Mário Fernandes/Estadão
Mário Fernandes/Estadão

Na piscina, a chance da redenção para João Gomes Júnior

Brasileiro é candidato a pódio no 100 m peito

PAULO FAVERO, O ESTADO DE S.PAULO

09 de julho de 2016 | 17h00

Terceiro no ranking mundial nos 100 m peito, João Gomes Júnior passou a ser considerado um candidato ao pódio na Olimpíada após fazer uma ótima marca no Troféu Maria Lenk e bater seu recorde pessoal. Com os 59s06, ele está atrás apenas do fenômeno britânico Adam Peaty (58s36) e do norte-americano Kevin Cordes (58s94). Claro que por um milésimo ele pode ficar se medalha, mas também pode ser ouro por uma diferença mínima.

Aos 30 anos, o capixaba sabe que o ótimo tempo que fez o coloca em boas condições para os Jogos e garante estar pronto para cumprir a missão. “A responsabilidade aumenta um pouco, pois tem a cobrança da torcida, da família, do técnico, mas a minha também aumenta. Hoje vejo que sou mais capaz do que eu era. Minha cobrança interna é um pouco maior e já consigo lidar com ela”, diz.

O nadador do Clube Pinheiros lembra que o ótimo resultado que fez o credenciaria na Olimpíada passada, em Londres, a ser medalhista. “Então entro nesta edição dos Jogos com o mundo inteiro me olhando, querendo saber quem é esse cara e o que ele fez. Mas isso só aumenta mais minha vontade e minha gana de conquistar uma medalha”, afirma.

No ano passado, João Gomes foi pego no exame antidoping e punido por seis meses. Ficou fora dos Jogos Pan-Americanos de Toronto e do Mundial de Esportes Aquáticos, em Kazan. “Não desejo isso nem para o meu pior inimigo, é a pior coisa que pode ocorrer com um atleta. Mas sei da minha índole”, avisa, lembrando que tudo isso lhe deu forças. “Só fez eu perceber o quanto eu quero. Só tiro coisas boas desse episódio aí, que para mim já é passado. Não penso nisso no dia a dia. Aumentou mais minha tolerância à dor, eu suporto mais as coisas, então só vejo pontos positivos.”

O atleta conta que está fazendo uma preparação semelhante a da última temporada, mas acrescentou uma coisa nova que foi o treinamento de altitude, na Espanha. “Nunca havia feito e hoje consigo perceber que foi de grande valia. Sofri bastante pela falta de oxigênio, mas de resto minha temporada está redonda e estou mais à vontade”, explica.

Outro ponto que ele já está trabalhando e vai aprimorar é em relação ao seu relógio biológico. Como nos Jogos do Rio as finais da natação começarão a partir das 22h, ele já está condicionando seu corpo para lidar com esse novo ritmo. “Eu já venho me programando para dormir um pouquinho mais tarde. Estou atrasando meu sono, indo dormir meia-noite, mas tendo a quantidade total de horas de sono que eu preciso todos os dias.”

Ele também vai participar, com o apoio da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos e do Comitê Olímpico do Brasil, de uma clínica do sono no período de aclimatação da equipe de natação. “Como vamos competir à noite, a ideia é desligar um pouco a energia do corpo e manter a energia do corpo até a hora de nadar. Nos Jogos, a gente vai dormir por volta de 2h ou 3 da manhã, para estar competindo de novo ao meio-dia mais ou menos”, lembra.

Foi no Rio que ele fez o melhor tempo da vida e espera repetir a dose durante a Olimpíada. Ele sabe que a presença dos fãs será fundamental para que ele consiga isso. “Para mim, a melhor coisa é estar nos Jogos Olímpicos no meu país, vestindo minha bandeira. Não tem coisa melhor para acontecer. Tenho fé que vem coisa melhor por aí. Vou representar 200 milhões de brasileiros, não vejo peso, só fico mais feliz por ter uma torcida gigante lá”, conclui, na esperança de que a cada braçada para respirar, o barulho da massa o ajude como se fosse um empurrão dentro da piscina.

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