Kenny Morris/WSL
Kenny Morris/WSL

Novas modalidades esportivas nos Jogos de Tóquio dão impulso ao Brasil

Estreia de surfe, skate e caratê no programa olímpico em 2020 vai ajudar o País no quadro de medalhas

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

29 de setembro de 2019 | 04h34

A participação do Time Brasil nos Jogos do Rio, em 2016, foi histórica. Recorde de pódios e de medalhas de ouro em uma mesma edição. E para a Olimpíada de Tóquio, em 2020, a marca pode ser até melhor por causa da inclusão das novas modalidades esportivas no programa. Surfe, skate e caratê devem dar um upgrade na delegação nacional para subir no quadro de medalhas. Outras duas modalidades novas, beisebol/softbol e escalada esportiva, não devem dar pódios ao País.

No Rio, o Brasil obteve 19 pódios, com sete medalhas de ouro, seis de prata e seis de bronze. E é muito raro um país conseguir ser melhor na edição olímpica seguinte a que foi sede (só a Austrália conseguiu, em 2004). Até por isso, o Time Brasil vai para Tóquio com boas expectativas e sonhando superar essa marca de sete medalhas de ouro da edição anterior.

No skate, das 12 medalhas distribuídas, o Brasil tem chances reais de sete no momento: Pâmela Rosa, Rayssa Leal e Leticia Bufoni (street feminino), Kelvin Hoefler (street masculino), Yndiara Asp (park feminino) e Pedro Barros e Luizinho Francisco (park masculino). Nenhum deles está classificado ainda, mas são nomes com ótimas posições no ranking e bons resultados internacionais.

Pâmela ganhou o Mundial de street recentemente em São Paulo e deu um passo importante para se classificar. “Tenho mais torneios importantes até o fim do ano e não penso muito nas conquistas. Me dedico ao próximo campeonato, não penso na Olimpíada agora, vou fazer isso quando estiver no Japão. Até 2020 tem muita coisa para rolar ainda, mas se Deus quiser vou estar lá”, disse.

Eduardo Musa, presidente da Confederação Brasileira de Skate, sabe que a modalidade pode ser um carro-chefe do COB no Japão. “A gente tem uma meta inicial que é levar 12 atletas para Tóquio, que seria o número máximo possível para um país. Nosso trabalho hoje é focado nisso. Dentro disso, até por conta do que vem acontecendo nos eventos internacionais, a gente obviamente tem expectativa de medalha. É difícil precisar um número, porque é esporte e qualquer coisa pode acontecer. Mas sem dúvida vamos para a primeira Olimpíada do skate com a pretensão de conquistar pódios para o Brasil”, avisou.

No surfe, o Brasil tem nomes como Gabriel Medina (bicampeão do mundo), Filipe Toledo (vice no Circuito Mundial) e Italo Ferreira, que ganhou recentemente o ISA, evento que foi no Japão e contou com os principais surfistas do mundo. Já no feminino a tendência é que Silvana Lima e Tatiana Weston-Webb, que já está bem perto de carimbar sua vaga, sejam as representantes nacionais.

“O Brasil tem mostrado nos últimos anos que tem tudo para chegar em medalhas na Olimpíada tanto no surfe quanto no skate, esportes que temos grandes nomes, verdadeiros ídolos. Eu tenho pensado muito nisso, sei que participar dos Jogos vai mudar nossas vidas e se ganhar a medalha, nem se fala. Minha expectativa é a melhor possível. Entraremos todas em nível de igualdade e eu terei uma vontade imensa de retribuir o carinho que o Brasil me recebeu com uma medalha olímpica, que ficará marcada para sempre na história do esporte. É o maior evento esportivo do mundo, todos estarão olhando para quem estiver lá e sei que o Brasil tem tudo para fazer bonito”, comentou Tati.

Adalvo Argolo, presidente da Confederação Brasileira de Surf, considera que a modalidade no Brasil está vivendo seu melhor momento na história. “Basta ver os últimos resultados no ranking da WSL e a medalha de ouro conquistada pelo Brasil no ISA Surfing Games 2019”, afirmou o dirigente, ciente de que o Brasil tem atletas que conseguem se adaptar bem ao tipo de onda do Japão. Até por isso, uma aposta audaciosa seria o Brasil conquistar três medalhas no surfe.

No masculino, quem quer que seja o representante nacional, vai brigar pelo pódio. Filipe Toledo espera conseguir a vaga e corresponder às expectativas. “Quando entro em uma competição, é sempre buscando a vitória. Então se eu conseguir uma vaga olímpica, vou em busca de uma medalha, afinal estamos trabalhando duro pra isso desde 2017”, lembrou Filipinho.

Já no caratê, o Brasil não deve ter representantes no kata, mas no kumitê três atletas vêm tendo um bom desempenho e, caso consigam a vaga, algo que é bem difícil, vão brigar pelas medalhas porque possuem alto nível técnico e as chances são maiores que nas outras modalidades (são dez atletas brigando por quatro medalhas em cada categoria). A maior chance de pódio é de Vinicius Figueira.

TRÊS PERGUNTAS PARA...

Jorge Bichara, diretor de esportes do COB

1. Como as novas modalidades podem ajudar o Brasil no quadro de medalhas?

Das cinco, no beisebol/softbol estamos fora e na escalada teremos dificuldade para nos classificar. Mas não tem como não olhar para surfe, skate e caratê de uma maneira positiva pelo desempenho que principalmente as duas primeiras estão tendo nos campeonatos internacionais.

2. Desde a entrada delas no programa olímpico, o que o COB fez?

Já tínhamos identificado esses esportes como bem desenvolvidos no País. Mas faltava uma aproximação maior com as confederações para saber o interesse em participar da competição olímpica e adequar legalmente no sistema esportivo nacional. Trabalhamos próximos delas e a receptividade foi muito boa.

3. Existe uma estimativa de medalhas que podem vir com essas modalidades?

A gente tem potencial de se apresentar muito bem em todas as categorias. A contribuição delas é grande dentro das expectativas. No surfe o Brasil é destaque mundial e tem condição de estar no pódio em ambos os naipes. No skate vamos muito fortes em três categorias. E no caratê temos atletas como o Vinicius Figueira, o Douglas Brose e a Valeria Kumizaki, todos de destaque internacional. Mas sabemos que os outros países também investem pesado quando enxergam novas possibilidades de medalhas.

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