Gaspar Nóbrega / COB
Gaspar Nóbrega / COB

Nory decepciona, fica fora da final em Tóquio e admite 'medo' por críticas nas redes sociais

Ginasta diz ter sofrido burnout e depressão na reta final de preparação e tem desempenho ruim na barra fixa e no solo no individual

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2021 | 09h10

Esperança de medalha para o Brasil nos Jogos Olímpicos de Tóquio, Arthur Nory decepcionou em sua apresentação. O ginasta não teve um bom desempenho na barra fixa, aparelho em que foi campeão mundial em 2019, e no solo - havia sido bronze na Rio-2016 - e ficou fora da final individual. Após falhar, ele admitiu ter competido com 'medo' neste sábado por causa das críticas que voltou a receber nas redes sociais por causa do episódio de ofensas racistas de 2015 envolvendo o também ginasta Ângelo Assumpção, que é negro.

"Eu tive muito medo. Eu sempre tive muito medo desde o episódio do racismo, de tudo que está acontecendo. Medo de falar, medo de me assumir, medo de tudo. Fico sempre muito acuado de colocar o sorriso no rosto, de ser esse Nory, e sempre brigando comigo mesmo. Nesses últimos períodos, isso é muito forte", afirmou o ginasta.

O ginasta fez apenas uma apresentação razoável na barra fixa, somou 14.133, pontuação insuficiente para ficar entre os oito melhores que se classificam à final do aparelho. No solo, Nory sofreu uma queda, alcançou 12.800 e ficou muito distante das primeiras posições.

Ele reclamou ainda de dores no tornozelo direito. "Em 2016, não passei por isso. Agora, o ódio vem muito grande, vem ameaça, vem tudo e bloqueia, suspende e fica fora para se blindar. É pegar minha família, meus amigos, minha equipe, a comunidade da ginástica e seguir. Foi um ano muito difícil desde o começo, em que tive burnout, depressão e tive de parar por um tempo."

A cabeça do ginasta já está em Paris, cidade que vai receber os Jogos Olímpicos em 2024. "A gente tem de buscar esses erros e melhorar. Assim como no esporte. Mas, no esporte, essa chance é só de quatro em quatro anos. É aprender com isso e melhorar. Para Paris, fazer diferente", disse. Nory continua sendo um dos melhores ginastas do Brasil e ainda com idade e disposição para encarar um próximo ciclo olímpico. Além dos seus problemas, a pandemia tirou todos do rumo nesse ano de espera.

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