Lindsey Wasson|Reuters
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Momentos que ficarão na história nos Jogos Olímpicos de Tóquio

Da pira acesa às revelações de Simone Biles num Jogos Olímpicos inesquecíveis

Robson Morelli , O Estado de S.Paulo

Atualizado

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Os Jogos Olímpicos de Tóquio tinham tudo para dar errado. Antes de uma avaliação esportiva, a disputa teve de enfrentar inúmeras barreiras. A primeira delas foi sobreviver ao ano a mais que ganhou por causa da pandemia, de 2020 para 2021. Depois, teve de sobreviver à fúria do povo japonês, que não queria a competição no seu quintal com o aumento da covid-19 e a entrada de estrangeiros no país. Entre sua idealização e a cerimônia de abertura, uma série de contratempos foram sendo revelados e superados, do afastamento de membros importantes do Comitê Organizador por preconceitos à determinação de disputar as provas sem público, sem gente, sem alegria.

Mas se o Comitê Olímpico Internacional (COI), na voz do poderoso Thomas Bach, seu presidente, peitou todas as adversidades para fazer cumprir seu acordo com o Japão e seus investidores, os atletas trataram de fazer o resto.

O que se viu nas provas de Tóquio foi uma verdade demonstração de profissionalismo, engajamento, respeito na maioria das vezes pelos participantes e muita vontade de querer subir ao pódio. O esporte tem esse poder, de alegrar e despertar interesse dos mais incrédulos. O horário da madrugada no Brasil, que parecia ser um empecilho para o torcedor, acabou sendo um alento aos que tinham de trabalhar durante o dia e se entregar às modalidades depois do expediente, mesmo que se no dia seguinte tivessem de se desdobrar para manter os olhos abertos e esconder com as mãos os bocejos seguidos.

Mais uma vez, o esporte reuniu tribos e deu às pessoas algo para elas se juntarem. Pelo menos no Brasil foi assim. As tradicionais reuniões foram contidas devido à pandemia, mas o torcedor não deixou de se expressar sobre as conquistas e os fracassos. As redes sociais se transformaram em arquibancadas virtuais, palcos de choradeiras, comemorações e também de muita reclamação. A torcida brasileira não aliviou para a arbitragem dos Jogos. E olha que não era o ‘mimimi’ do futebol, como acontece em quase todas as rodadas do Campeonato Brasileiro, por exemplo. O VAR foi chamado para reavaliar notas no surfe, no skate e revisar imagens de golpes do judô. Talvez nunca antes na história dos Jogos Olímpicos isso tenha acontecido dessa forma.

As disputas reservaram momentos inesquecíveis em muitas modalidades. A cena de Djokovic quebrando sua raquete está registrada. O número 1 do mundo perdeu o controle quando viu que não tinha mais chances de pódio. Mas foi a estrela Simone Biles a deixar o maior recado ao mundo nestes Jogos. Ela simplesmente deixou de competir porque estava sendo pressionada demais, não estava se divertindo, corpo e mente não falavam mais a mesma língua. Travou depois de se classificar em todas as provas finais da ginástica artística. “A saúde mental vem em primeiro lugar porque se você não se diverte no seu esporte, você não consegue fazer as coisas que você gostaria. Preciso me concentrar no meu bem-estar, há vida além da ginástica. Infelizmente aconteceu nesse palco. Esses Jogos Olímpicos têm sido muito estressantes. Tivemos um longo ano em uma preparação olímpica também longa. Não temos público. Estamos todos muito estressados. 

Nós deveríamos estar nos divertindo, mas não é o caso”, disse a atleta americana, abrindo um caminho para novas discussões sobre temas ‘tabus’ na sociedade.

Alegria e tristeza andaram juntas em Tóquio. O mundo acompanhou o que há de melhor e mais competitivo no esporte mundial, com seus heróis e dramas que jamais serão esquecidos. Houve quedas, tombos, choros, como da brasileira Érica Sena, da marcha atlética, punida cerca de 400 metros antes da linha de chegada de uma prova de 20km por ter cometido três faltas. Era bronze e poderia ter sido prata.

O ‘espírito olímpico’ foi reafirmado na divisão de medalhas no salto em altura entre italiano Gianmarco Tamberi e o catari Mutaz Essa Barshim. Ambos ficaram com o ouro. E assim foi.

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