Fabio Motta|Estadão
'Tive de aprender a ser mãe, atleta e mulher', conta Tandara Fabio Motta|Estadão

Olimpíada coloca mães e atletas no mesmo sonho

Esportistas prometem retribuir carinho com dedicação e boas atuações

Antonio Pita e Marcio Dolzan, O Estado de S. Paulo

08 de maio de 2016 | 07h00

Este domingo é um dia particularmente especial para as mães de atletas olímpicos, quase todas ansiosas para ver os filhos em ação nos Jogos do Rio. E é também especial para aquelas atletas que, no decorrer deste ciclo olímpico, tiveram seus primeiros filhos e precisaram mudar suas rotinas.

Correndo contra o tempo na preparação para o Grand Prix e para a Olimpíada, a jogadora de vôlei Tandara conta com a ajuda da pequena Maria Clara, de oito meses, para conciliar o treino com a nova rotina de mãe. "Tive de aprender a ser mãe, atleta e mulher", conta a oposto. Ela está concentrada com a equipe e com a filha em Saquarema.

A atleta voltou aos treinos apenas 30 dias após o parto humanizado, feito em casa, em Minas Gerais, em setembro. Para facilitar a retomada aos treinos, Tandara não parou as atividades físicas até o nascimento da filha: fazia caminhadas diárias de cinco quilômetros, além de pilates, musculação e corridas até o sexto mês de gestação.

A remadora Fernanda Nunes diz que sua rotina mudou muito desde a chegada do filho Bento, em 2012. O início dos treinos foi adiado em uma hora e o descanso ficou comprometido. "Tive de começar a me programar para poder descansar. E os finais de semana se tornaram mais voltados para o treino pela manhã e o restante com meu filho",explica a atleta do Flamengo. "Nos Jogos, estarei imersa no meu objetivo e para isso tenho de estar tranquila, sabendo que meu filho está seguro. Já estou me organizando."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Rose empurrará Thiago Pereira na piscina aos gritos coletivos

Mãe traça estratégia na torcida para os Jogos Olímpicos

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

08 de maio de 2016 | 07h00

O grito 'vai, Thiago' de Rose Vilela, uma vez solitário na arquibancada, vai virar coro no Estádio Aquático nos Jogos Olímpicos do Rio. A torcida da mãe do nadador Thiago Pereira tem ritmo, energia e emoção. É até difícil saber quem fica mais cansado ao fim da prova. A dor muscular de Rose vem acompanhada de orgulho e de boas lembranças. 

Aos 13 anos, Thiago saiu de Volta Redonda para sua primeira competição longe de casa. Antes de cair na piscina, chamou a mãe e, com um choro discreto, disse que queria desistir. Rose deixou a decisão nas mãos do jovem, que acabou enfrentando o desafio. "Se naquele primeiro desafio eu tivesse dito para ele nadar, talvez eu já o tivesse perdido. Eu nunca tive uma tabela de índice na mão, nem um cronômetro. Essa não era minha função", afirma. 

O papel hoje é ser guardiã das 724 medalhas de Thiago. A única que fica longe de sua tutela é a prata dos 400 metros medley conquistada nos Jogos Olímpicos de Londres. Rose teve de se contentar com uma réplica, que ganhou de presente de Natal, em 2012.

Protetora, a mãe admite que foi difícil ver o adolescente sair de casa. Aos 16 anos, Thiago Pereira passou a integrar a equipe do Minas Tênis Clube, em Belo Horizonte. "A gente saiu com o carro e eu fiquei olhando pelo retrovisor. Ele só tinha de atravessar a rua para treinar. Se olhasse para trás, ia levá-lo de volta para casa. Ele não olhou", conta.

Thiago passou a viver em uma república, com colegas mais velhos. Sem disponibilidade para ir com frequência à capital mineira, Rose ficava bastante preocupada com o filho e teve o auxílio dos psicólogos do clube para acalmar os ânimos. "Eu ficava meio desesperada, ligava sempre para as psicólogas do Minas, tive muita gente me ajudando", explica. 

