Zeca Ribeiro/ Câmara dos Deputados
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Não há país 100% preparado contra o terrorismo, diz Abin

Brasil está em alerta para a realização dos Jogos de 2016, no Rio

Tânia Monteiro e Júlia Lindner, O Estado de S. Paulo

23 de novembro de 2015 | 18h18

O ministro-chefe da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, abriu Seminário Internacional de enfrentamento ao terrorismo no Brasil, realizado em Brasília, reforçando a importância da "cooperação internacional" para manter um controle maior sobre os riscos que os países são submetidos. Para o ministro, na preparação de grandes eventos como as Olimpíadas "toda preparação é pouca e todo cuidado é pouco".

Em entrevista, o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Wilson Trezza, reconheceu que "não há País no mundo 100% preparado" para enfrentar o terrorismo. Ele se referia à preparação do Brasil para a Olimpíada de 2016, que está em discussão pela Abin. Segundo ele, "não há temor (de atentados terroristas no Brasil) , mas um trabalho preventivo" e, para isso, o País está mantendo intercâmbio com todos o mundo para trocar informações na área de inteligência. Trezza ressaltou, no entanto, que "não há indício de célula do estado islâmico ou qualquer outro grupo da área" de terror no País.

Em palestra, Trezza, depois de listar os atentados terroristas ocorridos nos últimos anos, reconheceu que "estamos em uma escala terrorista mundial". De acordo com o diretor da agência, "neste momento, quase que a força total de trabalho da Abin está voltada para Olimpíada", mas ressaltou que é "fundamental trabalhamos com cooperação internacional". Ele informou que, dos 206 países que estarão presentes aos jogos, pelo menos a metade terá pessoal de seus próprios países atuando no Brasil no período das competições. De acordo com Trezza, dez países são considerados alvos de alto risco para terrorismo: Canadá, Estados Unidos, Egito, França, Grã-bretanha, Irã, Iraque, Israel, Rússia e Síria. O Brasil está entre os de menor risco, mas a presença destas delegações no país, elevam a atenção do país para este tipo de ataque.

Em relação ao cuidado com a entrada de estrangeiros no Brasil, principalmente os refugiados, o diretor-geral da Abin disse que existe um sistema de monitoramento onde a colaboração com os países de origem deles é fundamental. "há uma preocupação de saber, entre os refugiados, quem entra e quem está no Brasil", disse ele, ressalvando, em seguida, que a pessoa responsável pelo ato de terror não precisa ser estrangeiro e pode estar aqui mesmo no país. "Um atentado terrorista é necessariamente executado não só por estrangeiros. Poderia em tese, ter alguém do país envolvido nisso, hoje fala-se do lobo solitário", comentou ele, que citou também que a Abin faz "uma série de acompanhamentos", inclusive monitoramento de redes sociais.

O ministro dos Negócios Estrangeiros e do Desenvolvimento Internacional da França, Laurent Fabius, afirmou no último fim de semana que seu país vai colocar à disposição do Brasil serviços de inteligência para troca de informações para reduzir ao máximo riscos à segurança do Brasil, no período da Olimpíada. 

Em entrevista, o diretor da Abin explicou que, nas "avaliações de risco" feitas pela agência, "o terrorismo não é a principal ameaça" aos jogos Olímpicos. Na sua opinião, "terrorismo é uma preocupação", mas "crime comum é uma grande preocupação" e insistiu os trabalhos de inteligência com forças de segurança federal, estadual e municipal ajudarão no combate a estes crimes. "Segurança total não existe, mas trabalhamos em busca do zero erro", disse ele, lembrando também que nossas fronteiras são imensas e "porosas", o que dificulta este trabalho de fiscalização. 

Trezza declarou ainda que a liberação do visto de entrada no País, durante as Olimpíadas, poderia ser uma barreira a menos da área de segurança mas, ressalvou que "a possibilidade de prática de um atentado não dependeria de um visto". E emendou: "o terrorista, aquele que tem a intenção da prática do terror, não passará pela nossa fronteira e não dependeria de ter ou não visto".

Segundo o diretor da Abin, há uma preocupação muito grande de que se chegue às Olimpíadas sem uma lei contra o terrorismo aprovada. Ele disse que a lei não impedirá o ato, mas é preciso que o país tenha uma legislação sobre o tema. Por isso, defendeu, "é preciso, é prudente, é mais eficiente investir na inteligência do que esperar esta legislação". Trezza queixou-se também da falta de recursos para o setor, embora saiba que "a atividade de inteligência é cara". Na opinião dele "a preocupação com a inteligência precisa continuar depois das Olimpíadas".

Além de negar que existam células de terrorismo no País ou de representantes do Estado Islâmico, como se chegou a dizer há uns meses, o diretor da Agência declarou: "não temos sinal de célula de EI ou qualquer outro grupo terrorista. Não temos, nem Abin, nem nenhum outro órgão do Sisbin, registro de célula de Estado islâmico no país. Temos alvos na área de terrorismo, acompanhamos, os alvos, e a cooperação é muito grande com outros países".

Sobre a preocupação de alguns países com a tríplice fronteira, em Foz do Iguaçu, Trezza informou que "existem nove tríplices fronteiras e todas são de interesse da atividade de inteligência". Ele lembrou que no caso de Foz de Iguaçu houve atenção por conta da presença de uma forte colônia árabe, mas nunca nada foi comprovado."Alguns países dizem que é região de abrigamento, mas nunca houve comprovação", assegurou.

Para mostrar que o País está se preparando e atento aos problemas do País e do mundo, Trezza lembrou que na Copa do Mundo, Pan Americanos e outros grandes eventos a grande preocupação era com a questão da segurança pública e a integração das forças funcionou satisfatoriamente. "Pensávamos que o grande problema seria segurança pública. Conseguimos credibilidade com a questão de segurança e temos condições de dizer, com segurança, que nós estamos preparados (para as olimpíadas)", disse Trezza, considerando que o Brasil deu "um show" nestes eventos.

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