Jonne Roriz|COB
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Já chamado de 'Neymar do tiro com arco', Marcus Vinicius tem como alvo o pódio dos Jogos de Tóquio

Brasileiro, que disputa as oitavas, não está entre os favoritos, sabe que a tarefa é difícil, mas está motivado pelas vitórias anteriores

Paulo Favero, enviado especial/TÓQUIO , O Estado de S.Paulo

Atualizado

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Marcus Vinicius D’Almeida vai tentar nesta sexta-feira, a partir das 21h30 (horário de Brasília), chegar ao pódio no tiro com arco nos Jogos de Tóquio. Ele não é favorito e enfrenta nas oitavas de final o italiano Mauro Nespoli. A competição termina na madrugada de sábado e o favoritismo está com os atletas da Coreia do Sul e dos Estados Unidos.

Mas o brasileiro acertou a pontaria nas fases anteriores e ficou com moral para avançar ainda mais na competição. Sem ter tido um ranqueamento bom, enfrentou o britânico Patrick Huston e venceu por 7 a 1. Depois, para chegar às oitavas de final, Marcus Vinícius superou o holandês Sjef Van Der Berg pelo mesmo placar.

Aos 23 anos, seu interesse pelo esporte começou por acaso. Ele praticava remo, jiu-jítsu e natação, mas, como morava perto do centro de treinamento da Confederação Brasileira de Tiro com Arco, em Maricá (RJ), ficou curioso sobre a modalidade e procurou se informar mais sobre ela.

Como tinha alguns amigos que já praticavam, decidiu investir no tiro com arco e não demorou a obter resultados. O principal deles foi a medalha de prata nos Jogos Olímpicos da Juventude, em Nanquim (China), em 2014. Desde então, passou a ser visto como uma promessa do esporte. Era um precoce.

Chegou a ser chamado de o ‘Neymar do arco e flecha’, equipamento que usava para atingir o alvo a 70 metros. Não se incomodava com a comparação ao craque.

Abraçou o esporte e não largou mais. Chegou a bancar as próprias viagens para o exterior para se aprimorar.

O pódio deu projeção internacional para o garoto, que começava a colocar em evidência uma modalidade pouco popular no Brasil. Mas a pressão em cima dele pesou e Marcus Vinicius não conseguiu manter uma regularidade e seus resultados oscilavam muito.

Só para se ter uma ideia, no Mundial de Antalya, na Turquia, em 2013, obteve uma 17.ª colocação. Dois anos depois, em Copenhague, na Dinamarca, alcançou sua melhor posição, um sétimo lugar. Mais tarde ficou em 33.º (Cidade do México, em 2017) e nono (na cidade holandesa de ‘s-Hertogenbosch, em 2019). Pouco antes do Pan-Americanos de Lima, o técnico Jorge Carrasco passou a treinar com Marcus Vinicius e pediu um trabalho físico para deixá-lo mais forte a fim de aguentar o ritmo de disputa. Ganhou massa muscular, mesmo aparentemente mais magro.

O arqueiro também fez um período de treinamentos na Coreia do Sul, uma potência da modalidade, e acabou tendo de readaptar seu estilo de atirar. O trabalho, aliado à boa forma física, vem surtindo efeito e ele tem mostrado mais regularidade.

Em Tóquio, está em sua segunda Olimpíada. O sonho é pódio e ele já tem no currículo a experiência de ter disputado os Jogos do Rio: ficou em 33.ª e em nono por equipes. Em Tóquio, já igualou o resultado de Ane Marcelle da Rio-2016, quando ela chegou às oitavas.

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