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Nazismo usou tocha olímpica como propaganda do regime

Olimpíada de 1936 foi realizada na Alemanha hitlerista

O Estado de S. Paulo

26 de maio de 2016 | 07h00

Esporte e política sempre tiveram uma grande ligação. Durante a preparação da Alemanha para os Jogos de Berlim, em 1936, Joseph Goebbels, ministro da propaganda do Reich na Alemanha Nazista de 1933 a 1945, conseguiu convencer Adolf Hitler a fazer uma demonstração de poder, ao evocar as raízes arianas do povo alemão.

Goebbels foi inspirado por Carl Diem, chefe do Comitê olímpico do Reich, que tinha estabelecido uma longa campanha para obter a organização dos Jogos na Alemanha. Ele se inspirou em uma outra tocha, que foi usada nos Jogos de Amsterdã em 1928. Em seguida, Diem militou, sem sucesso, a favor da participação de atletas judeus alemães na competição.

Hitler, que não era a favor dos Jogos Olímpicos, pois considerava uma "invenção de judeus e maçons", passou a usar a ocasião para fazer a ligação simbólica de seu regime com os impérios da Antiguidade, tão importantes para o ditador alemão. Ao mesmo tempo, ele ressaltava o "espírito combativo" do unificado povo alemão.

Com isso, a tradição do revezamento da tocha foi retomado pelos alemães para os Jogos de 1936. E a propaganda política teve início. Durante o percurso da tocha, os portadores passaram pela Checoslováquia. A propaganda alemã encorajou o embate entre os membros da comunidade alemã e a maioria checa. Dois anos mais tarde, a Alemanha invadia o país.

Hans von Tschammer und Osten, chefe da Federação dos Esportes do Reich, foram feitas escavações por uma equipe alemã no terreno onde eram praticados os Jogos antigos em Olímpia, na Grécia, mostrando o papel de renovadores da Antiguidade dos nazistas. A empresa Krupp, principal fabricante de armas da Alemanha, foi encarregada de criar a tocha.

Berlim foi invadida durante a disputa dos 11.º Jogos Olímpicos por turistas e por bandeiras do partido nazista, com a suástica em um círculo branco, com o fundo vermelho. A intenção era levar uma ideia aos visitantes de que a Alemanha era aberta e tolerante.

Jornais estrangeiros estavam disponíveis após três anos. Placas de proibição de judeus em praças públicas haviam sido retiradas. Muitos atletas norte-americanos afirmaram que jamais haviam sido tão bem tratados.

A impressão era de que o povo alemão alemão era feliz e vivia um período próspero, liderado por Hitler, o maior líder mundial da época. Em um estádio olímpico absolutamente lotado, Hitler acompanhou o desfile das delegações e depois fez o breve discurso de abertura. A Alemanha conquistou 89 medalhas, contra 56 dos Estados Unidos. Três anos após os Jogos, em 1939, a Segunda Guerra Mundial teve início.

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