Issei Kato/Reuters
Issei Kato/Reuters

Ministério da Saúde anuncia que atletas e credenciados serão vacinados para Tóquio-2020

Ao todo, serão imunizadas 1.814 pessoas, entre esportistas e não-esportistas; vacina são doações da Pfizer e da Sinovac ao COI

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2021 | 12h45

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, confirmou nesta terça-feira que o Brasil vacinará contra a covid-19 atletas, membros das comissões técnicas, dirigentes e credenciados que vão representar o Brasil nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio, no Japão. O programa foi aprovado pelo Plano Nacional de Imunização (PNI).

O imunizante será doado pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), que havia anunciado em março que receberia doações da China para aplicar em todos os atletas que disputarão os Jogos de Tóquio. E as doses serão fornecidas pelos laboratórios Pfizer e Sinovac. Pelo acordo divulgado anteriormente, o COI vai fornecer vacina para dois brasileiros não atletas a cada esportista vacinado.

Como a previsão é de que a delegação brasileira conte com 1.800 integrantes que viajarão para a capital japonesa, cerca de 7 mil doses adicionais serão doadas ao SUS pelo COI, o que beneficiaria aproximadamente 3.600 pessoas. Desde o início da aplicação dos imunizantes no Brasil, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) afirma que não iria "furar a fila" da vacinação.

"O COB sempre se posicionou a favor de seguir o Plano Nacional de Imunização. Além disso, só abrimos conversas sobre a possibilidade de imunizar a delegação quando confirmamos que, para cada atleta ou oficial vacinado, o país receberá mais duas doses para imunizar a população brasileira. Esta é uma grande contribuição do Movimento Olímpico neste momento tão difícil que o mundo enfrenta", disse Marco Antônio La Porta, vice-presidente do COB e chefe de Missão do comitê nos Jogos Olímpicos. "Mesmo sem a obrigatoriedade da vacina para a participação nos Jogos, não há dúvidas de que nos sentiremos mais seguros para representar o Brasil nos Jogos Olímpicos."

O ministro da Saúde confirmou ainda que foram doadas 4.050 vacinas da Pfizer e 8.000 da Sinovac. De acordo com Queiroga, a vacinação dos atletas já começará nesta semana, em Fortaleza, Rio de Janeiro e São Paulo. Belo Horizonte ainda não definiu a data do início, enquanto Porto Alegre e Brasília vão começar no dia 17.

O prazo-limite para a aplicação da segunda dose a todos os integrantes dos Jogos Tóquio 2020 é 21 de junho, a 15 dias do primeiro embarque para o Japão e a 33 da abertura dos Jogos Olímpicos.

Opiniões distintas

A vacinação divide a opinião dos especialistas. Daniel Y. Bargieri, professor do Instituto de Ciências Biomédicas da USP e coordenador do Núcleo de Pesquisas em Vacinas da USP, aprova a medida. “Há tempo hábil para completar a vacinação de todos com duas doses, seja qual for a vacina. A vacinação das equipes e atletas é necessária para a segurança individual deles, bem como para prevenir que o vírus se espalhe do Brasil para Tóquio e de Tóquio para outros países e para o Brasil (na volta)”, avalia.

Bargieri destaca que o tema é delicado, difícil de promover um consenso. “Cada grupo prioritário possui uma explicação lógica. Seja por nível de exposição (profissionais da linha de frente), seja por risco relativo (idosos e comorbidades), seja por importância percebida pela sociedade (professores). Afinal, a rigor trata-se de discriminação. Eu vejo atletas e equipes que irão representar o País no maior evento esportivo do mundo como um grupo prioritário. Além disso, há o fato de se tratar de esporte, que é uma atividade cuja importância no tecido social é frequentemente subestimada no Brasil. O número de doses destinadas terá impacto irrisório no PNI. Ou nenhum, dado que são doses doadas com este fim específico”, argumenta.

Natália Pasternak, microbiologista e presidente do Instituto Questão de Ciência (IQC), tem visão oposta. Ela critica, inclusive, a realização dos Jogos Olímpicos. “Não concordo nem que a Olimpíada seja realizada quanto mais que doses sejam destinadas aos atletas antes de outros grupos prioritários”, opina a especialista. “O mundo está doente. Até que esteja ele seja curado, não vejo razão em promover eventos com aglomerações de pessoas e viagens internacionais que envolvem não só os atletas, mas delegações dos países. É um problema de prioridades. Somos um País que estabelece como prioridade o esporte antes de vacinar os professores”, completa.

Para a especialista, o fato de as vacinas terem sido doadas pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) não minimiza o problema ético. “Existe um gargalo de produção mundial. Priorizar atletas e jornalistas quer dizer que estamos deixando de vacinar alguém em algum país onde milhares morrem por dia”, finaliza.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.