Yasuyoshi Chiba/AFP
Yasuyoshi Chiba/AFP

Moradores do Sudeste são os mais pessimistas

'O Sudeste está mais crítico com tudo', diz CEO do Ibope

Rodrigo Burgarelli, O ESTADO DE S.PAULO

27 de julho de 2016 | 05h00

A baixa expectativa com os Jogos Olímpicos não é exclusiva de nenhum grupo social. Todos os recortes demográficos feitos pelo Ibope mostram resultados parecidos, seja por sexo, escolaridade e renda. A única exceção, no entanto, é o recorte regional. Os moradores do Sudeste são os mais pessimistas em relação ao legado da Olimpíada e os menos empolgados com o início da competição.

Enquanto 52% dos moradores do Norte, Centro-Oeste e Nordeste acham que o evento vai trazer mais prejuízos que benefícios, esse número sobe para 66% entre habitantes das regiões Sul e Sudeste, segundo o relatório da pesquisa do Ibope.

Outro número que exemplifica o mal humor regional com os jogos é o do “termômetro”, que mede o ânimo dos brasileiros em relação ao evento. Só 15% dos entrevistados nas regiões Norte e Centro-Oeste, por exemplo, afirmam estarem “gelados” em referência ao início da Olimpíada. No Sudeste, região onde acontecerá a maior parte das disputas, esse porcentual é de 30% – o maior entre todas as áreas do País.

A situação não é diferente quando é avaliado apenas o benefício à cidade do Rio. A população brasileira se divide pela metade em relação a essa pergunta: 46% acha que a capital fluminense sairá ganhando, enquanto 47% acredita que os prejuízos serão maiores. O resultado, portanto, é um empate, já que está dentro da margem de erro de 2% da pesquisa.

Os moradores do Sudeste são bem mais pessimistas que a média ao responder essa pergunta. 54% afirmaram acreditar que haverá mais prejuízo com a realização dos jogos, e apenas 41% disseram que os benefícios valeriam a pena.

“Uma hipótese para explicar isso é que o Sudeste está mais crítico com tudo. Está mais impaciente e menos intolerante por causa da crise econômica e política. Outra hipótese é a proximidade com o evento, que pode gerar uma impressão de que se está gastando dinheiro público com a Olimpíada que deveria ter ido para a saúde, por exemplo”, explica a CEO do Ibope Inteligência, Márcia Cavallari.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.