Kirill Kudryavtsev/AFP - 18/9/2015
Kirill Kudryavtsev/AFP - 18/9/2015

Ministro acha exclusão do atletismo russo dos Jogos do Rio possível

Rússia é acusada de doping 'sistemático' pela Wada

EFE

11 Novembro 2015 | 14h48

O ministro de Esportes da Rússia, Vitali Mutko, reconhece nesta quarta-feira a possibilidade de o atletismo do país ser excluído das competições internacionais, incluindo os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.

"Essa possibilidade existe já que é conveniente, por uma parte, de se descartar um concorrente direto e, pela outra, manchar a imagem do país", disse Mutko ao jornal Sovetski Sport.

Contudo, acrescentou o ministro, "embora em uma pequena porcentagem", a filosofia das atividades das organizações é o interesse do esporte e dos atletas. Por isso, se esse pensamento for levado em conta, Mutko descarta uma punição à Rússia.

Mutko deu as declarações antes de informar ao presidente russo, Vladimir Putin, das medidas adotadas após as denúncias da Agência Mundial Antidoping (Wada) sobre a existência de um sistema de doping com a conivência do governo do país.

"Os atletas não podem sofrer por aqueles que violaram alguma regra. Por isso, lutaremos contra isso. Que denúncias podem ser feitas contra Sergei Shubenkov (110 metros com barreiras), Masha Kuchina (salto em altura) e Dasha Klishina (salto em distância)? Ou Yelena Isinbayeva (salto com vara), que se prepara para a quinta participação em Jogos Olímpicos?"

O ministro disse respeitar as conclusões da comissão independente da Wada, mas rebateu o relatório divulgado pela entidade ao afirmar que "várias questões não estão sustentadas por dados e outras tantas são tendenciosas".

Putin, um grande fã de esporte, especialmente do judô e do esqui, se reunirá hoje com Mutko, o presidente do Comitê Olímpico Russo, Aleksandr Zhukov, e representantes das principais federações esportivas para abordar os preparativos para o Rio-2016.

Sobre as denúncias, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, desafiou a Wada a apresentar provas sobre a existência de um sistema institucionalizado de doping na Rússia similar ao da Alemanha Oriental.

"Se fazem alguma acusação, então ela deve vir acompanhada de algum tipo de prova. Até que elas sejam apresentadas, será difícil aceitar qualquer acusação. As denúncias são gratuitas", disse.

Deputados, funcionários e atletas relacionaram as acusações e a possível suspensão da Rússia com a atual conjuntura política, devido ao papel do país no conflito da Ucrânia e a anexação da Crimeia.

A Rússia teme um retorno dos tempos em que os Estados Unidos conseguiram fazer com que vários países ocidentais boicotassem os Jogos Olímpicos de 1980, em Moscou, após os soviéticos terem invadido o Afeganistão.

A comissão independente da Wada acusa a Rússia de estar envolvida em um escândalo que incluiria o encobrimento de testes positivos, a extorsão de atletas, o pagamento de subornos e a destruição de provas sobre o consumo de substâncias proibidas.

O senegalês Lamine Diack, ex-presidente da Federação Internacional de Atletismo (IAAF), também foi citado nas investigações por supostamente ter aceitado dinheiro russo para esconder exames positivos, o que o relatório chama de "sabotagem" aos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres.

 

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