Com o passar do tempo, aprendeu a conviver com a saudade e, apesar da distância, continua sendo um ombro amigo para o filho. "Meu trintão é um menino", brinca. Rose acredita que, quando se deu conta, ele já era "do mundo". Para os Jogos Olímpicos do Rio, a confiança é inabalável. Ao comparar o filho aos principais rivais - Michael Phelps, Ryan Lochte e László Cseh - ela não titubeia: "O Thiago nada mais bonito". E garante: "Não é olhar de mãe."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Elisa passa madrugadas vendo jogos de Calderano pela internet

Mãe assiste às partidas do filho, que mora na Alemanha

Marcio Dolzan, O Estado de S. Paulo

08 de maio de 2016 | 07h00

Mãe do mesa-tenista Hugo Calderano, a professora Elisa Borges vibra com o fato de conseguir comemorar seu dia ao lado do filho. "A gente perdeu a conta do último Dia das Mães que passamos juntos. Este ano é um presente olímpico ele estar aqui comigo", disse. O atleta de 19 anos mora na Alemanha, e saiu de casa para seguir a carreira no esporte aos 14. "Eu terminei de educar o meu filho através da internet", conta a mãe. 

É através da rede mundial de computadores, aliás, que ela acompanha a todos os jogos do filho. "A gente brinca que eu nunca fiquei uma noite em claro esperando ele voltar da balada, mas em compensação já perdi as contas das vezes que eu passei a madrugada assistindo aos jogos dele lá do outro lado do mundo", relata Elisa.

Hugo Calderano agradece a torcida. "Ela sempre me apoia muito, está sempre torcendo nos jogos. Mesmo eu morando na Alemanha, ela sempre acompanha os jogos quando passa a transmissão ao vivo, mesmo que seja de madrugada. Essa torcida é muito importante", afirma o atleta.

Quando a torcida é presencial, porém, os "excessos" chegam a incomodar. "No começo eu não gostava muito - quer dizer, ainda não gosto - quando ela grita muito, mas ela se acostumou e eu também me acostumei com o jeito dela, e a gente acha um meio-termo."

Essa torcida presencial será vista novamente nos Jogos do Rio. "A gente não sabe ainda quais os dias certinhos que ele vai jogar, e por conta disso a gente comprou todas as possibilidades de dias e horários pra assistir, e vamos estar lá torcendo pra ele e para os outros atletas do Brasil", afirma Elisa.

Mesmo que o Brasil não avance muito na competição, os ingressos já adquiridos valerão a pena. "Depois de mais de dez anos acompanhando o tênis de mesa a gente aprendeu a amar o esporte, então hoje eu assisto a uma partida de tênis de mesa mesmo que ele (Hugo) não esteja jogando com prazer enorme de curtir o jogo mesmo", relata a mãe do atleta olímpico.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Josiane reconhece que a garra de Jaqueline vem de berço

Mãe apoiou a ida da filha para São Paulo para jogar vôlei

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

08 de maio de 2016 | 07h00

A garra de Jaqueline vem de berço. Josiane Costa sempre se mostrou uma mulher de fibra, especialmente para criar as filhas sozinha. "Não tinha emprego naquela época, fazia qualquer coisa para dar a elas o que comer", relembra. De olho no futuro de Jaqueline, apoiou a sua mudança para São Paulo e pediu força à jovem. Aos 14 anos, a atleta foi convidada para jogar no Osasco. "Ela veio sozinha, chorava todos os dias."

O segundo momento de dificuldade na vida da jogadora veio em 2002, quando foi diagnosticada com uma trombose, e os médicos disseram que ela teria de amputar o braço. Para Josiane, a filha provou ser uma pernambucana arretada. "Ela deu a volta por cima, é uma guerreira", elogia.

