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Ministro do Esporte pede diálogo com atletas da canoagem

George Hilton dá conselho ao presidente da CBCa, João Tomasini

Almir Leite, O Estado de S. Paulo

09 de setembro de 2015 | 11h02

O ministro do Esporte, George Hilton, recomendou ao presidente da Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa), João Tomasini, que seja mais flexível nas conversas com os atletas que se rebelaram contra a forma de repasse da verba a que têm direito por participarem do programa olímpicoNa última sexta-feira, Isaquias Queiroz, Erlon Silva, Nivalter Santos e Ronilson Oliveira se negaram a competir em um evento-teste para a Olimpíada realizado no Rio, protestando contra o que entendem ser falta de transparência da confederação.

"Liguei para o Tomasini e falei que ele precisa ter diálogo com os atletas. Não dá para ficar brigando com quem está conseguindo resultados expressivos para o nosso esporte, dando alegrias", disse Hilton nesta quarta-feira em São Paulo, durante o 5° Fórum Nacional do Esporte, promovido pelo Lide, grupo de líderes empresariais.

A confusão é consequência do convênio entre BNDES e CBCa, pelo qual a instituição governamental repassa à confederação os recursos a serem pagos aos atletas. Mas eles não recebem o dinheiro do BNDES há oito meses - o COB assumiu os repasses - e, por isso, se recusaram a usar uniformes com o logotipo do banco de desenvolvimento e não competiram.

A atitude dos atletas acabou gerando um bate-boca entre eles e Tomasini, que argumenta que o BNDES não fez os pagamentos em consequência do atraso da licença ambiental da prefeitura de Lagoa Santa (MG), local onde foi desenvolvido o projeto e onde os atletas treinam. Mas o dirigente diz não há dívidas com os canoistas. De acordo com o ministro, Tomasini entendeu o recado e vai adotar um tom conciliador. "Vai ficar tudo bem", acredita. 

No Fórum, o ministro falou do Sistema Nacional do Esporte, projeto que se propõe a fomentar a prática esportiva no Brasil desde a base até o alto rendimento. Hilton pretende mandar o texto ao Congresso no mês de outubro e diz que sua implantação com sucesso passa pelo envolvimento da iniciativa privada e da definição da responsabilidade dos três níveis de governo - federal, estaduais e municipais. "Essa união de forças entre o público e o privado vai permitir a massificação do esporte em todo o nosso território.''

Segundo o ministro, esse lei de diretrizes para o esporte vai ter os mesmos moldes da Lei de Diretrizes da Educação e, entre outros pontos, vai estabelecer metas para serem atingidas em determinado prazo - 10 anos poderá ser a referência. George Hilton explicou que no momento a comissão que trabalha no projeto já definiu padrões de gestão e está discutindo como será feito o financiamento.

Hilton também minimizou as críticas de vários atletas e dirigentes estrangeiros às águas da Baía de Guanabara em eventos-teste realizados recentemente. "Não houve prova de que os atletas passaram mal por causa da poluição das águas. O importante é que estamos trabalhando juntos com as autoridades do Rio e temos certeza de que às águas estarão aptas tanto para os eventos-teste como para os Jogos."


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