Mark Humphrey/ AP
Mark Humphrey/ AP

Michel Temer é vaiado ao declarar abertos os Jogos do Rio

Maracanã volta a ser palco de protesto, repetindo o Pan Americano de 2007, a Copa das Confederações de 2013 e na Copa do Mundo

Jamil Chade, enviado especial ao Rio, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2016 | 20h56

O discurso do COI era um apelo à tolerância. Mas, na abertura dos Jogos Olímpicos, o presidente interino, Michel Temer, foi alvo de vaias do público. As vaias chegaram a abafar a voz de Temer no único momento que tomou a palavra para dizer “Declaro abertos os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.” 

O Maracanã voltou a ser palco de protesto, repetindo o que já havia ocorrido com chefes de estado brasileiros no Pan Americano de 2007, na Copa das Confederações de 2013 e na Copa do Mundo. 

Na “Olimpíada a la Brasil”, a cerimônia pediu tolerância no mundo, o respeito pela diversidade e a defesa de causas sociais. O evento foi transmitido para 3 bilhões de pessoas. 

O Estado entrou no camarote presidencial, onde o Palácio do Planalto preencheu locais que deveriam ter sido preenchidos por líderes internacionais por ministros do governo. 

O nome de Temer não foi anunciado no início do evento e apenas os auto falantes destacaram a presença do presidente do COI, Thomas Bach. No programa, a entidade também eliminou a referencia ao presidente brasileiro. Em seu discurso, Bach citou o presidente da Rio2016, Carlos Arthur Nuzman, e Ban Ki Moon. Mas omitiu Temer e fez apenas uma referência geral às autoridades brasileiras”.

Carlos Arthur Nuzman também foi vaiado quando citou o governo federal, estadual e municipal. Mas indicou que o evento iria dar ao Brasil “paz e união”. 

O Palácio do Planalto disse que, como o evento é do COI, a programação foi montada pela entidade. No Rio, fontes do COI confirmaram ao Estado que a omissão foi “negociada”. 

O cuidado protocolar também era notado. Faltava uma hora e meia para o começo do evento. Acompanhado por duas pessoas de seu protocolo, Bach foi até a tribuna de honra do Maracanã para conferir onde cada um dos chefes de estado se sentariam e garantir que não haveria contratempos e nem inimigos políticos sentados pertos. 

O cuidado não era por acaso, diante da situação política do País. Para não ter de chamar Michel Temer de presidente interino, Bach apenas saudou as “autoridades brasileiras” em seu discurso.

Temer chegou minutos antes do início do evento e se sentou ao lado de Ban Ki Moon e Bach. Os demais chefes de estado, porém, ficaram mais distantes. 

Em seu discurso, o alemão voltou a citar o fato de haver “um momento muito difícil na história do Brasil”. Mas complementou: “será uma Olimpíada a la Brasil”. “Sempre acreditamos em vocês”, disse.

REFUGIADOS 

Em um evento com uma forte marca política, o primeiro a falar foi o secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon. Em mensagem em vídeo, ele pediu que as “armas se silenciem” e que as divisões sejam superadas. Meio ambiente, refugiados e questões sociais também fizeram parte do programa. 

Para Bach, a equipe de refugiados nos Jogos está “mandando uma mensagem de esperança”. “Vocês tiveram de fugir por conta violência, fome ou somente porque eram diferentes”, disse. “Queremos a unidade na diversidade”, insistiu Bach. 

“Estamos vivendo em um mundo de crises, de falta de confiança e incerteza”, disse o alemão. Uma resposta a esse fato é aque “10 mil atletas de tudo o mundo estão hoje vivendo em paz na Vila Olímpica”.

“Nesse mundo olímpico, somos todos iguais. Nesse mundo olímpico, vemos o valor da humanidade compartilhada e que somos mais fortes quando estamos unidos que quando estamos divididos”, afirmou .

VAZIO

No total, 45 chefes de estado e de governos viajaram ate o Brasil para o evento. O número é bem inferior ao que foi registrado ha quatro anos, em Londres. O resultado foi uma ala parcialmente vazia para os dignitários. 

Por momentos, Temer chegou a não ter ninguém em seu lado esquerdo. O governo chamou alguns dos chefes de estado e ministros estrangeiros para se sentar na área mais nobre da tribuna. Nem assim encheu. 

Nuzman tentou concluir a cerimônia em tom positivo. “Hoje, o mundo é carioca”, disse “Nunca desistimos. Esse era um sonho. Hoje, é uma realidade. Os filhos do Brasil não fogem à luta. São fortes. Nasce hoje um mundo novo”, concluiu o presidente do COB.

 

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