Marcos de Paula/Estadão - 26/7/11
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Ministério diminui produção cultural no Rio durante os Jogos

Eventos caem de 2 mil para 561 e Calero critica ‘discurso megalomaníaco’ de seu antecessor

Roberta Pennafort, Rio de Janeiro, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2016 | 05h00

A programação do Ministério da Cultura para a Olimpíada e a Paralimpíada foi reduzida de 2 mil para 561 eventos, o número de artistas envolvidos, de 10 mil para 2,1 mil, e o investimento caiu de R$ 85 milhões para R$ 50 milhões. As mudanças foram feitas após a posse do novo ministro, Marcelo Calero, há dois meses. Ele considerou caras as atrações anunciadas em maio pelo então ministro, Juca Ferreira.

Ao anunciar a nova agenda, Calero criticou o “discurso megalomaníaco” do antecessor. “A organização da gestão anterior tinha sido desastrosa. A três meses da Olimpíada, só havia um esboço de programação. Na prefeitura (ele foi secretário de Cultura do município do Rio até maio e trabalhou na costura dos eventos para os Jogos), lançamos o programa em agosto de 2015”, disse.

Calero refutou o emprego do termo “cancelamento”.

“A gente não ‘descontratou’ artistas. Você só cancela o que está celebrado. Quando chegamos, dos R$ 85 milhões anunciados, só R$ 9 milhões ou R$ 10 milhões estavam empenhados. Havia vários contratos mal feitos, frágeis do ponto de vista jurídico. Não estamos preocupados com números. A gente tem que parar com discursos megalomaníacos. É preciso dar dignidade à produção cultural.” 

No Facebook, Juca Ferreira vem rebatendo as críticas de Calero. Para ele, o sucessor é “arbitrário” e “incompetente”. Em março do ano passado, em encontro com produtores culturais, no Rio, o então ministro disse que a intenção do MinC ao montar a programação da Olimpíada era redimir a performance do governo durante a Copa do Mundo, em 2014: “O que apresentamos (na Copa) foi de dar vergonha, fomos muito incompetentes.”

O objetivo agora, segundo Calero, é “mostrar a diversidade cultural brasileira em toda sua riqueza e seu esplendor”. Foram contratados artistas do Rio, como o Jongo da Serrinha e o grupo Funk’n’lata, e de estados como Pernambuco (Jaraguá Mulungu Terno de Pífanos, Beth de Oxum e coco de umbigada, entre outros), Bahia (Graça Onasilê) e Rio Grande do Sul (Bandida DiDaDó). Artistas de sucesso comercial, como Mart’Nália, são exceção.

A Fundação Nacional de Artes (Funarte) pautou já a partir de hoje, quando será aberto o Festival Mundial de Circo, eventos de dança, teatro, música e artes visuais, que ocuparão a Escola Nacional de Circo (Praça da Bandeira, zona norte), o Teatro Cacilda Becker (Catete, zona sul) e o Teatro Dulcina (centro). Os principais museus federais, Museu Nacional de Belas Artes, da República e Histórico Nacional, apresentarão exposições no período, ligadas ou não à temática esportiva. As atrações vão se concentrar no período da Paralimpíada, de 3 a 18 de setembro. O MinC considerou que o da Olimpíada já está contemplado pelas 900 atrações marcadas pela prefeitura.

Os produtores dos projetos cancelados foram notificados nas últimas semanas e se ressentem dos gastos já assumidos. O italiano Giancarlo Neri, autor da instalação “Bar Paris”, composta por 1.415 cadeiras e 1.415 lâmpadas a serem espalhadas na Praça Paris (zona sul) foi um deles. “Ficamos presos por mais de dois meses nesta situação, que é claramente e exclusivamente política”, lamentou. 

Empresário da cantora Elza Soares, Jorge Chamon, concorda. Para ele, a mudança na programação tem motivação política. Elza cantará na abertura da Olimpíada, mas teve apresentação na Fundição Progresso, na Lapa, cancelada.

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