Marcio Fernandes/Estadão
Marcio Fernandes/Estadão

'Não jogo só por dinheiro, jogo pelo meu País', diz Tony Azevedo

Cotado para ser porta-bandeira da delegação dos Estados Unidos, atleta do polo aquático fala do sonho de disputar a Olimpíada do Rio

Entrevista com

Tony Azevedo

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

05 de dezembro de 2015 | 17h00

Aos 34 anos, Tony Azevedo vive a expectativa de brilhar nos Jogos Olímpicos de 2016. Brasileiro de nascimento, mas norte-americano de coração, o capitão da seleção de polo aquático dos Estados Unidos está cotado para ser o porta-bandeira da delegação no Rio. Ele foi medalha de prata na Olimpíada de Pequim, em 2008, e garante que não vai desistir do sonho antes de subir ao lugar mais alto do pódio. Nesta entrevista exclusiva, o jogador do Sesi-SP fala de suas ambições e do legado que espera deixar no País.

Qual sua expectativa para os Jogos Olímpicos no Rio?

Acho que temos uma grande chance de ganhar medalha. Mas meu sonho é o ouro, pois falta para mim. Já tenho uma prata. Vamos treinar nove meses juntos e temos um time com alguns atletas que já disputaram a Olimpíada, como o goleiro, o marcador, mas temos também jovens. Nesse período de treinamento, eles vão crescer muito.

É boa essa geração dos Estados Unidos?

É ótima. Tem um talento incrível, só falta jogar mais junto. Tem atletas que estão na universidade, mas vamos nos reunir para treinar. Acho que vamos crescer bastante.

Dá para fazer uma relação do esporte nos Estados Unidos e no Brasil?

Existem vários atletas talentosos, acho que com o tempo eles têm possibilidade de chegar a um nível alto como os europeus. Só que nos Estados Unidos é mais sério, se treina 12 meses por ano, a escola e a natação são juntas. No Brasil tem campeonatos de três meses e aí para. Tem de ser como os europeus, com campeonatos de nove meses, e treinar muito mais forte na natação e musculação.

Você vai para sua quinta Olimpíada, em um país que é potência esportiva como os Estados Unidos. Como você vê o status que atingiu?

Comecei a jogar aos 8 anos e não me vejo parando. Acho que o momento não chegou. Sou apaixonado pelo polo aquático, gosto de treinar, de jogar, meu sonho é ganhar a medalha de ouro e não quero parar enquanto não fizer isso.

Você está cotado para ser porta-bandeira da delegação dos Estados Unidos no Rio. Como está isso?

Se for escolhido, vai ser um sonho, não só para mim, como para o esporte também. Será muito importante para o polo aquático no mundo. Vamos ver o que vai acontecer.

Você é uma referência na sua modalidade nos Estados Unidos. Isso pesou para você não aceitar o convite de atuar pela seleção brasileira?

Eu comecei com os Estados Unidos e fiz uma história muito grande lá. Sair para outra seleção, deixando os jovens que treinam comigo, não valia a pena. Esse não é o modelo de esporte que eu gosto, de jogar só pelo dinheiro. Eu jogo pelo meu país, que no esporte é os Estados Unidos.

Agora você vem fazendo esse projeto de ajudar os jovens talentos no Sesi, em São Paulo. Você quer deixar um legado também no Brasil?

Claro, isso para mim é muito importante. Quero que o esporte cresça e meu sonho é fazer o polo aquático ser muito maior aqui. O Brasil é um país grande, quente, ótimo para essa modalidade. Estou ajudando nisso.

Como você vê as chances da seleção brasileira na Olimpíada?

O incrível do esporte é que milagres podem acontecer. O Brasil tem um dos melhores jogadores do mundo, que é o Felipe Perrone, vamos ver se terá o goleiro sérvio, que está sendo contratado, e tem um ótimo centro. Os jogadores são bons, o difícil é que será a primeira Olimpíada para a maioria deles. Não é fácil jogar como um craque na estreia.

Como foi sua trajetória para se tornar um jogador dos Estados Unidos?

Eu saí do Brasil com dois meses e fui para os Estados Unidos. Comecei a jogar polo aquático e beisebol aos 8 anos. Com 14, fui na Olimpíada de Atlanta, para ver como era a modalidade. Quando vi a Espanha ganhar a medalha de ouro, falei para meu pai: “Eu vou jogar a próxima Olimpíada”. Ele falou: “Você é gordo, não nada bem, vai ter de trabalhar muito”. Nos quatro anos seguintes, acordava às 5h da manhã, fazia uma hora e meia de musculação, à noite duas horas de natação e duas horas de polo aquático, seis vezes por semana. Em 2000, cheguei à minha primeira Olimpíada, em Sydney, na Austrália.

Qual Olimpíada mais te marcou?

Com certeza a de Pequim, quando ficamos com a medalha de prata. Perdemos a final, mas foi uma experiência incrível.

Quem vai brigar pelo pódio no Rio?

Acho que a Sérvia é a melhor seleção do mundo no momento e favorita. Depois, tem seis ou sete times que podem ganhar um do outro. Essa Olimpíada terá um dos melhores níveis de competição. Pela primeira vez o Brasil está forte, os Estados Unidos estão fortes, tem a Austrália, têm os países europeus. Será uma ótima Olimpíada.

O que torna um jogador de polo aquático bom?

Acho que, como em todos os esportes, você tem de se dedicar muito. Tem de nadar, ficar forte, jogar com bola, mas acho que o importante é a cabeça. Tem de ser inteligente, assim se tornará o melhor.

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