Marcello Zambrana
Marcello Zambrana

Mundial de Judô define as últimas vagas brasileiras para os Jogos de Tóquio

Algumas categorias de peso estão com disputas bem acirradas e torneio pode ser o fiel da balança na definição

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2021 | 16h03

O Mundial de Judô começa neste domingo, 6, em Budapeste (Hungria), como um termômetro para a competição olímpica da modalidade nos Jogos de Tóquio, mas também como a última chance para alguns brasileiros carimbarem suas vagas (o evento terá transmissão pelo Canal Olímpico do Brasil). Em quatro categorias (63kg e +78kg no feminino, e 100kg e +100kg no masculino) a disputa está acirrada e o desempenho no Mundial pode ser determinante para a definição - a Confederação Brasileira de Judô (CBJ) já avisou que em disputas equilibradas o ranking não será o único critério de definição.

Se apenas um judoca nacional estiver entre os 18 mais bem colocados no ranking olímpico, a vaga será dele. Se tiver mais atletas no top 18, mas apenas um entre os 8 (seria cabeça-de-chave) ou a diferença de posições for superior a seis, também garante a classificação. Mas existem algumas categorias nas quais a disputa está embolada, ainda mais às vésperas de um torneio que dá muitos pontos a quem for bem.

Entre os pesados, o duelo será decidido nos detalhes, a menos que um dos atletas vá muito bem no Mundial e o outro vá muito mal. No masculino, Rafael Silva, o Baby, ocupa a sétima posição no ranking olímpico e David Moura está em 11º. A diferença é de 642 pontos, mas a medalha de ouro no Mundial garante 2 mil pontos ao campeão. Então a disputa está aberta. "Eu estou atrás na pontuação e na minha cabeça o Mundial é o que pode mudar tudo", avisou David.

Caso ele e Baby fiquem em posições próximas e entre os melhores do mundo, outros critérios serão avaliados, como resultados em eventos recentes, vitórias sobre os atletas mais fortes da categoria e retrospecto no confronto direto, entre outros. "Esse é meu último Mundial e quero buscar uma medalha para garantir minha vaga no Japão. Nunca estive tão bem preparado e maduro. Chegou a hora de ganhar outra medalha nesta competição", afirmou o judoca, que foi medalha de prata no Mundial de 2017.

No feminino, na categoria acima de 78kg, Maria Suelen Altheman está em sexto e Beatriz Souza está em sétimo. A diferença de pontos é mínima, de 428. Dependendo do desempenho de ambas no Mundial, é bem possível que a definição da vaga seja decidida pelos critérios estipulados pela Gestão de Alto Rendimento da CBJ. Outras disputas acirradas em Budapeste serão entre Ketleyn Quadros e Aléxia Castilhos, na categoria até 63kg, e Leonardo Gonçalves e Rafael Buzacarini, na categoria até 100kg.

"Apesar das incertezas e desafios gerados pelo contexto da pandemia, a CBJ, em parceria com o COB, conseguiu oferecer aos atletas condições de treinamento em ambiente controlado em Pindamonhangaba, além de treinamentos de campo com europeus no Kosovo, na Geórgia e na Rússia, onde treinamos com as seleções do Azerbaijão, Japão, Cazaquistão e Grécia. Esperamos alcançar nossos objetivos nesse Mundial. Queremos melhorar o ranking das categorias que ainda estão fora da zona de classificação olímpica e definir as disputas internas pelas vagas do Brasil", avisou Ney Wilson Pereira, gestor de Alto Rendimento da CBJ.

Retorno

O Mundial de Judô marca ainda a volta de Mayra Aguiar, principal esperança de medalha do Brasil nos Jogos Olímpicos. Ela foi submetida a uma cirurgia no joelho esquerdo em setembro do ano passado, ficou afastada dos tatames, mas agora está de volta. Mesmo sendo ausência em algumas competições, a atleta se manteve na zona de classificação olímpica e tem tudo para melhorar seu ranking no torneio em Budapeste.

A judoca garante que o aspecto emocional pode ser um fator decisivo para se dar bem no Mundial e nos Jogos de Tóquio. "A minha cabeça está muito fortalecida, estou muito bem psicologicamente. E eu sei que esse vai ter que ser o meu diferencial, porque lá na hora, as minhas adversárias vão estar melhor tecnicamente e fisicamente, mas a minha cabeça vai estar melhor", avisou.

SELEÇÃO BRASILEIRA DE JUDÔ - MUNDIAL DE BUDAPESTE 2021 

FEMININA

48kg - Gabriela Chibana (EC Pinheiros/FPJudo)

52kg - Larissa Pimenta (EC Pinheiros/FPJudo)

57kg - Ketelyn Nascimento (EC Pinheiros/FPJudo)

63kg - Ketleyn Quadros (Sogipa/FGJ)

63kg - Aléxia Castilhos (Sogipa/FGJ)

70kg - Maria Portela (Sogipa/FGJ)

78kg - Mayra Aguiar (Sogipa/FGJ)

+78kg - Maria Suelen Altheman (EC Pinheiros/FPJudo)

+78kg - Beatriz Souza (EC Pinheiros/FPJudo)

MASCULINA

60kg - Eric Takabatake (EC Pinheiros/FPJudo)

66kg - Daniel Cargnin (Sogipa/FGJ)

73kg - Eduardo Katsuhiro Barbosa (Clube Paineiras do Morumby/FPJudo)

81kg - Eduardo Yudy Santos (EC Pinheiros/FPJudo)

90kg - Rafael Macedo (Sogipa/FGJ)

100kg - Rafael Buzacarini (Clube Paineiras do Morumby/FPJudo)

100kg - Leonardo Gonçalves (Sogipa/FGJ)

+100kg - Rafael Silva "Baby" (EC Pinheiros/FPJudo)

+100kg - David Moura (Instituto Reação/FJERJ)

PROGRAMAÇÃO DO CAMPEONATO MUNDIAL DE BUDAPESTE 2021

6/6 - 48kg e 60kg

7/6 - 52kg e 66kg

8/6 - 57kg e 73kg

9/6 - 63kg e 81kg

10/6 - 70kg e 90kg

11/6 - 78kg e 100kg

12/6 - +78kg e +100kg

13/6 - Equipes Mistas 

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