Eduard Folkes|Reuters
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Missy Franklin quer 'diversão' na Olimpíada

Nadadora americana soma cinco medalhas e disputará duas modalidades nos Jogos na capital fluminense

Alessandro da Mata, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2016 | 05h45

Missy Franklin é uma fominha. Já experimentou futebol, basquetebol, voleibol, tênis, ginástica e até patinação. Tudo antes de ganhar cinco medalhas na natação, em apenas uma edição olímpica. No Rio de Janeiro, ela virá para se “divertir”.

A influência para a prática de esportes partiu de seu pai, um ex-jogador de futebol, com participações por times universitárias do Canadá. O relacionamento dele com a mãe de Missy surgiu na juventude, quando ela cursava medicina. Mal sabia o casal que o ambiente de universidade tão presente em casa teria também consequências importantes nas escolhas da filha.

A trajetória de Missy nas piscinas ganhou ênfase de maneira precoce. Logo aos 12 anos, ela participou da seletiva americana para a Olimpíada de Pequim, na China, em 2008. Um “vestibular” do que estava por vir.

Em 2011, com a vitória no campeonato americano de natação, nas provas de 100 metros costas e estilo livre, a adolescente foi eleita a melhor atleta do ano pela Federação Internacional de Natação (FINA). 

O sucesso e a fama repentinas não tiraram Missy do foco. Ela ganhou notoriedade mundial, definitivamente, nos Jogos de Londres, na Inglaterra, em 2012. A nadadora obteve o ouro nos 100 e 200 metros costas e também nos 4 x 100 e 4 x 200 metros medley, além de uma prata nos 4 x 100 metros livres. Esse início avassalador rendeu comparações imediatas com Michael Phelps, atual recordista mundial de medalhas olímpicas: 22. 

Mesmo com inúmeras propostas de patrocinadores e milhões de dólares batendo à porta, Missy surpreendeu a todos quando partiu para objetivos paralelos de vida. Ainda em 2012, ela entrou para a Universidade de Berkeley, na Califórnia, nos Estados Unidos. A nadadora pretende ser psicóloga e trabalhar com a educação infantil no futuro. A conclusão de um de curso de biologia celular e molecular, com especialização em imunologia, está entre os feitos comemorados por ela. 

Frente ao assédio forte inclusive da mídia, Missy gravou um documentário no ano seguinte, em exaltação à força emocional e física da mulher. Ela fez uma participação em um seriado americano e também em um filme, uma comédia.

Ainda em 2013, Missy ganhou seis medalhas de ouro no Campeonato Mundial de Natação, em Barcelona, na Espanha. Um recorde de primeiros lugares entre as mulheres na história da competição. No ano seguinte, ela recebeu o prêmio Laureus, o Oscar do esporte, como a melhor atleta feminina. 

A sequência de títulos continuou nos campeonatos nacionais e no National Collegiate Athletic Association (NCAA), os jogos universitários americanos. Com recordes atrás de recordes nas piscinas, em diversas modalidades, ano a ano. 

Para os Jogos do Rio, Missy trancou o curso na universidade e adotou há cerca de um ano um ritmo maior nos treinos. Ela também cedeu aos apelos dos patrocinadores e tem frequentado eventos, sessões de fotos para revistas e entrevistas para veículos de comunicação de massa. A série de compromissos inclui a produção de um livro, escrito em parceria com os pais, com data de publicação prevista para 6 de dezembro deste ano.

Com tantas tarefas e pressão, Missy perdeu o sono. Sua mãe lhe fez companhia na cama, durante madrugadas, na reta final de preparação para a seletiva americana com vistas à competição na Cidade Maravilhosa. Entre o final de junho e deste mês, ela só conseguiu em Omaha a classificação para os 200 metros nado livre e costas. Motivo para frustração? Nem um pouco, procura demonstrar a nadadora.

Nos últimos dias, Missy brincou com o suposto novo papel nos Jogos do Rio: o de ser mera colaboradora da equipe olímpica americana. De toda forma, ela prometeu prestigiar as companheiras nas arquibancadas. 

A nadadora também reforçou o fascínio com a possibilidade de “mergulhar” nas belezas naturais e nas demais oportunidades de lazer na capital carioca. 

A multicampeã parece aberta às novas experiências. Mas sem perder o bom humor e o posto de uma das melhores nadadoras do mundo.

 

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