Guilherme Leporace / Agência O Globo
Guilherme Leporace / Agência O Globo

Nadadores norte-americanos são retirados de avião pela Polícia Federal

Gunnar Bentz e Jack Conger estão envolvidos na investigação de falso roubo envolvendo seus companheiros Ryan Lochte e James Feigen

Suellen Amorim, especial para o Estado/Rio

17 Agosto 2016 | 22h38

Agentes da Polícia Federal impediram que os nadadores norte-americanos Gunnar Bentz e Jack Conger, medalhistas olímpicos nos Jogos do Rio-2016, deixassem o Brasil na noite desta quarta-feira. Eles tentavam embarcar em voo para os Estados Unidos no Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, o Galeão, na zona norte do Rio, mas foram retirados da aeronave e tiveram os passaportes apreendidos por que estão envolvidos na investigação de uma possível notificação de falso roubo.

A justificativa da Justiça da retenção dos passaportes é a possibilidade de eles terem cometido o delito de comunicação falsa de crime, que tem pena prevista de um a seis meses de detenção e multa.

Bents e Conger faziam parte de um grupo de quatro nadadores dos Estados Unidos que supostamente foram assaltados na madrugada de domingo, 14. Além dos dois, Jimmy Feigen e o astro Ryan Lochte também teriam sido alvo de criminosos. O grupo afirmou aos investigadores da Polícia Civil que estavam em um táxi quando foi parado por uma falsa blitz e assaltados.

Contradições nos depoimentos fizeram com que a Delegacia Especial de Atendimento ao Turista (Deat) pedisse ao Juizado Especial do Torcedor e Grandes Eventos a apreensão dos passaportes dos quatro atletas, o que foi acatado pela juíza Keyla Blanc de Cnop. Dessa forma, os nadadores não poderiam deixar o País até que a investigação sobre o caso fosse concluída. 

O caso é confuso: enquanto Lochte disse em depoimento que, após eles serem parados na falta blitz, eles foram assaltados por um homem que exigiu a entrega de US$ 400, Feigen afirmou que foram “alguns assaltantes”, estando um deles armado. Depois, eles teriam entrado em um segundo táxi para voltar, mas não explicaram como pagaram a corrida. 

Câmeras de segurança revelaram que os nadadores chegaram à Vila Olímpica, na Barra da Tijuca, zona sul, com uma atitude positiva, “fazendo brincadeiras uns com os outros”, segundo consta na decisão da Justiça. Os policiais não encontraram os taxistas para confirmar a história. 

Ainda nesta quarta, a polícia cumpriu mandado de busca e apreensão dos passaportes de Lochte e Feigen. Os policiais, no entanto, não conseguiram cumprir os mandados, já que nenhum dos dois estava no local. O mandado foi expedido dois dias depois de Lochte ter ido embora do Brasil. Segundo a Polícia Federal, ele “deixou o País em voo comercial com destino aos Estados Unidos no dia 15/8”. Já o paradeiro de Feigen era desconhecido até o final da noite de quarta. 

O porta-voz do Comitê Olímpico Americano, Patrick Sandusky, confirmou por e-mail a remoção dos dois nadadores do voo. Disse ainda que o comitê segue apurando mais informações a respeito da ação. 

NOVA VERSÃO

Já nos EUA, Lochte conversou com o repórter da NBC Matt Lauer e mudou sua primeira versão. Disse que a abordagem dos criminosos não foi em uma falsa blitz, mas em um posto de gasolina. Lochte afirmou que o grupo estava em um táxi, que parou em um posto de gasolina para que usassem o banheiro. Quando voltaram ao veículo, o taxista permaneceu parado. Então, dois homens, portando distintivos policiais se aproximaram, disseram para sair do carro e deitar no chão. A outra alteração feita por Lochte foi a de que ele não teve uma arma apontada contra a testa. 

Confira imagens exclusivas do tablóide inglês Dailymail dos nadadores norte-americanos chegando na Vila Olímpica.

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