Mortes, prisões e protestos no Tibet mancham Olimpíada na China

Ao menos duas pessoas morreram em novosprotestos na parte tibetana do oeste da China, afirmaramrelatos divulgados na terça-feira, enquanto as autoridadeschinesas realizavam prisões na capital do Tibet, Lhasa, a fimde reforçar o controle sobre a região. Meios de comunicação oficiais disseram que um policial foimorto, e o Centro Tibetano dos Direitos Humanos e daDemocracia, uma organização que funciona no exílio, relatou queum manifestante tibetano morreu após receber tiros e que outroficou gravemente ferido em meio a distúrbios no distrito deGanzi, área tibetana da Província de Sichuan. "A polícia viu-se obrigada a dar tiros de advertência edispersou os arruaceiros criminosos", afirmou um breve relatoda agência de notícias Xinhua, sem mencionar a morte demanifestantes, que teriam atacado usando facas e pedras. As notícias mais recentes sobre os distúrbios e as prisõessurgem depois de manifestantes terem atrapalhado a cerimônia naGrécia em que se acendeu a tocha dos Jogos Olímpicos de Pequim,um ato que Qin Gang, porta-voz do Ministério das RelaçõesExteriores da China, considerou "desonroso". O governo chinês esperava que a passagem da tocha porvários locais do mundo e do país antes das próximas Olimpíadas,que começam no dia 8 de agosto, serviria para corroborar suaunidade nacional. Ao invés disso, o evento encontra-se imerso em uma guerrade palavras entre a China de um lado e o Dalai Lama, líderespiritual do budismo tibetano, e seus simpatizantes do outro. O governo chinês acusou o Dalai Lama, vencedor do Nobel daPaz, de arquitetar as manifestações dos monges em Lhasa edepois os motins anti-China ocorridos ali, na metade de março,e nos quais 19 pessoas teriam morrido. Desde então, as regiões tibetanas do oeste da Chinaassistem a manifestações, apesar do grande número de policiaise soldados enviados para lá. O Dalai Lama, 72 anos, nega estar por trás da onda deinstabilidade, e o governo que comanda no exílio afirma que 140pessoas morreram desde o início dos conflitos. O governo chinês, dominado pelo Partido Comunista e quecontrola o Tibet desde 1950, impede os jornalistas estrangeirosde ingressarem na região. LEÃO DA MONTANHA Em Lhasa, 13 pessoas foram presas devido a uma manifestaçãode 10 de março, afirmou o Tibet Daily, no primeiro anúnciosobre punições para os envolvidos naquela passeata pacífica. Os manifestantes gritaram palavras de ordem e mostraram aimagem de leões da montanha, disse o jornal. O leão da montanha é visto como um símbolo da luta do Tibetpara conseguir independência da China. A passeata ocorreu noaniversário do levante malsucedido de 1959, lançado contra adominação chinesa. Segundo Nicholas Bequelin, do Human Rights Watch, a prisãode manifestantes aparentemente pacíficos marcava umareviravolta nas ações de segurança no Tibet. "Esse relato oficial dá crédito à alegação de que asmanifestações em Lhasa começaram de forma pacífica e apenas nosdias subsequentes, depois de várias ações de repressãopolicial, tornaram-se violentas", afirmou Bequelin. A continuidade dos distúrbios -- e a resposta da China aeles -- aumenta as chances de o governo chinês ser alvo deprotestos no cenário internacional à medida que a tochaolímpica circular pelo globo. Manifestantes tentaram atrapalhar a cerimônia deacendimento da tocha, na Grécia, na segunda-feira, episódioesse que os meios de comunicação oficiais da China nãomencionaram, descrevendo o evento como o "início perfeito docaminho rumo ao ouro". (Reportagem adicional de Emma Graham-Harrison em Pequim, eKrittivas Mukherjee em Nova Délhi) REUTERS FE

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