Fabio Motta|Estadão
Fabio Motta|Estadão

Missão de Caio Bonfim é popularizar a marcha atlética no Brasil

Atleta pretende disputar as provas de 20 km e 50 km na Olimpíada

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

14 de maio de 2016 | 17h02

Caio Bonfim vem de uma família de atletas e foi criado para ser um destaque na marcha atlética. Aos 25 anos, ele tem alcançado bons resultados e sonha brilhar nos Jogos do Rio após ter tido uma experiência importante na Olimpíada de Londres. "Foi importante estar lá, venho desde aquela época treinando para chegar bem no Rio. Tomara que consiga um bom resultado. Os 20 mais bem colocados do ranking mundial vão brigar pelo ouro no Rio", diz.

Ele pretende disputar as provas de 20 km e 50 km na marcha atlética na Olimpíada e vê seu corpo preparado para o desafio. Caio conta que, como a distância mais curta vem antes no calendário dos Jogos, ele dará seu máximo para tentar uma medalha e depois vai buscar uma boa colocação nos 50 km. "Minha prioridade será a prova de 20 km, mas eu me recupero rápido para a outra disputa", avisa.

O atleta lembra que muitos competidores jovens começaram a praticar a distância de 50 km e com isso melhoraram na prova mais curta. "A gente sabia que o segredo estava aí, no método de treinamento. Então aumentamos esse volume. No final do ano fui fazer os 50 km e fiz o índice logo na primeira tentativa."

Ele sempre fala no coletivo, usando "a gente" ou "nós". Isso porque tem uma grande influência do pai João e da mãe Gianetti, que foi heptacampeã nacional consecutiva na marcha. Eles são seus treinadores e maiores incentivadores. "Eles tinham um alto nível e foram me colocando lá em cima também. Todo esse legado é dos meus pais."

Claro que Caio passou por diversas dificuldades, principalmente com falta de patrocínio, mas garante que nunca pensou em desistir do sonho. "Aqui em casa a gente tem um perfil de lutar, de não desistir. Minha mãe nunca largou e ela teve mais dificuldade do que eu tive. Por ser mulher, tinha um preconceito enorme por 'rebolar', além da falta de investimento e patrocínio. Quando ela entrou no atletismo, tinha preconceito com a marcha muito grande. Ela veio quebrando muita coisa e facilitou para mim", afirma.

Por isso, Caio tem uma missão: popularizar a marcha atlética no Brasil. Ele sabe que em diversos países não existe preconceito ou piadinhas com os praticantes. "Não é só na Europa ou EUA, mas se vai na Colômbia ou Equador não tem essa discriminação. E como popularizar a marcha? Com títulos e grandes resultados. É o que a gente vem tentando fazer. Quero mostrar para população que há outra modalidade que dá para ser praticada, que dá oportunidade aos jovens e é legal."

Nos Jogos do Rio, ele terá a chance de mostrar que todo o esforço da família valeu a pena. "É um grande sonho que a gente está vivendo. Quero fazer bonito e acho que chegou a hora", projeta o atleta.

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