. "Deve ser a mesma sensação de um jogador de futebol quando entra no Mineirão lotado", imagina.

 

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