Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

'Não é ideia do COB furar a fila da vacina', diz vice-presidente sobre Jogos de Tóquio 

Marco Antonio La Porta diz ainda que não há nenhuma negociação 'visando à imunização dos atletas'

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2021 | 11h00

Os Jogos de Tóquio foram adiados por causa da pandemia do novo coronavírus e, apesar de a maior competição esportiva do mundo estar confirmada para 2021, o Comitê Olímpico Internacional (COI) entende que quanto mais pessoas envolvidas estiverem vacinadas contra a covid-19 será melhor para o evento. Mesmo com as recomendações de saúde, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) é taxativo. "Não é ideia do COB furar a fila da vacina", avisa Marco Antonio La Porta, vice-presidente do comitê.

No Brasil, as vacinas serão dadas primeiramente para grupos prioritários. Então, é fácil imaginar que atletas, principalmente os mais jovens, não terão direito ao imunizante até a data de realização da Olimpíada no Japão, marcada para começar em 23 de julho. "Não estamos fazendo nenhuma negociação visando à imunização dos atletas", continua La Porta.  

A entrada de estrangeiros que não residem no Japão está proibida até o fim de janeiro devido à detecção da nova variante da covid-19. O governo local, no entanto, pretende iniciar uma campanha de vacinação em março e reabrir as fronteiras em abril.

O COI e o Comitê Organizador dos Jogos de Tóquio trabalham no momento com três cenários. O primeiro seria ter a vacina para todos os envolvidos com a Olimpíada, incluindo o público. É uma situação complicada porque cada país faz sua própria negociação de imunizante e haverá distorções entre as nações. O segundo cenário, que é o que o COB trabalha, seria ter a vacina disponível apenas para grupos de risco, então todas as medidas para evitar o contágio continuariam sendo tomadas. E o terceiro cenário seria aparecer uma nova onda, e aí precisaria ser criada uma bolha para a realização do evento, com um ambiente mais controlado.

Dentro dessas possibilidades, o COB está investindo na testagem de todos e nos equipamentos de proteção individual. Tanto que vem investindo recursos nesses dois itens. "Aí todos terão de usar máscara, continuar mantendo as medidas de higiene, fazer a testagem antes e depois que chegar ao Japão, passar por quarentena se for preciso, ficar em isolamento caso seja necessário e sempre manter o distanciamento social", lembra La Porta.

O aprendizado adquirido com a Missão Europa do Time Brasil no ano passado foi muito importante. O COB viabilizou algumas bases em Portugal para que delegações de diversas modalidades pudessem treinar em locais seguros quando a pandemia de covid-19 estava em alta no Brasil (as instalações esportivas estavam todas fechadas). E essa experiência em Rio Maior ajudará no aperfeiçoamento das operações olímpicas.

"Esse período lá em Portugal foi fantástico. A gente conseguiu nessa Missão Europa testar nossos protocolos e ver os problemas. Mais de 200 atletas, mais de 300 pessoas, com situações diferentes. Teve gente que testou negativo aqui, chegou lá deu positivo. Nós fomos aprendendo com isso", diz. "Nossos protocolos para Portugal funcionaram muito bem, tanto que tivemos apenas quatro casos. Precisa trocar de máscara a cada quatro horas de voo, por exemplo", continua.

Agora a maior preocupação do COB nesta reta final de preparação é um atleta ser infectado. Então a entidade tem mapeada a situação de cada atleta e ainda criou um grupo de trabalho com dois infectologistas que estão diariamente estudando todos os tipos de situação, junto com o departamento médico do Comitê.

"Não podemos correr riscos. Entramos de novo numa reta final e se um atleta for infectado será muito ruim. Perde pelo menos 30 dias de treino, é um prejuízo muito grande. Estamos pensando em algumas equipes retomar à Missão Europa para ficar em um ambiente seguro. Queremos mapear e ver onde cada atleta está. Então temos contato direto com as confederações. A gente sabe que tem alguns ainda que vão buscar a classificação, e isso envolve viagem e aumenta o risco. Mas precisamos preservar o atleta de ser infectado e vamos ter de administrar muito bem isso."

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