Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Nuzman minimiza poluição na Baía de Guanabara: 'Águas iguais para todos'

A 500 dias da Olimpíada, presidente do Comitê Rio-2016 diz que atletas da vela devem vir ao Brasil com 'tranquilidade' e diz que Jogos serão 'espetaculares'

Entrevista com

Carlos Arthur Nuzman

Sílvio Barsetti, O Estado de S. Paulo

24 Março 2015 | 00h01

O presidente do Comitê Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, aposta no sucesso dos Jogos Olímpicos e se diz tranquilo quanto às polêmicas sobre poluição na Baía de Guanabara e construção do campo de golfe. Nesta entrevista ao Estado, ele afirmou que os atletas de vela vão encontrar no Rio “águas iguais para todos”.

Como está o Rio a 500 dias dos Jogos?

Muito bem. Toda cidade que organiza os Jogos tem uma história própria de facilidades e dificuldades. Com o Rio não vai ser diferente. Nosso cronograma está sendo cumprido, superamos pequenos atrasos, como os do velódromo e do Complexo de Deodoro, que está até um pouco avançado. Os Jogos vão ser espetaculares.

Está mantida a meta de o Brasil ficar entre os dez melhores dos Jogos?

Sim, o objetivo de chegar entre os dez com maior número de medalhas não muda. Há, claro, uma necessidade de obter esses resultados em esportes que até agora não nos levaram ao pódio em Olimpíadas. Quando falamos de novas medalhas, sabemos que alguns daqueles por quem nutrimos uma expectativa maior podem não ter sucesso. Levamos em consideração os efeitos da tensão de atuar em casa, da pressão natural que a pessoa sofre.

Em que modalidades residem essa expectativa (de medalhas inéditas)?

Não é meu estilo falar disso. Mas o handebol, por exemplo, tem feito uma preparação magnífica, merece medalha. A canoagem pode surpreender, está fazendo um trabalho muito importante.

A meta de despoluição da Baía de Guanabara não vai ser alcançada. Como o senhor analisa a questão?

Todos os Jogos Olímpicos tiveram problemas de poluição nas áreas de competição da vela. Vou destacar Sydney (2000) e Pequim (2008). Pequim ainda continua com a poluição. O trabalho do governo do Estado do Rio é enorme. Já despoluiu muito, tanto que ninguém reclamou no evento-teste de agosto do ano passado.

O que o senhor poderia dizer para os atletas de vela que vêm de fora do País competir na Baía de Guanabara?

Para que venham com a maior tranquilidade possível. Cada vez que você entra em local de competição de vela você tem um tipo de problema que vai ter de superar. As águas nos locais de competição são iguais para todos. Os melhores vão ganhar.

O campo de golfe vive em meio a indefinições por causa de ações na Justiça, uma delas questiona o uso "inadequado" de área de preservação ambiental. Como analisa a situação?

Sempre há problemas em questões que envolvem locais de competições; isso ocorre com várias modalidades. Não se pode esquecer de problema muito mais intenso com a Marina da Glória no Pan-Americano (2007). Agora, é no golfe. Ali (na Barra da Tijuca) está sendo feito um trabalho extraordinário e o campo de golfe olímpico vai ser um dos mais bonitos do mundo.

Por que a opção pelo campo de golfe numa área de preservação ambiental e não em um dos dois clubes de ponta com sede no Rio, o Itanhangá Golf Club e o Gávea Golf?

Você conhece aquela história dos técnicos que cortam os jogadores de suas listas e falam somente dos que ficaram? Eu gostaria de falar só do que tem. Os dois campos são privados, particulares, não podem ser oferecidos à população. É caríssimo ser sócios deles.

Relatório recente do TCU questiona a data prevista para a extinção do Comitê Rio-2016, que é durante o ano de 2023. O Tribunal cita o Comitê de Londres-2012, que encerrou suas atividades em 2013. Por que estender tanto o Rio-2016?

A experiência nos mostra que a gente deve deixar uma margem de segurança muito grande. O ideal é encerrar o mais rápido possível; tão logo esteja pronto o relatório final e a prestação de contas. Estando pronto isso, vamos entregar antes.

O que poderia ser esse "antes"?

Não tem uma razão assim tão determinante.

Há algum risco de as Vilas dos Árbitros e de Mídia ficarem no papel?

Vamos ter, estava previsto, vamos ter. Essas mudanças (não vão mais ficar na zona portuária) também atendem os árbitros, que preferem ficar perto de seus locais de competição. Em termos de mídia, vale atentar para as questões que são oferecidas e pelos preços que a imprensa vai pagar.

O TCU também questiona os gastos com a sede do Rio-2016, que vão chegar a R$ 80 milhões. O Tribunal considera um desperdício do que seria "legado econômico", se o dinheiro fosse investido na aquisição ou construção de uma sede própria para o Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Como avalia isso?

Nós até hoje não utilizamos recursos públicos no Rio-2016.

Nem de loterias federais (Lei Agnelo Piva)?

Não, nada. Uma lição de Jogos passados, e isso é experiência, é que você deve estar num prédio único, com todas as suas instalações da organização. Estamos falando num prédio de 22 mil a 25 mil metros quadrados. Não existem no Rio locais assim que possamos ocupar, alugar, receber de graça. Nós estamos inovando com uma sede temporária que fica como uma lição para o Brasil, de poder utilizar instalações temporárias de sede, seja para saúde, segurança, parte administrativa, que os governos necessitem. É uma experiência única também em Jogos Olímpicos. Por causa das razões que eu expliquei, e nós estamos muito felizes para poder dar essa demonstração. Porque, se fôssemos ocupar qualquer lugar, teríamos que pagar e nós estamos pagando menos do que pagaríamos se tivéssemos de alugar escritórios no centro, na Barra, na zona norte da cidade. Se for fazer essa conta, merecemos um grande elogio.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.