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'Não tem discussão: o handebol será mais veloz', avalia Morten

Para técnico dinamarquês, Europeu mostra evolução das equipes e ajuda a nortear preparação para o Mundial da Dinamarca, em 2015

Entrevista com

Morten Soubak

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

22 de dezembro de 2014 | 07h00

O dinamarquês Morten Soubak, responsável por levar a seleção feminina de handebol ao topo do mundo em 2013, teve o seu reconhecimento ao ser eleito o melhor técnico do ano de esportes coletivos no Prêmio Brasil Olímpico, organizado pelo COB. Em entrevista exclusiva ao Estado, o treinador fala sobre o atual momento da equipe brasileira, a tendência do handebol mundial e as expectativas para os Jogos Olímpicos do Rio, em 2016.

Como foi o período de treinos na Europa?

Tivemos uma ótima semana na Espanha, os treinos foram muito produtivos e estamos contentes. Nos amistosos que fizemos na Suécia não conseguimos chegar no mesmo nível que mostramos na Espanha, mas também foram muitos jogos em poucos dias. Isso não serve como desculpas e explicações porque durante um campeonato muito forte também temos muitos jogos em poucos dias, temos de tentar melhorar.

Você está tentando criar mais variações na equipe?

Não é uma questão para agora. Estamos tentando implementar um novo sistema defensivo pensando para 2015 ou 2016. Agora estamos fazendo uma avaliação e vamos para o primeiro encontro no ano que vem sabendo melhor o que deu certo e o que deu errado, para focar nas ideias novas, saber o que nós vamos continuar investindo e o que vamos largar.

O que você acha que hoje é a maior deficiência da equipe?

Sempre fomos baseados em uma defesa bem forte e isso vai continuar independente do sistema defensivo que vamos trabalhar. Podemos falar que ainda estamos procurando implementar mais coisas ofensivamente, temos mais um ano para trabalhar isso para o Mundial da Dinamarca e temos mais um ano e meio para Rio/2016.

No Europeu, as jogadoras estão apresentando muita velocidade e força. Você acha que essa é a tendência do handebol feminino mundial?

Não tem discussão que o handebol só vai ser mais veloz e só vai ter meninas que vão evoluir partes físicas individual e coletivamente. Nós temos de correr no mesmo caminho porque isso vai ser a evolução do handebol feminino. Nós estamos cientes disso. Esse Europeu serve muito bem para nós também vermos nossos concorrentes, para vermos a que ponto outras seleções estão evoluindo.

Com a consolidação do Brasil no cenário mundial, as outras equipes passaram a estudar mais a equipe?

O respeito dos nossos adversários subiu um degrau. Não duvido que o Brasil já estava respeitado como seleção, mas agora que conseguimos ganhar a medalha mudou um pouquinho. E também mudou para nós porque sempre fomos correndo atrás dos nossos adversários e agora virou a moeda. É lógico que todo mundo quer ganhar do campeão do mundo.

Como está sendo a transição da equipe com a entrada de jogadoras mais jovens?

Tivemos grandes lições no último ano, vamos continuar com as jovens que achamos que têm chance para chegar à seleção adulta. Mas elas têm de mostrar que estão no nível para uma seleção adulta.

Acha que o fato de a liga brasileira não ser tão forte quanto as ligas europeias atrapalha na renovação da equipe?

Acho uma pena que não tenhamos uma liga nacional forte. Comparado com as fortes ligas europeias, atrapalha sem dúvida. Os europeus estão jogando o ano inteiro, uma jogadora brasileira não. Em 12 meses, você compara os números de amistosos para uma equipe forte na Europa e uma equipe forte do Brasil. Estamos em dois mundos diferentes.

E você já pensa em Olimpíada ou vai focar primeiro no Pan e no Mundial?

A Olimpíada está na cabeça desde que Brasil foi escolhido como sede, mas tem um monte de campeonatos até lá. Claro que o próximo objetivo que nós temos é fazer o melhor no Mundial da Dinamarca, mas sempre a Olimpíada está bem colada em relação a qualquer treino, qualquer amistoso que estamos fazendo.

Acha que uma Olimpíada em casa pode trazer uma pressão muito maior a que as meninas estão acostumadas?

Talvez. Qualquer situação vai haver pressão, mas prefiro virar e falar: 'Que bom que vamos jogar uma Olimpíada em casa'. É uma situação histórica e poucos de qualquer modalidade vão ter a oportunidade de ter uma Olimpíada em casa. Temos de tentar aproveitar os torcedores, que vão fazer o possível para ajudar o Brasil. Acho que temos de tentar ver por outro ângulo.

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