Carl Recine/Reuters
Carl Recine/Reuters

Nova classificação funcional de atletas desafia Comitê Paralímpico Internacional

Competidores são divididos de acordo com sua deficiência e mudanças influenciam o nível dos adversários

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2019 | 04h30

Faltando menos de 500 dias para a Paralimpíada de Tóquio, o Comitê Paralímpico Internacional (IPC) tem um grande desafio pela frente: garantir a nova classificação funcional dos atletas para que cheguem em 2020 já cientes de que classe fazem parte. “Houve mudança no sistema e isso pode afetar atletas de maneira positiva ou negativa. Isso foi feito em consulta com os países, pois queremos um sistema melhor e uma base científica maior”, explica Andrew Parsons, presidente do IPC.

“Sempre que tem alguma mudança gera repercussão grande. No Mundial vai ter a confirmação de muitas classes e esperamos chegar em Tóquio com todo mundo com suas classes novas. O crescimento do esporte paralímpico traz esse desafio”, continua o dirigente brasileiro.

No atletismo são mais de mil atletas novos que precisam passar por classificações. O Mundial Paralímpico deste ano será disputada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, entre 7 e 15 de novembro.

A classificação influencia no tipo de adversário. Na natação, por exemplo, de S1 a S10 estão incluídos os atletas com limitações físico-motoras. Um nadador que vai do S4 para o S5 encontrará rivais mais rápidos. Se faz o caminho inverso, terá vantagem. Por isso é importante classificar o competidor de acordo com sua deficiência.

Sobre os Jogos de Tóquio, Parsons vê que a organização está muito bem encaminhada. “A gente passou a marca dos 500 dias e a preparação está indo muito bem. O Comitê Organizador tem sido eficiente e está sendo bem tranquilo trabalhar com eles”, afirma.

Ele lembra que um dos pontos mais importantes é a promoção dos Jogos Paralímpicos. “Os esforços estão sendo feitos e vemos atletas paralímpicos sendo a cara de muitas campanhas. Estamos esperando uma grande edição do Jogos.”

Dificuldades também existem e uma situação preocupa o IPC: a oferta de acomodações específicas para pessoas com deficiência, não para atletas, mas para o público em geral. “Faltam quartos acessíveis. O nível de acessibilidade que eles consideram não é o que a gente considera. É uma questão que atrapalha e temos de pensar em soluções de operação, dar incentivo para os donos de hotéis. A gente já trabalhou com parlamento e governo do Japão e legislação vai mudar depois.”

Por sua posição como presidente do IPC, Parsons explica que precisa ter neutralidade em relação aos Jogos Paralímpicos, mas acredita que o Brasil tem tudo para fazer bonito em 2020. Ele foi presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro “O Brasil tem totais condições de ir melhor do que foi no Rio.”

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