Attila KISBENEDEK / AFP e Odd ANDERSEN / AFP
Attila KISBENEDEK / AFP e Odd ANDERSEN / AFP

Com Fratus e Scheffer, natação brasileira reage com dois pódios em Tóquio após campanha ruim no Rio

Atletas conquistaram o bronze para o País nos 50 m nos 200m livre, respectivamente, depois de país não subir ao pódio nos Jogos Olímpicos de 2016

Raphael Ramos, enviado especial / Tóquio, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2021 | 04h57

A natação brasileira encerrou a sua participação nos Jogos de Tóquio com duas medalhas de bronze, dando sinais de recuperação da modalidade no país depois de não ter subido nenhuma vez ao pódio na Olimpíada do Rio, em 2016. A decepcionante campanha cinco anos atrás foi a pior desde Atenas-2004, última vez em que a natação do país havia deixado uma edição dos Jogos sem medalhas.

Além do terceiro lugar de Fratus nos 50m livre, o resultado mais surpreendente foi obtido por Fernando Scheffer, que faturou um emocionante bronze nos 200m livre. Longe de ser considerado um favorito, ele nadou na raia oito, no canto da piscina, e fez uma ótima prova, com recorde sul-americano em 1min44s66. Aos 23 anos, Scheffer recolocou o Brasil no pódio na prova depois de Gustavo Borges, medalhista de prata nos 200m livre em Atlanta-1996. 

Se no Rio, apesar da falta de pódios, a CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) destacou o recorde de finais do Brasil na história olímpica, em Tóquio foram seis finais do Time Brasil, duas a menos do que nos Jogos anteriores. Há ainda um diferencial em relação às Olimpíadas anteriores. Em Pequim-2008 e Londres-2012, o Brasil conquistou dois pódios em cada edição.

A natação brasileira vive um período de entressafra, com a chegada de novos nomes. Da equipe de 26 nadadores que participaram dos Jogos de Tóquio, 16 eram novatos, ou seja, nunca haviam disputado uma Olimpíada antes.

Um dos objetivos da confederação depois da decepcionante campanha no Rio era realizar um número maior de intercâmbios para os atletas e buscar participação em competições internacionais de nível mais alto. Já na reta final de preparação para os Jogos de Tóquio, a pandemia acabou afetando não só os treinamentos de todos os atletas, mas também o processo de classificação para a Olimpíada.

Em Tóquio, alguns resultados ficaram abaixo do esperado. O Brasil, por exemplo, terminou em último, na oitava colocação do revezamento 4 x 100m livre. O quarteto formado por Breno Correia, Gabriel Santos, Pedro Spajari e Marcelo Chierighini não conseguiu acompanhar o ritmo dos rivais e nadou na última posição durante toda a prova.

Também se esperava mais da final dos 800m livre, com Guilherme Costa. Ele havia se classificado para a decisão com o quinto melhor tempo geral, quando estabeleceu o novo recorde sul-americano da prova. Mas, na final, ele admitiu que errou na estratégia e acabou sendo mais lento, terminando na oitava posição.

O mesmo ocorreu com Leonardo de Deus na decisão dos 200m borboleta. Apesar da expectativa criada após ter ido à final com a segunda melhor marca, ele também piorou o seu tempo na briga por medalha em comparação com a classificatória e terminou na sexta colocação.

No revezamento 4x100 medley masculino, o time formado por Guilherme Guido, Felipe Lima, Vinicius Lanza e Marcelo Chierighini foi eliminado por queimar a transição do nado costas para peito. Felipe Lima saiu 0,08 segundo antes de Guilherme Guido completar os primeiros 100 metros. O erro foi identificado por um sensor que fica na baliza sincronizado com o touchpad dentro da piscina.

PARIS-2024

Projetando o próximo ciclo olímpico de Paris-2024, o Brasil tem boas expectativas em relação ao revezamento 4x200m livre. Nos Jogos de Tóquio, o quarteto terminou a final na oitava posição. O time, porém, é formado por jovens nadadores com potencial de crescimento: Fernando Scheffer (23 anos), Murilo Sartori (19 anos), Breno Correia (22 anos) e Luiz Altamir (25 anos).

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