Apesar de todas as demonstrações de força, a ponteira de 1,86 m ainda é uma "criançona" para sua mãe. "Jaqueline sempre me deu alegria. Para mim, é uma criança. Continua aquele bebê. É alegre, descontraída." Josiane conta que a filha gosta do apoio da mãe nas arquibancadas. "Quando está jogando, ela olha para cima. Sabe que estou lá. Quando ganha, sai correndo me procurando. Em Londres foi assim", recorda.

O nervosismo de Josiane é tão grande antes das competições que é a filha que liga para a mãe para pedir calma. "Ela fica preocupada comigo, sofro muito. Tenho dor de estômago, não como, não bebo água. Fico um 'trapo', paro no tempo", conta. A ansiedade pelos Jogos Olímpicos já toma conta dela. Na arquibancada, a promessa é de pulo, grito e brincadeira. "Minha torcida vai ser grande", garante.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Roseane Zanetti sempre soube que 'tamanho não é documento'

Mãe recusou aplicar injeção de crescimento em Arthur

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

08 de maio de 2016 | 07h00

O mito de que a ginástica artística atrapalha o crescimento dos atletas nunca preocupou Roseane Zanetti. A mãe de Arthur conta que a pediatra pediu exames hormonais quando o filho tinha cinco anos, mas que os resultados não apresentaram alterações. "Ela queria que eu desse injeção de crescimento nele. Eu me recusei", afirma. Arthur parou no 1,56 m de altura e foi "escolhido" pelo esporte que privilegia os mais baixos. 

A indicação de colocar o filho na ginástica foi do professor Sérgio, que viu habilidade do menino ainda no jardim de infância. O desejo de continuar no esporte partiu do atleta, e o apoio da família sempre foi total. No Rio, a família inteira estará na arquibancada.

Roseane sabe que os gritos dela não serão ouvidos pelo filho na busca pelo bicampeonato olímpico nas argolas. "Ele desliga, não vê e não escuta ninguém", conta. Mas nem sempre foi assim. Em uma festa de encerramento do ginásio, Arthur Zanetti fez o movimento do 'Cristo'. A avó Neide arregalou os olhos de tal modo que o garoto tomou um susto. "A gente fala para ela não olhar", brinca.

A mãe gosta apenas de observar e confessa que fica até nervosa se alguém fica conversando ao seu lado enquanto Arthur está em ação nas argolas. "Eu travo, quero ficar prestando atenção. Peço que me deixem quietinha e concentrada", explica. Roseane já teve uma prévia do comportamento da torcida brasileira durante o evento-teste, em abril. "Tenho um orgulho enorme ao ver o reconhecimento que ele tem das pessoas. É emocionante ver o ginásio inteiro torcendo por ele."

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Maria sofre no sofá, enquanto Ágatha mostra controle na areia

Mãe da atleta do vôlei de praia fica nervosa na frente da televisão

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

08 de maio de 2016 | 07h00

Admiradora do controle emocional de Ágatha, Maria Bednarczuk tem uma certeza: "Eu nunca poderia ser atleta." Acompanhar a jogadora do vôlei de praia pela televisão é sinônimo de sofrimento para a mãe. Tomada pela ansiedade, Maria esconde-se atrás de pilar, vai ao banheiro e até sai da sala, mas não resiste a uma espiadinha quando ouve "alguma bagunça".

Em quadra, ela não se contém e admite: "Dou vexame mesmo". A mãe recorda que Ágatha só escutava sua a voz na torcida e reconhece que tinha "mania" de gritar exatamente na hora do saque, o momento mais silencioso da partida. 

Nos Jogos Olímpicos do Rio, a festa está liberada. A fé também tem espaço garantido na vida da família Bednarczuk. "Rezo para todos os santos, entrego ela na mão de Nossa Senhora. Sou muito devota e ela também é", conta. 

A reza estende-se para a saúde de Ágatha. "Estou sempre preocupada com o joelho dela, vôlei de praia tem muito impacto. Peço proteção para o corpo dela, que é seu instrumento de trabalho. Rezo para que ela esteja com saúde e não se machuque, o resto ela da conta", afirma Maria. 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.